Preço baixo do milho pode estar com dias contados

Analistas ressaltam importância do produtor fixar preços para garantir boas margens em 2019

As más condições climáticas nos EUA, onde o plantio da safra 2019/20 de milho tem registrado atraso, já impacta as cotações do grão no mercado interno brasileiro. Diante da incerteza em relação A à safra americana e uma previsão de consumo recorde no Brasil nesta temporada,  a boa relação de troca da commodity com o boi gordo pode estar com os dias contados – o que reforça a necessidade do uso de mecanismo de hedge pelo pecuarista.

“Se o milho ficar na projeção desse momento, é uma relação de troca muito favorável ainda. Mas já foi melhor e a cada notícia que sai da safra americana a projeção de preço aumenta”, ressalta Maurício Palma Nogueira, diretor da Athenagro. Segundo ele, caso o grão se valorize de forma mais expressiva, pode limitar o confinamento brasileiro este ano, estimado pela consultoria em 5,97 milhões de cabeças – avanço de 390 mil cabeças ante 2018.

Em seu último relatório de acompanhamento de safra, divulgado segunda-feira, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) apontou que 56% da área plantada com milho no país estava em boas ou excelentes condições, percentual bem inferior aos 77% registrados em igual momento do ano passado. “O quadro de produção de grãos no mercado internacional está realmente pautado pelo atraso do plantio americano”, explica André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult.

A avaliação da consultoria é de que a produção de milho dos EUA alcance 328 milhões de toneladas, previsão mais conservadora que a do próprio USDA: 347,5 milhões de toneladas apontadas em 11 de junho, corte de 8,98% ante o apontado em maio. “Isso vai configurando um quadro de subida de preços no mercado internacional. Já subiu bastante a cotação do milho, a da soja deu uma subida e isso pode pressionar os custos aqui na pecuária”, explica o analista.

Ainda de acordo com Pessôa, a relação de troca há 20 dias era considerada “excelente” para a pecuária de corte, mas a alta dos grãos nos últimos dias ainda não comprometeu o potencial de rentabilidade do setor. “Quem se antecipar vai ter ganhos melhores”, alerta o analista, que não descarta que as cotações atinjam patamares próximos dos US$ 5 o bushel. Ontem, a commodity ficou cotada em US$ 4,495 na bolsa de Chicago na última quarta-feira, 26 de junho.

Freio para o confinamento

Na opinião do diretor da Athenagro, Maurício Palma Nogueira, a alta dos grãos pode ser uma má notícia para o pecuarista no curto prazo, mas reduz bastante o risco de aumento descontrolado da oferta de proteína animal no futuro. “O cenário que estava se desenhando, principalmente para a proteína no Brasil, era muito preocupante em termos de crise para o produtor. Do jeito que estava o preço do boi e do milho, o povo ia querer acelerar demais o abate”, comenta o analista.

Nogueira lembra de 2016, quando a queda nos custos de produção levou a uma menor produtividade no ano seguinte. “Se caísse muito o preço do milho, teríamos um estimulo muito grande para a produção desenfreada. Veríamos isso principalmente nas aves, e na suinocultura, extremamente estimulados pela China, e poderia ser que entrássemos em uma crise la na frente. Essa crise seria muito ruim para o suinocultor e poderia afetar outras carnes”, explica.

Diante desse cenário, Pessôa, afirma que há produtores fixando preços para a safrinha do ano que vem, atentos não só a uma produção recorde no Brasil, mas também um consumo recorde. “O estoque de milho não vai subir no final do ano, que era o que se esperava. Se olharmos a curva da B3, a mudança dos últimos dias foi muito significativa. Vamos terminar o ano com preços muito parecidos com o final do ano passado”, avalia diretor da Agroconsult, que alerta: “Ainda tem possibilidade de fazer um posicionamento com uma rentabilidade muito boa”.

 

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