O pó nosso de cada dia

Hélio Casale diz que a cadeia produtiva do café é perversa com os cafeicultores: ganha o consumidor final.

Hélio Casale *

O cultivo do cafeeiro contribuiu para a abertura de inúmeras áreas Brasil afora, principalmente em São Paulo e Paraná. Atualmente, a bola da vez é nas Minas Gerais. O fruto do cafeeiro, o café em grão, é cultivado numa área de 1.842 milhões de hectares, gerando entrada de divisas da ordem de mais de US$ 5,09 bilhões de dólares por ano.

No ano de 2018 foram produzidos no Brasil 62,4 milhões de sacas somando produções do arábica e do conilon. Dessa produção, 35,2 milhões de sacas foram exportadas e 27,2 ficaram para o mercado interno.

O preço médio da saca exportada foi de US$ 144.53 dólares, enquanto no mercado interno está sendo adquirido por cerca de US$ 110 dólares. Vender uma saca de café por pouco mais de R$ 400,00 reais está tornando o negócio de plantar café à beira do inviável. De A a Z todos têm de dar uma bicadinha, mas na fase atual o produtor está sendo penalizado demais. Vamos ver o quanto se aguenta isso e até onde vai essa onda baixista por causa de excesso de produção.

As 62,42 milhões de sacas, considerando que depois de torrado e moído sobram 48 quilos, serão consumidas, como bebida, cerca de 50 milhões de sacas. Considerando que cada cafezinho é produzido com 7 gramas, teremos 71 trilhões de xícaras. Por outro lado, sendo certa essa conta, serão consumidos entre o Brasil e os países importadores, cerca de 3 bilhões de quilos, apenas do nosso café.

Vamos ao pó, que normalmente é jogado fora após se extrair dele a segunda bebida mais consumida no mundo, depois da água, apenas.

Análise completa do pó feita nos Laboratórios da Ribersolo, em Ribeirão Preto (SP) revelou que, no pó residual, estão os seguintes elementos chamados de micronutrientes em gramas e os micronutrientes em miligramas por quilo, lembrando que os macros são absorvidos em maiores quantidades e os micros em menores quantidades.

Nitrogênio – 19,95 g/kg                Boro – 7,49 mg/kg
Fósforo – 1,01                                  Cádmio – 1,5
Potássio – 6,65                                Cobalto – 8
Cálcio – 1,05                                    Chumbo – 5,5
Magnésio – 1,35                             Cobre – 19
Enxofre – 1,08                                Cromo – 10,5
Ferro – 50                                       Manganês – 18
Níquel – <0,1                                  Zinco – 9,0

O pó geralmente é descartado, e vai para os lixões. Com essa composição devemos valorizar esse resíduo, dando-lhe um destino mais nobre. Alguns deles estão na adubação de floreiras e hortas domésticas, adubação de parques e jardins, adubação de áreas verdes das universidades, colégios, servindo de modelo, evitando o desperdício de tanta riqueza ali acumulada. Para nós produtores, vale considerar o quanto estamos empobrecendo anualmente o solo de nossas propriedades e recebendo tão pouco pelo desgaste e pelo nosso trabalho.

* o autor é engenheiro agrônomo, cafeicultor e consultor.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest
Share on pocket
Pocket
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on skype
Skype
Share on email
Email
Share on telegram
Telegram
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest
Share on email
Email
Share on pocket
Pocket

Posts Relacionados:

Menu

GALERIA DE FOTOS DO INSTAGRAM

Acompanhe e compartilhe:

Fechar Menu
×
×

Carrinho