Por que os chineses querem mexer na nossa carne

A analista da Agrifatto, Lygia Pimentel, diz que a investida asiática tem a ver com especulação interna naquele país
Lygia Pimentel, analista de mercado da Agrifatto. Foto: DBO.

A China está renegociando os preços da carne bovina brasileira. É a principal notícia desta quarta 22, depois que o jornal Valor levantou o assunto em reportagem na qual as fontes pediram sigilo.

A ação do gigante asiático, maior comprador do Brasil em 2019, pode afetar o mercado pecuário nacional neste primeiro semestre do ano. “A gente tem relatos de que na Austrália, por exemplo, houve renegociação também”, afirma Lygia Pimentel, analista da Agrifatto. “Isso significa que é uma tentativa do governo chinês de segurar as cotações.”

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Lygia aponta que já existia especulação interna no mercado chinês, o que ajudou a impulsionar a intervenção do governo para renegociar os valores contratados. “Os distribuidores chineses de carne já estavam ‘segurando’ o produto para vender mais caro depois”, diz ela.

Vale lembrar que a China sofre uma crise inflacionária devido ao baixíssimo estoque de proteínas animais para a comercialização à sua imensa população por causa da Peste Suína Africana.

“Na contrapartida, olhando o nosso mercado, o País habilitou um monte de plantas na correria para atender o mercado asiático. Os frigoríficos menores acabaram jogando o preço lá em cima nas negociações, para tentar aproveitar este mercado promissor.” De acordo com Lygia, a consequência disso foi um mercado que chegou a R$ 230 a arroba, quando ninguém queria pagar esse valor. “Foi então que houve essa renegociação, quando muitos contêineres já estavam no porto ou em alto mar.”

A medida chinesa está afetando as ações dos frigoríficos nesta quarta-feira, 22. As ações da Marfrig e JBS tiveram uma desvalorização de 2,02% e de 0,13% respectivamente.

Conforme a analista, a esperança é que após as festividades do ano novo chinês, o mercado asiático comece a se normalizar, por necessidade de reabastecimento dos estoques com fornecedores externos. “Acredito que ao longo do primeiro semestre essa volatilidade grande deve se normalizar, uma vez que o mercado irá encontrar seu equilíbrio no âmbito interno”, afirma.

MERCADO INTERNO

Devido a antecipação de oferta, com abate dos animais mais leves, as cotações bovinas devem se manter ainda firme nos próximos meses. “A gente já entendeu que o boi de R$ 230 não consegue ser repassado para o consumidor. A cotação voltou e se ajustou.”, diz. “No entanto, não temos ainda muita oferta de boi aqui dentro.”

A Agrifatto projeta uma arroba na média de R$ 175 a R$ 195 para esta safra. Sob pressão, nos últimos dias a arroba negociada em praças paulistas vem se segurando nos R$ 190.

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Conteúdo original Revista DBO