Não vamos exportar mais lácteos porque não estamos prontos

Chegaremos lá, mas neste momento, do jeito que fazemos as coisas, NÃO TEMOS MERCADO LÁ FORA
Wagner Beskow

O pesquisador Wagner Beskow postou o texto abaixo em suas redes sociais. Pela relevância do assunto, o Portal DBO reproduz.

“Não vamos exportar mais lácteos, simplesmente porque país A e B aprovaram plantas industriais brasileiras. Não é assim que funciona.

Grosso modo, há três tipos de clientes lá fora. Os que exigem:

  1. Preço, com moderada exigência em qualidade.
  2. Preço, com alta exigência em qualidade.
  3. Preço, com alta exigência em qualidade e “sustentabilidade”

Hoje nós temos condições de atender, com volume, “moderada exigência em qualidade”, só isso. E como percebem acima, não basta, não atende ninguém.

NÃO TEMOS PREÇO, porque somos muito ineficientes como cadeia. A produtividade é o principal determinante da competitividade. E aqui se aplica ao produtor, ao transportador, à indústria, aos agentes públicos que fiscalizam e despacham, mas também constroem e mantém estradas, ao exportador, aos complexos portuários e aos governos e sua sede tributária insaciável. Isso tudo somado aos roubos, desvios, perdas, morosidades, juros altos e despreparo generalizado por falta de formação de mão-de-obra especializada, afetando a todos.

NÃO TEMOS ALTA QUALIDADE porque aqui, até pouco tempo, ninguém jamais se preocupou com o mercado internacional. Qualidade sempre foi sinônimo de atender INs do MAPA e as INs do MAPA definem um mínimo legalmente aceitável. Mínimo legalmente aceitável jamais será competitivo. Será sempre uma forma de não ir preso ou de não ter seu negócio fechado. E O CLIENTE, ONDE FICA NESSA DISCUSSÃO?

Por último, TODOS PENSAM QUE NÃO NOS PREOCUPAMOS COM SUSTENTABILIDADE, porque nunca nos preocupamos com o cliente e, sim, em atender exigências legais, também nesta frente. Não adianta conhecer e fazer. Não adianta ter a legislação ambiental, sanitária e trabalhista que temos e cumpri-la, se não soubermos vender isso. E não o sabemos.

As autoridades dos diversos países autorizarem importações do Brasil por motivos sanitários, legais ou políticos é bom, mas é apenas o básico, condição “sine qua non”. No entanto, se os potenciais clientes de lá, ou seja, as empresas importadoras, não enxergarem valor, vantagens frente a outras opções e vendas com margem de lucro diferenciada, NADA ACONTECERÁ.

E “mercado lá fora” significa cliente comprando e voltando a comprar todos os anos e não um negócio de ocasião aqui, outro ali, como temos feito, quando o real se desvaloriza. Hoje, somos “a carne bovina brasileira de 30 anos atrás”, focados no umbigo (mercado interno, composto de consumidores que desconhecem qualidade), sem compromisso, sem contratos, sem conhecer nem ligar para o perfil de demanda além mares.

É muita pretensão achar que algo tão tupiniquim e de improviso assim possa vingar.

Chegaremos lá, mas neste momento, do jeito que fazemos as coisas, NÃO TEMOS MERCADO LÁ FORA, por mais simpáticas e bem vindas que sejam as notícias anunciadas pela Ministra da Agricultura.

*Ph.D. Pesquisador/Consultor
Sócio-Diretor da Transpondo
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