Mastite crônica: o que fazer?

O professor da faculdade de Medicina Veterinária da USP de Pirassununga, Marcos Veiga, aponta os prejuízos da mastite crônica e avalia quando se deve descartas vacas com o problema.

E m um sistema de produção de leite, um dos principais custos é o descarte de vacas- problema, pois o custo do animal de reposição e demais prejuízos associados (perda de material genético e de produção de leite) é apenas parcialmente coberto pelo valor obtido na venda do animal descartado. Estima-se que o custo médio de reposição totalize até 20% dos custos operacionais totais, o que indica que este é um componente significativo do custo de produção. Por outro lado, manter vacas com baixo potencial produtivo e com problemas sanitários e reprodutivos não é economicamente viável. Do ponto de vista de um produtor, a decisão de descartar uma vaca deve levar em conta dois fatores principais: a) é lucrativo manter uma vaca-problema no rebanho ou não? b) manter vacas-problema no rebanho pode trazer riscos do ponto de vista sanitário?

Principais causas de descarte de vacas

O descarte pode ser voluntário (por baixa produção, seleção genética ou excesso de animais de reposição) ou involuntário (morte, doenças ou infertilidade). Em rebanhos leiteiros de alta produção, as principais causas de descarte involuntário de vacas são problemas reprodutivos, mastite e outros problemas do úbere, problemas de casco e de locomoção e outros distúrbios de saúde. Em um estudo brasileiro, a mastite e outras alterações da saúde da glândula mamária foram responsáveis por cerca de 17% dos casos de descartes em rebanhos leiteiros das raças Holandesa e Girolando. Os problemas reprodutivos foram a causa de cerca de 13% dos descartes e as enfermidades do sistema locomotor totalizaram 13%. Em rebanhos norte-americanos, o total de descarte anual pode atingir de 30 a 35% das vacas em lactação e a mastite é responsável por cerca de 15% do total de descartes. As demais causas de descarte são: baixa produção (11%), problemas reprodutivos (17%), doenças diversas (24%), problemas de locomoção (9%) e morte por causas diversas (15%). Desta forma, dentre as causas de descarte, a mastite é uma das principais, o que indica que os critérios para o descarte destas vacas devem ser bem definidos pelo produtor para que possam ser usados como ferramenta no controle da mastite.

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Prejuízos da mastite crônica

Vacas com mastite crônica são aquelas em que os casos de mastite não se resolvem. Não existe uma única definição, mas o termo é usado quando uma vaca apresenta mastite com uma das seguintes características: a) baixa chance de cura com tratamento, b) longa duração da mastite com alta CCS ou sintomas clínicos, c) quando um quarto mamário apresenta recorrência de mastite clínica e quando uma infecção inicia-se em uma lactação e persiste até a lactação seguinte. Por exemplo, pode-se considerar mastite subclínica crônica quando uma vaca apresenta CCS > 200.000 células/ml por pelo menos 2 meses consecutivos. Já para a mastite clínica, considera-se como crônica uma vaca que tenha casos repetidos no mesmo quarto durante uma lactação. Em ambas as situações, a mastite crônica pode ocorrer em razão da persistência da infecção inicial por longos períodos de tempo (o agente não é eliminado pelo tratamento ou pelo sistema imune da vaca) ou por uma reinfecção pelo mesmo tipo de agente causador. Quando um rebanho apresenta >10% de vacas com mastite crônica este é um indicativo de altos prejuízos e da necessidade de melhorias no controle da mastite.

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