O que pensam produtores de AC e RO sobre a retirada da vacinação

Os Estados serão os primeiros a parar de vacinar contra a aftosa, seguindo o plano estratégico do Mapa
Foto: Idaf Acre

Por Thuany Coelho

17 milhões de cabeças. Esse é o tamanho aproximado do rebanho bovino de Acre (3 milhões) e Rondônia (14 milhões), segundo dados de 2016 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – os números de 2017 devem ser divulgados apenas no segundo semestre. Os Estados serão os primeiros a pararem de vacinar contra a aftosa, seguindo o plano estratégico definido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “Chegamos na fase em que é necessário avançar, ter uma pecuária vista de forma menos restritiva e alcançar mercados mais avançados, trazendo benefícios para todos”, afirma Assuero Veronez, presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (Faeac).

Ele explica que os pecuaristas do Estado demonstraram certa apreensão no início, por começarem o processo idealizado pelo Mapa, mas que essa preocupação já ficou para trás. “Todo mundo entendeu que se não começasse por nós, ficaríamos impedidos de mandar animais para Estados mais centrais do País com quem comercializamos”.

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Hélio Dias, presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Rondônia (Faperon), conta que os produtores do Estado também abraçaram a causa. “Temos feito um trabalho forte de vacinação desde 1999 e estamos conscientes de que chegou o momento de fazer a retirada. Vamos cumprir nosso papel e cobrar as ações dos órgãos de defesa”. A expectativa de acesso a novos mercados anima os pecuaristas de Rondônia. “Vamos fazer investimentos, mas há uma perspectiva de elevação nos preços, porque isso agrega valor e permite que mercados que remuneram melhor passem a comprar de nós”, afirma Dias. Segundo ele, para se adaptar à nova realidade, produtores – em parceria com frigoríficos, que têm pago bonificações – têm investido em melhoramento genético e na melhoria da qualidade da carne.

Fiscalização e recursos

Nos dois Estados, há uma tranquilidade em relação à fiscalização que terá que ser feita após a retirada da vacinação. Mas, enquanto Dias acredita que Rondônia tem estrutura física e de pessoal para o trabalho, Veronez diz que o Acre ainda precisa avançar nesses aspectos. “Precisamos de técnicos, veterinários, estrutura. O governo está empenhado, mas sabemos das dificuldades de contratação. Vamos ser pioneiros e, às vezes, o pioneirismo custa caro”, afirma o presidente da Faeac.

Além dos repasses do governo, há o Fundo de Desenvolvimento da Pecuária do Estado do Acre (Fundepec), que colabora com parte das despesas do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf). Os pecuaristas contribuem com R$ 1,5 por cabeça (a cada emissão de Guia de Trânsito Animal), mas, segundo Veronez, há conversas para que seja feito um reajuste. Atualmente, as reservas do fundo giram em torno de R$ 6 milhões e 50% ficam retidas para emergências sanitárias, mas esse percentual também vem sendo discutido.

Do lado de Rondônia, existem dois fundos: um público e outro privado. O Fundo Estadual de Sanidade Animal (Fesa) liberou recentemente quase R$ 40 milhões para investimentos em infraestrutura (barcos, veículos, drones e aeronaves) da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron), que já conta com 84 postos de fiscalização no Estado. O objetivo é reforçar as bases do órgão para acompanhamento de fronteira – nacional e internacional. A reserva do fundo era de cerca de R$ 63 milhões. Já o Fundo de Apoio à Defesa Sanitária Animal do Estado de Rondônia (Fefa) é privado e no levantamento de maio feito pela Revista DBO tinha R$ 10 milhões em caixa. “Estamos nos organizando para dar suporte à emergência futura e garantir velocidade nas ações se for necessário”, explica o presidente da Faperon. De acordo com ele, a contribuição dos pecuaristas chega a quase R$ 4 por cabeça.

Fronteiras internacionais

Além de impedir o trânsito de animais vivos vindos de outros Estados do País, a defesa sanitária dos Estados precisará manter a atenção nas fronteiras internacionais. Para Veronez, porém, essa questão não traz grande preocupação. “O comércio com o Peru é pequeno e quase não há trânsito de animais. Além disso, a rodovia Transoceânica é o único caminho. E o rebanho do departamento de Pando, região da Bolívia com quem temos fronteira, tem um rebanho pequeno e já conhecido [as campanhas de vacinação contra aftosa, inclusive, costumam ser na mesma época]. Mas precisamos estar sempre atentos”.

No caso de Rondônia, que tem fronteira mais extensa com a Bolívia, Dias explica que já há um trabalho em conjunto com o país vizinho. “O Idaron faz cobertura vacinal de 40/50 km para dentro do território boliviano. E também haverá fiscalização com barcos e drones no rio Guaporé”.

Os próximos passos para o processo de retirada e fiscalização serão discutidos nos dias 27 e 28 em reunião do Bloco I no Acre.

Mato Grosso

Apesar de estar apenas no Bloco 5, programado para retirar a vacinação em junho de 2021, Mato Grosso faz divisa com Estados dos blocos I, II e IV, o que deve fazer com que alguns municípios do Estado adotem o cronograma de seus vizinhos. “No Bloco I, por exemplo, vimos que há dependência de áreas de Colniza, Comodoro, Juína, Rondolândia e Aripuanã com Rondônia para comercialização de carne, animais vivos e leite. Se não entrássemos juntos, inviabilizaríamos a pecuária nessa região”, diz Daniella Bueno, presidente do Instituto de Defesa Agropecuária (Indea). Rondolândia e parte de Colniza (margem esquerda do Rio Rooselvelt) e de Ariapuanã já estão garantidos no primeiro grupo, mas a situação dos outros lugares será decidida no fim do mês, em reunião no Acre. A integração dessas áreas ao Bloco I depende da aprovação do Mapa.

“Não é nada fácil. Não tínhamos interesse em entrar no Bloco I, mas vimos a necessidade e nos propusemos”, explica a presidente do Indea sobre a situação. Segundo ela, várias reuniões foram feitas com o setor produtivo local e estadual. “E nos falaram que precisam do escoamento para Rondônia”. Até 2021, quando terminará a transição, o Estado terá dois status sanitários distintos: livre com e sem vacinação.

Em relação à vigilância e fiscalização, o Estado terá apoio de Rondônia. Os municípios mencionados têm separações geográficas naturais com o resto de Mato Grosso, com poucos pontos de ligação, o que facilita a fiscalização. “Os produtores têm que estar muito conscientes para não vacinar e em relação ao trânsito de animais. Estamos confiando bastante no setor produtivo”, diz Daniella. O presidente da Faperon reforça que são poucas as passagens, já que se trata de uma área densa de floresta e que postos de fiscalização controlarão o trânsito. Além disso, Rondônia vai se utilizar de monitoramento via satélite para garantir que nenhum animal ultrapassou as fronteiras.

Sobre os municípios que fazem divisa com o Pará (que faz parte do Bloco II), Daniella explica que um estudo está começando a ser feito. Nesse caso, por causa do sentido do fluxo de animais, existe a possibilidade de ocorrer o contrário e algumas cidades do Pará passarem a integrar o Bloco V.

Fonte: Portal DBO.

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