Pecuaristas americanos festejam novo acordo com a China

Setor prevê abocanhar parte do mercado importador do gigante asiático, que 2019 ultrapassou US$ 14 bilhões

Em acordo assinado nesta quinta-feira, 16 de janeiro, pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e pelo vice-primeiro-ministro chinês Liu He, a China concordou em aumentar em US$ 76,7 bilhões as compras de mercadorias norte-americanas já no primeiro ano da “Fase 1”, segundo informações de agências internacionais. O texto da “Fase 1” ainda prevê elevação de compras chinesas de produtos agropecuários norte-americanos de US$ 12,5 bilhões em 2020 e US$ 19,5 bilhões em 2021, totalizando, em dois anos, US$ 32 bilhões.

O acordo entre as duas maiores potências mundiais promete “reduzir ou remover” tarifas sobre diversos produtos, incluindo carnes e aves.

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No que diz respeito ao setor de carne bovina, a Associação Nacional dos Produtores de Carne Bovina (NCBA, na sigla em inglês) classificou o novo acordo como um “divisor de águas”, acrescentando que a remoção das “enormes barreiras comerciais chinesas” representará maior acesso dos consumidores chineses à carne bovina dos EUA.

Em declaração divulgada pelo site norte-americano GlobalMeatNews, o presidente da Federação de Exportação de Carne dos EUA (USMEF), Dan Halstrom, disse: “Para que as indústrias de carne suína e bovina dos EUA expandam os seus negócios na China, é extremamente importante que Pequim siga padrões internacionais para o comércio desses duas proteínas; o acordo comercial da Fase 1 estabelece importantes bases em direção a esse objetivo”.

Dan Halstrom, presidente da USMEF, os chineses precisam seguir padrões internacionais de comércio. Foto: Divulgação

 

A CEO do Instituto Norte-Americano de Carne (Meat Institute), Julie Anna Potts, também aplaudiu o acordo com a China. “Somos encorajados pelo acordo da Fase 1 com a China, que eliminará barreiras não-tarifárias para os nossos produtos de carnes e aves.

No entanto, o presidente da União Nacional dos Agricultores, Roger Johnson, preferiu transmitir um “otimismo mais cauteloso” sobre a primeira fase do acordo e pressionou por disposições mais fortes e mais executáveis ​​na segunda fase.

“Após tantos meses de incerteza e tensões crescentes, é um bom sinal de que os dois países parecem que encontraram um terreno comum. “Mas, considerando os inúmeros acordos que foram alcançados e violados nos últimos dois anos, também estamos céticos”, afirmou.

RECEITA DE US$ 1 BILHÃO AO ANO

No ano passado, as importações chinesas de carne vermelha ultrapassaram US$ 14 bilhões, um aumento de 65% em relação a 2018. A indústria dos EUA está ansiosa para capturar uma parcela maior desse mercado em rápido crescimento.

Segundo previsão recente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as exportações de carne bovina dos EUA para a China podem chegar a US$ 1 bilhão por ano, de acordo com informações do site norte-americano Feedstuffs.

Passos para o acordo – O novo entendimento pede que a China expanda o escopo de produtos de carne bovina norte-americana que podem ser importados, elimine as restrições de idade para bovinos abatidos para exportação e reconheça o sistema de rastreabilidade dos produtos de carne bovina dos EUA.

Em junho de 2017, os produtores norte-americanos de carne bovina obtiveram uma vitória inicial envolvendo o comércio com Pequim, quando o mercado chinês foi reaberto pela primeira vez desde 2003, relembra texto divulgado nesta quinta, 16 de janeiro, pelo Feedstuffs.

Na época, em Pequim, representantes da NCBA se juntaram ao secretário de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, e ao embaixador dos EUA na China, Terry Branstad, para comemorar e marcar a reabertura oficial desse mercado.

O secretário de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, comemora o acordo. Fonte: Divulgação

 

No entanto, muitas barreiras comerciais não-baseadas em ciência e não-tarifárias permaneceram em vigor desde então, o que limitou a quantidade de carne bovina produzida nos EUA que se qualificava para atender ao mercado chinês. A NCBA disse que este acordo da primeira fase começará a derrubar essas barreiras comerciais e melhorará significativamente o acesso “ao que é potencialmente um importante mercado de exportação para os produtores de carne bovina dos EUA”.

BOVINOS VIVOS

A China proibiu a importação de gado vivo dos EUA após a detecção de encefalopatia espongiforme bovina (BSE), a doença da “vaca louca”, em 2003.

Por meio desse novo acordo, a China se compromete se envolver imediatamente em discussões técnicas com os EUA para levar a um acordo final de acesso ao mercado. Os EUA exportaram US$ 4,5 milhões em gado vivo para a China em 2003.

Com a conclusão de um novo acordo, as exportações dos EUA de gado vivo para a China podem chegar a US$ 25-50 milhões anualmente, informou o portal Feedstuffs.

Carne processada – A China proibiu efetivamente produtos norte-americanos processados ​​de carne e aves em 2012, quando instituiu um processo oneroso de registro para exportar para a China. Por meio desse novo contrato, a China reconhece imediatamente a supervisão das instalações de carnes, aves e carne processada e de aves dos EUA pelo FSIS do USDA, eliminando assim quaisquer requisitos de registro exclusivos.

Estima-se que essas provisões possam resultar em US$ 10 a 25 milhões por ano de exportações de carnes processadas e aves para a China.

A China também concordou em realizar uma avaliação de risco para a ractopamina, que às vezes é usada na produção de carne bovina e suína dos EUA, de maneira consistente com as diretrizes internacionais de avaliação de risco. A avaliação de risco deve ser baseada nas condições aprovadas de uso de ractopamina nos EUA.

 

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