Parar de vacinar, eis a questão! Parte II

Veja como os blocos intermediários têm se preparado para a retirada da vacinação

Por Marina Salles

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Blocos intermediários

Os integrantes do Bloco 2 (Amapá, Amazonas, Roraima e Pará), últimos a conquistar o status de zonas livres de febre aftosa com vacinação, representam 37,3% do território brasileiro, mas respondem por apenas 10,8% do rebanho nacional. O único com forte efetivo bovino é o Pará, com 21,2 milhões de cabeças (9,8% do total). Conforme explica Luiz Pinto, diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), o Estado se tornou livre de aftosa com vacinação de forma gradual, porque teve de manter duas zonas especiais de saneamento em municípios que fazem fronteira com o Amazonas e o Amapá. Como esses Estados eram de médio risco para a aftosa, o Pará foi dividido em quatro zonas com diferentes status. A Centro-Sul, com 60% do rebanho, se tornou livre com vacinação em 2007, e o restante do território paraense (98%), em 2014. O novo status do bloco será reconhecido pela OIE neste mês de maio. “No Pará, teremos de investir muito em vigilância e controle de trânsito animal, porque o Estado é enorme, maior do que a região Sudeste, e cortado por rios”, diz.

Os integrantes do Bloco 2 (Amapá, Amazonas, Roraima e Pará), últimos a conquistar o status de zonas livres de febre aftosa com vacinação, representam 37,3% do território brasileiro, mas respondem por apenas 10,8% do rebanho nacional. O único com forte efetivo bovino é o Pará, com 21,2 milhões de cabeças (9,8% do total). Conforme explica Luiz Pinto, diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), o Estado se tornou livre de aftosa com vacinação de forma gradual, porque teve de manter duas zonas especiais de saneamento em municípios que fazem fronteira com o Amazonas e o Amapá. Como esses Estados eram de médio risco para a aftosa, o Pará foi dividido em quatro zonas com diferentes status. A Centro-Sul, com 60% do rebanho, se tornou livre com vacinação em 2007, e o restante do território paraense (98%), em 2014. O novo status do bloco será reconhecido pela OIE neste mês de maio. “No Pará, teremos de investir muito em vigilância e controle de trânsito animal, porque o Estado é enorme, maior do que a região Sudeste, e cortado por rios”, diz.

A densa barreira formada pela Floresta Amazônica é a maior proteção contra o perigo de entrada da doença pela Venezuela, cujo status sanitário não é reconhecido pela OIE. Por falta de informação, o Brasil trabalha com o pior cenário possível e reforça o monitoramento na região com postos de fronteira. Além do foco de junho de 2017, o governo colombiano informou, em abril deste ano, ter identificado em seu território animais doentes vindos da Venezuela. A presença do vírus no país vizinho preocupa, mas, segundo Marques, o controle na fronteira está sendo reforçado. De olho no que ocorre no Norte, o Bloco 3, composto por Estados da região Nordeste (Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas) se prepara para suspender a vacinação, mas daqui a dois anos (junho de 2020). Com rebanho de 17,4 milhões de cabeças, o bloco realiza sua primeira reunião com o Ministério neste mês.

Batalhão de peso

Mas o País está realmente preparado para suspender a vacinação? Difícil responder essa pergunta. DBO conversou com representantes dos principais Estados pecuários do País e concluiu que ainda há necessidade de mais pessoal. Participante do Bloco 4 – que também reúne Sergipe, Bahia, Tocantins, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro – São Paulo conta com 716 servidores para defesa sanitária e deverá reforçar sua equipe, em breve, com mais 47 profissionais aprovados em concurso. Segundo Fernando Buchala, coordenador de Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, o Estado será auditado pelo Ministério em junho, mas já está discutindo medidas para fortalecer seu serviço de Defesa. “Os produtores aguardam a evolução das atividades e têm demonstrado interesse em participar do processo”, diz Buchala, que é favorável à retirada da vacinação, mas prefere dar atenção neste momento a à campanha em curso.

A partir deste ano, São Paulo vacinará, primeiro os animais jovens (maio) e depois todo o rebanho (novembro), ao contrário do que vinha fazendo, para reduzir o impacto da reação vacinal na concepção de matrizes submetidas a IATF, diretriz adotada também pelo Mato Grosso. Cercado por Estados com o mesmo status sanitário, São Paulo continuará trabalhando principalmente com equipes volantes, mesma estratégia adotada pela Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), que conta com 1.306 servidores. Comandando um posto fixo de fiscalização em Itumbiara, divisa com Minas Gerais, e 25 patrulhas móveis, Jailson Azevedo Júnior, gerente de fiscalização animal do órgão, acredita que Goiás tem tudo para fazer uma transição segura de status. “Decidimos trocar os postos fixos por equipes volantes para ganhar agilidade. Hoje, até ajudamos Estados que estão na divisa com outros países. Infraestrutura fixa, para nós, não gera eficiência”. O atendimento aos 246 municípios goianos é feito por meio de 148 escritórios regionais.

Maurício Veloso, presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), se arrisca a dizer que o Estado é um dos mais bem estruturados em termos de recursos humanos e financeiros para executar o cronograma do Ministério. “A retirada da vacinação será um prêmio para os produtores goianos. Além de deixar de desembolsar R$ 40 milhões/ano para imunizar cerca de 22 milhões de cab/ano, ainda eliminaremos os problemas de abcessos vacinais”, diz

Já Minas Gerais tem 780 servidores para fazer vigilância sanitária e deve realizar concurso, no ano que vem, para mais 120. Marcílio Magalhães, diretor geral do Instituto Mineiro de Agropecuária (Ima), quer investir na rastreabilidade do rebanho para melhorar a vigilância sanitária do Estado. Minas tem 16 postos de fronteira. Já a Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins, Adapec, possui 127 veterinários dedicados exclusivamente ao controle da aftosa. “Nossa maior preocupação, agora, é evitar que o produtor pare de vacinar antes da hora, criando uma janela imunológica que prejudicaria o plano do País. A segurança do processo, dependerá muito das próximas campanhas de vacinação”, diz Márcio Rezende, responsável técnico pelo programa antiaftosa do Estado.

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