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INTL FCStone: geada em cafezais ainda pode influenciar preço

Segundo analista, dano da geada ainda não foi contabilizado com precisão

Os efeitos das geadas nos cafezais brasileiros ainda podem influenciar os preços do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) nos próximos meses, quando os danos forem totalmente calculados, apontou o analista Fernando Maximiliano, da INTL FCStone, no evento Perspectivas para Commodities, realizado em São Paulo.

“O dano da geada ainda não foi contabilizado com precisão”, informou o analista, lembrando que, se as perdas forem maiores do que o esperado, isso pode dar suporte aos preços. O analista lembrou que fundos de investimento chegaram a ter saldo vendido de 60 mil contratos em maio na Bolsa de Nova York e que esse nível diminuiu para menos de 20 mil contratos.

“Os preços tiveram recuperação a partir de maio. Um fator importantíssimo foi o inverno brasileiro e o medo da geada. Quando começaram as notícias de temperaturas baixas no Brasil, tivemos um incremento no preço de café”, disse o analista. Ele ponderou, contudo, que, quando a geada de fato se concretizou, os preços recuaram. “Teve geada nas regiões de café. É difícil estimar o tamanho do dano. Só vamos ter uma ideia real do dano a partir da florada”, explicou. “Mas essa geada aconteceu e, um dia depois, tivemos queda de 470 pontos no preço de café. O mercado fez muito alarde com geada e frio e esperava danos maiores, enquanto os dados preliminares mostraram que o dano não foi tão grande, o mercado reagiu com baixa.”

Segundo o analista, o excedente de produção no mundo tem pesado sobre os preços. Maximiliano lembrou que o Brasil, mesmo em ano de bienalidade negativa, deve produzir acima de 50 milhões de sacas – a estimativa da FCStone é de 53 milhões de sacas. “É um ano de bienalidade negativa e tem muito café.” No Vietnã, a expectativa é de que seja o segundo ano de recorde de produção, enquanto na Colômbia a renovação dos cafezais vem alimentando bons resultados nos últimos anos.

O analista lembrou que os estoques na ICE, no nível de 2,38 milhões de sacas em junho, são confortáveis. “Não é o maior nível histórico de estoque, mas é um volume elevado”, ponderou. Ele destacou que, por enquanto, a demanda tem sido insuficiente para absorver o excedente de produção.

Segundo o analista, o consumo na Europa e nos EUA não tem expectativa de mudança muito grande em termos de volume, enquanto na China há grande perspectiva de crescimento, mas o consumo per capita ainda é pequeno.

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