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Pastagem ecológica: a natureza agradece

Semear capim em meio à vegetação nativa garante biodiversidade, conforto aos animais e boa produção de arrobas/ha

Pasto formado sem supressão de árvores nativas: além de sustentável, ele garante sombra aos animais.

Por Ariosto Mesquita

Em 2009, quando começou a participar da gestão da fazenda de sua família – a Santa Fé do Corixinho, de 11.300 ha, localizada em Corumbá, no Pantanal da Nhecolândia –, Eduardo Cruzeta sentia-se incomodado com o sistema tradicional de abertura de novas áreas, que pressupõe a remoção total da vegetação nativa, classificada por ele de “intervenção forte”. Também não entendia porque todo o material lenhoso proveniente da abertura era eliminado com fogo. Foi, então, que Cruzeta propôs à família a adoção de um modelo inovador e ecologicamente menos impactante: a “pastagem ecológica”, que ele passou a adotar, de forma mais estruturada, a partir de 2014/2015, quando assumiu o comando da propriedade.

Atualmente, a Santa Fé do Corixinho tem 216 ha formados a partir desse conceito, que pressupõe o plantio a lanço de um mix de forrageiras em meio às árvores nativas (elimina-se apenas as plantas de baixo porte) e manejo da pastagem pelo sistema Voisin, sem uso de herbicidas, fogo ou roçagens sistemáticas. O termo “pastagem ecológica” foi criado, em 1987, pelo agrônomo Jurandir Melado, para designar pastagens formadas com interferência ambiental mínima, em sua fazenda Santa Fé do Moquém, no município de Nossa Senhora do Livramento, na Baixada Cuiabana, MT. Em 2000, Jurandir detalhou sua experiência no livro “Manejo de Pastagem Ecológica – Um conceito para o Terceiro Milênio”. Hoje, estima-se que o modelo esteja implantado em 35.000 a 50.000 ha no País, 90% dessa área voltada à pecuária de corte.

Cruzeta entusiasmou-se com a proposta, mas descobrir que mudar velhas práticas não é fácil. “A equipe da fazenda demorou a entender o que fazer e houve muita resistência dentro da família”, lembra o gestor, que é sócio da fazenda, junto com os pais e dois irmãos. A propriedade é proveniente do patrimônio da Família Barros, que legou ao País nomes importantes como o poeta Manoel de Barros e seu irmão, o pecuarista e também escritor, Abílio de Barros.

“Lá pelos anos 60, eram quase 200.000 ha. Com o tempo, as terras foram sendo divididas entre os descendentes. A parte que coube à minha família (11.300 ha) tem o tamanho mínimo para se fazer pecuária rentável na região, já que o decreto estadual 14.273, de 2015, restringiu a formação com gramíneas exóticas no Pantanal a 50%, nas partes altas (“savana arbórea”, onde ficam 40% de nossas terras) e 60% nas partes baixas, geralmente alagáveis (onde ficam os 60% restantes)”, explica o produtor.

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