Peso ao nascer do Nelore é alvo de atenção

Em lugar dos 27 a 32 quilos do passado, hoje são comuns os pesos de 40 quilos ou mais e os partos distócicos deixaram de ser raridade na raça.

O conceito de habilidade materna engloba a capacidade de a fêmea parir com facilidade e criar um bezerro por ano. O desejável, portanto, é que o bezerro nasça pequeno, leve, e apresente bom desenvolvimento, de maneira a chegar até a desmama com o máximo de peso possível. Nas palavras do criador José Luiz Niemeyer dos Santos, dono de uma
história de cinco décadas na seleção de Nelore na paulista Guararapes, bezerro bom é o que nasce “guacho” (miúdo) e desmama graúdo. “Mas, melhor ainda, é o bezerro que nasce”, diz.

A declaração de Niemeyer está associada a um dado novo e alarmante na raça: o aumento do peso ao nascimento de bezerros Nelore, problema também associado à distocia (dificuldade de expulsão do feto na hora do parto). No histórico da raça Nelore, bezerros sempre nasceram com peso abaixo de 30 kg, número considerado adequado para que a vaca possa parir o bezerro sem a interferência humana. Nos últimos anos, entretanto, houve uma evolução gradual do peso médio, hoje na faixa de 35 a 40 kg, com casos pontuais batendo na casa dos 60 kg.

Levantamento realizado pela USP de Pirassununga, SP, apontou elevação de 21% no peso ao nascimento em criatórios de Nelore, com a média saindo de 28 kg para 35 kg, num universo de 770.000 animais avaliados em seis plantéis no período de 15 anos (2000 a 2015), portanto em apenas três gerações. Segundo o professor José Bento Sterman Ferraz, que acompanhou o levantamento, uma das fazendas perdeu 25 bezerros na estação de nascimentos do ano passado. Evolução similar foi observada entre os plantéis dos associados do Programa Nelore Brasil, coordenado pela Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP), com sede em Ribeirão Preto, SP. Dados da entidade apontam que em 1998 o peso médio ao nascer era de 30 kg; passou para 33 kg na década seguinte, chegando aos 35 kg atuais. Para Raysildo
Lôbo, presidente da ANCP, as estatísticas sugerem cuidado. “Se seguirmos essa tendência, teremos média superior a 40 kg de peso ao nascimento na próxima década”, adverte.

O sinal amarelo já foi acionado na Fazenda Terra Boa, que, nos últimos anos, viu o peso dos bezerros aumentar quase 10 kg, obrigando José Luiz Niemeyer a retomar as pesagens de nascimento, deixadas de lado em 1995. “Fizemos isso porque peso ao nascer nunca havia sido um problema para o Nelore. Agora, precisamos retomar essa mensuração, para que a raça não perca uma das grandes vantagens que a fez despontar frente a outras no passado”, diz ele, lembrando que os criadores não podem abandonar características primárias e importantes em favor de outras.
 

A matéria completa está disponível na edição de maio da revista DBO. Assinantes também podem lê-la na versão digital. 

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