Mercado do boi gordo anda de lado, refletindo o baixo consumo interno de carne bovina

Frigoríficos tiram o pé das compras de boiadas, fugindo do risco de operar com margens negativas por conta dos altos preços da arroba e da menor demanda pela carne no mercado doméstico

Nesta quarta-feira, 18 de agosto, o mercado brasileiro de boiada gorda não apresentou alteração de comportamento em relação aos últimos dias desta semana e também da anterior.

Ou seja, a arroba continua com preços firmes em quase todas as praças pecuárias do País, sem espaço para tendência de baixa, mas também sem sinais de novos avanços no curtíssimo prazo.

Em São Paulo, segundo levantamento da Scot Consultoria, o boi gordo vale RS 317/@, enquanto a vaca e novilha prontas para abater são negociadas a R$ 293/@ e  $311/@, respectivamente (valores brutos e a prazo).

O boi-China (abatido mais jovem, com até 30 meses de idade) é vendido a R$ 320/@, à vista, no mercado paulista.

“A dinâmica de negócios no mercado interno segue a tendência sazonal, refletindo o menor poder de compra da população típica do período, o que afeta diretamente a procura por boiada gorda”, relata a IHS Markit, referindo-se ao maior distanciamento do pagamento dos salários, no início de cada mês.

Porém, continua a consultoria, apesar da retração na demanda das plantas frigoríficos, os preços da arroba bovina seguem em patamares bastante elevados, girando em torno de R$ [email protected] em grande parte das regiões pecuárias (veja abaixo os preços de machos e fêmeas terminados nas principais praças brasileiras).

Na avaliação da IHS, as indústrias frigoríficas registram certo conforto nas escalas de abate, que ganharam fôlego nas últimas semanas diante da maior oferta de animais dos primeiros lotes do primeiro giro do confinamento.

As adversidades climáticas (onda de frio intenso e geadas) registradas recentemente em algumas áreas de produção também contribuíram para a elevação de oferta de animais aos abatedouros.

No momento, os frigoríficos brasileiros enfrentam grande dificuldade para escoar a carne bovina no mercado interno.

“Com a segunda quinzena de agosto ‘mostrando as caras’ e o mercado interno passando por redução de consumo na carne bovina, o volume de mercadorias ofertado para reposição de estoques foram menores”, observa a consultoria Agrifatto.

Na avaliação da IHS, a grande frustração em relação à procura por reposição de estoques no atacado também favorece a manutenção das longas escalas de abate, principalmente no Estado de São Paulo, onde há relatos de plantas abatedouras que já negociaram o recebimento de lotes para abate até a primeira semana do mês de setembro.

“Enquanto a demanda doméstica não reagir, novas altas na arroba bovina devem ser contidas, em função da falta de liquidez no atacado/varejo, gerado pela impossibilidade de repasses dos custos indústrias”, destaca a IHS.

Por sua vez, os pecuaristas seguram a pouca oferta de boiadas existentes, não aceitando preços abaixo dos valores atuais de referência.

Portanto, avalia a IHS, enquanto os custos de nutrição permanecerem elevados e os repasses no varejo inviáveis, os preços apresentam grande possibilidade de seguirem acomodados, sem tendência definida.

No mercado futuro do boi gordo, quase todos os vencimentos registraram quedas, refletindo as prolongadas escalas de abate dos frigoríficos nos principais Estados brasileiros.

Porém, observa a IHS Markit, os relatos da inviabilidade econômica de novos confinamentos, em função dos elevados custos de nutrição, reforçam a fragilidade da tendência de queda de preços da arroba ao longo do período de entressafra.

Os contratos com vencimento em outubro/21 e novembro/21 (meses de pico da entressafra) recuaram, respectivamente, R$ 1,70 e R$ 2,30, para R$ 321,10/@ e R$ 325/@.

No mercado atacadista, os preços do corte de dianteiro tiveram recuo de R$ 0,50/kg nesta quarta-feira, enquanto a vaca casada apresentou queda de R$ 0,20/kg.

O couro industrial, por sua vez, registrou alta de R$ 0,10/kg. Os demais cortes bovinos, assim como o sebo industrial permaneceram estáveis.

O setor ainda relata lentidão na procura por reposição de estoques, assim como no escoamento no varejo, ressalta a IHS.

A situação não apresenta expectativas de melhora até o início da primeira semana de setembro, período marcado pelo recebimento dos salários aos trabalhadores.

Cotações máximas desta quarta-feira, 18 de agosto, segundo dados da IHS Markit:

SP-Noroeste:

boi a R$ 320/@ (prazo)
vaca a R$ 300/@ (prazo)

MS-Dourados:

boi a R$ 310/@ (à vista)
vaca a R$ 300/@ (à vista)

MS-C.Grande:

boi a R$ 312/@ (prazo)
vaca a R$ 302/@ (prazo)

MS-Três Lagoas:

boi a R$ 313/@ (prazo)
vaca a R$ 300/@ (prazo)

MT-Cáceres:

boi a R$ 305/@ (prazo)
vaca a R$ 295/@ (prazo)

MT-Tangará:

boi a R$ 305/@ (prazo)
vaca a R$ 300/@ (prazo)

MT-B. Garças:

boi a R$ 305/@ (prazo)
vaca a R$ 296/@ (prazo)

MT-Cuiabá:

boi a R$ 302/@ (à vista)
vaca a R$ 289/@ (à vista)

MT-Colíder:

boi a R$ 300/@ (à vista)
vaca a R$ 290/@ (à vista)

GO-Goiânia:

boi a R$ 304/@ (prazo)
vaca R$ 294/@ (prazo)

GO-Sul:

boi a R$ 306/@ (prazo)
vaca a R$ 296/@ (prazo)

PR-Maringá:

boi a R$ 312/@ (à vista)
vaca a R$ 296/@ (à vista)

MG-Triângulo:

boi a R$ 312/@ (prazo)
vaca a R$ 300/@ (prazo)

MG-B.H.:

boi a R$ 311/@ (prazo)
vaca a R$ 300/@ (prazo)

BA-F. Santana:

boi a R$ 298/@ (à vista)
vaca a R$ 287/@ (à vista)

RS-Porto Alegre:

boi a R$ 315/@ (à vista)
vaca a R$ 302/@ (à vista)

RS-Fronteira:

boi a R$ 315/@ (à vista)

vaca a R$ 302/@ (à vista)

PA-Marabá:

boi a R$ 295/@ (prazo)
vaca a R$ 288/@ (prazo)

PA-Redenção:

boi a R$ 294/@ (prazo)
vaca a R$ 288/@ (prazo)

PA-Paragominas:

boi a R$ 298/@ (prazo)
vaca a R$ 285/@ (prazo)

TO-Araguaína:

boi a R$ 298/@ (prazo)
vaca a R$ 287/@ (prazo)

TO-Gurupi:

boi a R$ 295/@ (à vista)
vaca a R$ 287/@ (à vista)

RO-Cacoal:

boi a R$ 300/@ (à vista)
vaca a R$ 294/@ (à vista)

RJ-Campos:

boi a R$ 297/@ (prazo)
vaca a R$ 283/@ (prazo)

MA-Açailândia:

boi a R$ 287/@ (à vista)
vaca a R$ 259/@ (à vista)

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