Mosca dos chifres: pequeno parasita, grande prejuízo na pecuária de corte

Eduardo Henrique de Castro Rezende, da JA Saúde animal, aborda prejuízos causados à pecuária pela mosca dos chifres

Os ectoparasitas causam diversos prejuízos à bovinocultura, ocasionando perda de peso, danos a qualidade do couro, transmissão de agentes causadores de doenças, diminuição da libido dos touros, entre outros. Embora o carrapato de bovinos seja o ectoparasita mais relevante para a pecuária, as moscas são as mais difíceis de erradicar no rebanho. Quando considerado as principais moscas que parasitam os bovinos, há prejuízos anuais superiores a 5 milhões de reais no Brasil.

As duas principais moscas que causam prejuízo à pecuária brasileira são as moscas-dos-estábulos e as moscas-dos-chifres. Vale destacar que embora sejam da mesma família, essas duas moscas se diferem quanto ao gênero, morfologia e forma de infestação. Daremos enfoque nesse texto na mosca-dos-chifres, mosca muito menor, porém com picada muito mais dolorida e frequente.

A mosca-dos-chifres, cientificamente conhecida como Haematobia irritans, é uma mosca originária da Europa que chegou aqui no Brasil por meio da importação de gado de outros países e é atualmente a mosca de maior impacto na pecuária nacional. Ao infestar o animal, esse inseto se concentra em regiões estratégicas, focando em áreas fora do alcance da cabeça e da cauda o que impossibilita o bovino de espantar a mosca. Além da preferência pelas regiões dorsolombar, cupim, abdômen e pernas, a Haematobia irritans possui predisposição pelos taurinos, animais de pelagem escura e machos inteiros. Os touros sofrem mais picadas em decorrência da maior atividade das glândulas produtoras de suor e maiores níveis de testosterona.

O grande problema da mosca dos chifres é o fato de permanecer no animal praticamente 24 horas por dia, picando mais de 15 a 40 vezes nesse período. Embora seja uma mosca muito pequena, sua picada é altamente dolorida e possui características espoliativas, ou seja, há considerável perda de sangue em grandes infestações, resultando em alguns casos em anemia. A irritação causada é tão grande que compromete a alimentação e digestão do bovino parasitado, levando à queda na produtividade do animal e consequentemente a lucratividade do pecuarista.

Segundo estudos que evidenciam e quantificam as perdas causadas por este ectoparasita, um bovino que, se ao longo de um ano, estivesse infestado por 500 moscas, perderia 40 kg de peso, sendo 3 kg em decorrência da espoliação sanguínea e o restante devido a anorexia provocada pela irritação da picada associada a energia gasta na tentativa de espantar o parasita. Já não bastasse isso, a mosca dos chifres também é vetor de outras doenças como a anaplasmose e tripanossomose, além de ser forético das larvas das moscas berneiras, outro relevante parasita de bovinos.

Visto todo prejuízo causado por estes parasitas, temos que lançar mão de formas eficazes de combate e controle, sendo o controle químico o tratamento de eleição. Juntamente ao tratamento químico, o uso de estratégias de controle não-químico é desejável. Nesse sentido podemos citar como exemplo a preferência do uso de animais de sangue zebuíno em regiões endêmicas, devido a sua maior rusticidade e adaptabilidade.

No que se refere ao controle químico, o produtor em grande parte das vezes faz o uso de medicamentos antiparasitários, que embora seja uma forma eficaz de tratamento, quando feito de forma indiscriminada pode não promover o resultado esperado. O ideal é que se utilizem soluções antiparasitárias nas doses e intervalos preconizados a fim de se evitar o desenvolvimento de resistência de cepas ao composto usado.

Embora existam várias moléculas diferentes no mercado, evidenciamos o uso das Abamectinas pour on, aquelas aplicadas de forma tópica sobre o dorso dos animais. A Abamectina faz parte do grupo das Avermectinas, moderna classe de Lactonas Macrocíclicas, que ao longo dos anos vem demonstrando atividade eficaz contra endo e ectoparasitas. A Abamectina promove bloqueio da transmissão neuro-muscular, causando paralisia e consequentemente a morte do parasita.

Para obter as referências utilizadas na confecção da matéria ou para saber maiores detalhes sobre o tema entre em contato com o autor (eduardorezende@jasaudeanimal.com.br).

*As opiniões expressas nos artigos não necessariamente refletem a posição do Portal DBO.

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no pinterest
Pinterest
Compartilhar no pocket
Pocket
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no skype
Skype
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no pinterest
Pinterest
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no pocket
Pocket

Conteúdo relacionado:

Sobre o autor

Menu

[banner-link-364-x-134-home-geral1]

[banner-link-364-x-134-home-geral2]

[banner-link-364-x-134-home-geral3]

Fechar Menu
Do NOT follow this link or you will be banned from the site!
×
×

Carrinho

Encontre as principais notícias e conteúdos técnicos dos segmentos de corte, leite, agricultura, além da mais completa cobertura dos leilões de todo o Brasil.

Encontre o que você procura: