Parceria Brasil-Índia vai importar sêmen de búfalos para a Embrapa

A parceria Brasil-Índia vai viabilizar importação de sêmen do programa de melhoramento genético no Pará

Nós próximos meses o Brasil, mais especificamente o estado do Pará, receberá centenas de doses de sêmen de búfalos das raças Murrah e Niili Ravi para a melhoria da qualidade genética dos rebanhos paraenses. Essa foi uma das vitórias do Programa de Melhoramento Genético de Búfalos com Inovação para o Estado do Pará (Promebull), liderado pela Embrapa Amazônia Oriental, após missão a Índia realizada no mês de janeiro.

O relatório e os resultados da missão para cooperação técnica com a Índia, para o manejo e melhoramento da pecuária bubalina leiteira familiar do estado do Pará, ocorrida no início do mês de janeiro, foi apresentado na manhã dessa sexta-feira, 8, na sede da Federação da Agricultura do Estado do Pará (Faepa), para representantes da cadeia bubalina local.

O Pará concentra o maior rebanho bubalino do Brasil, ultrapassando as 600 mil cabeças, conforme dados da Agencia de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará).

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O pesquisador da Embrapa, Ribamar Marques, líder da missão, explicou que a Índia é berço da bubalinocultura mundial e local de origem da espécie. Ele afirmou que a parceria entre os países vai promover não apenas um salto de qualidade genética aos rebanhos paraenses, mas também o intercâmbio de tecnologias para o benefício de toda a cadeia. “As melhores fêmeas selecionadas entre os criadores parceiros do Promebull no estado serão inseminadas com sêmen de machos superiores vindos da Índia, para gerar filhotes mais produtivos em carne e leite. E os melhores novilhos e novilhas gerados nessa parceria, serão monitorados e também futuros doadores de material genético, garantindo a melhoramento constante dos rebanhos e sustentabilidade do Promebull”, enfatizou o pesquisador.

Um dos destaques do projeto e que garantiu o aceite dos indianos foi o caráter social e de democratização do Promebull no Marajó, uma das mesorregiões que concentram os menores índices de desenvolvimento no país, pois é voltado à pecuária leiteira familiar, chegando desde o pequeno produtor, com poucos animais, até os médios e grandes. “O que determina a parceria é a qualidade da fêmea a ser inseminada e já temos experiências exitosas com produtores em que os rebanhos não chegam a 20 cabeças”, comentou Marques.

Membro da diretoria de uma das parceiras do projeto, a Faepa, o zootecnista Guilherme Minssen, também participou da missão e avaliou a programação como extremamente exitosa. O diretor da Faepa analisa que a parceria Brasil-Índia vai acelerar a expansão da cadeia e que a federação vai atuar juntos aos sindicatos para fortalecer o Promebull em todo o estado.

Projeto responde aos anseios dos pecuaristas

“Essa é uma espera que já dura mais de duas décadas e vai ajudar a mudar a realidade no Marajó”, comemorou o presidente da Associação Paraense de Criadores de Búfalos, Roberto Fonseca. Atualmente, a média de produção de leite no arquipélago gira em torno de 2 litros/dia por vaca e com o melhoramento genético e o manejo correto, poderá chegar até 14 litros, conforme comentou Fonseca. “Vendendo o litro em média a R$ 5, o pequeno pecuarista vai aumentar sua renda, a qualidade de vida de sua família e também injetar dinheiro na região. É uma cadeia de benefícios sociais e econômicos”, prospecta o presidente da associação.

Sobre o Promebull: o Programa de Melhoramento Genético de Búfalos com Inovação para o Estado do Pará (Promebull) é realizado pela Embrapa Amazônia Oriental em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), e Secretaria de Estado do Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) tendo como meta a melhoria de índices econômicos de emprego e a renda para a pecuária bubalina leiteira para a agricultura familiar, por meio do melhoramento genético de boas praticas de manejo, alimentação e sanidade. O projeto foi iniciado pela Embrapa em 2015 e em abril de 2018 passou a ser programa de governo após convenio firmado com a Sedap. Desta forma, as ações que eram exclusivas do Marajó, passarão a abranger também as demais regiões do Pará.

Fonte: Embrapa

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