Oeste paranaense está com 81% das lavouras de milho com plantio de alto risco

Na porção norte do Paraná, 62% da plantação está na mesma faixa de risco, revela a consultoria Agroconsult, que apresentou os resultados do Rally da Safra 2021

O atraso nas chuvas, no final ano passado, que culminou no atraso do plantio da soja, produziu um outro efeito: uma onda generalizada de semeadura de alto risco do mais importante insumo para a alimentação de bovinos em confinamento e semiconfinamento no País, o milho.

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A situação mais grave aconteceu na porção oeste do Paraná. Por lá, 81% das lavouras do cereal foram semeadas no mês de março, período considerado de alto risco para a região.

Na porção norte paranaense, 62% da plantação está na mesma faixa de risco, assim como em Goiás, com 61. Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, 38% e 34% de suas lavouras de milho, respectivamente, apresentam alto risco. Os dados são da consultoria Agroconsult, que apresentou nessa terça-feira (6/4) os resultados da expedição Rally da Safra 2021.

“Nunca vimos um atraso desse tamanho no País. Nem mesmo em termos porcentuais de área que está sob risco”, diz o engenheiro agrônomo André Pessôa, diretor da Agroconsult.

Foto: AdobeStock

Apesar de as lavouras estarem em alto risco e plantadas tardiamente em diversas regiões produtoras, a consultoria ainda prevê uma safra 3,5% maior que a de 2019/2020: 78,3 milhões de toneladas de milho. A produção é maior em função do aumento de área, prevista em 14,3 milhões de hectares, 7,3% a mais ante a temporada anterior. A produtividade deve cair 3,6%, fechando em 91,6 sacas por hectare.

O resultado, porém, pode ser outro: cerca de 70 milhões de toneladas, num cenário de quebra mais severa por conta dos riscos. A produção de 78 milhões de toneladas se manteria caso haja repetições de chuvas vistas nessa semana, em regiões do Centro-Oeste, pelo menos, mais uma vez entre os dias 15 e 20, e outra em maio; e sem geadas no Paraná.

“O grande risco das plantações no norte e oeste do Paraná nem é a falta de chuva, mas as geadas”, diz Pessôa.

Para Pêssoa, o fator preço foi a grande justificativa para os produtores aceitarem o risco, mesmo em condições de baixa produtividade. “Os preços estão tão atraentes e os produtores já tinham feito a aquisição dos insumos. Plantaram as áreas porque mesmo com a produtividade reduzida há uma chance muito grande de rentabilidade”, diz o diretor da Agroconsult.

Vai faltar milho?

Apesar do prognóstico não tão favorável, o grão não deve faltar, especialmente se for analisado a queda de braço entre o milho que fica no mercado interno e o exportado.

“A gente está falando de uma oferta total de 103 milhões de toneladas, das quais a gente trabalha hoje aí com os 34,3 milhões de toneladas para a exportação”, diz o engenheiro agrônomo André Debastiani, coordenador do Rally da Safra.

O porém é que o grão tende a ficar muito mais valorizado, a partir de agora. Na segunda-feira (5/4) a saca de 60 quilos de milho, em praças paulistas, estava cotada em R$ 94,04, segundo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), de Piracicaba (SP). O valor é 15% maior desde o início do ano, e 62,6%, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Soja recorde

Quanto à soja, a safra esperada é de mais um grande recorde: 137,1 milhões de toneladas, 8,5% a mais que a safra 2019/2020, quando foram colhidas 126,4 milhões de toneladas. O grão – especial para os confinamentos por conta do farelo – teve ganho de produtividade e de área plantada.

A estimativa da Agroconsult é de um rendimento recorde de 59,3 sacas por hectare e o cultivo em 38,6 milhões de hectares, 1,6 milhão de hectares acima da safra anterior. As exportações devem fechar em 85 milhões de toneladas.

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