Preço do boi gordo ainda tem espaço para alta, mas está bem próximo do teto, diz analista do Rabobank

Confira os destaques do DBO Entrevista, com o agrônomo Wagner Yanaguizawa, analista de proteína animal, que foi ao ar no fim do dia dessa quinta-feira (17/9)

A arroba do boi gordo está mais valorizada no Estado de São Paulo, em cerca de R$ 250. Em Mato Grosso, está em cerca de R$ 230 e em Mato Grosso do Sul, R$ 240.

“Tem espaço ainda para subir? Sim, tem espaço para subir, mas, atenção produtor, pois devemos estar chegando próximo do pico de preços para este ano”, afirma o engenheiro agrônomo Wagner Yanaguizawa, analista de proteína animal do Rabobank, uma cooperativa de crédito holandesa e que há 31 anos atua no segmento de crédito no Brasil, especialmente para o setor da agropecuária.

Yanaguizawa foi o convidado do DBO Entrevista que foi ao ar no fim da tarde dessa quinta-feira (17/9). A conversa girou em torno justamente das expectativas e tendências de mercado realizadas pelo Rabobank sobre cenários para a carne bovina no País.

Preços quase no teto e a China

Para o analista, quem apostou este ano na oferta de gado, especialmente para a exportação, se deu bem por conta da desvalorização do real perante o dólar e por conta da forte demanda chinesa.

“Quando olhamos para as exportações de carne bovina, hoje, no acumulado até o mês de agosto, cerca de 41% de tudo que foi exportado foi para o mercado chinês”, diz Yanaguizawa.

E foi isso, de fato. De janeiro a agosto os chineses compraram 530 mil toneladas de carne bovina, de um total de vendas brasileiras de 1,29 milhão de toneladas, segundo a plataforma AgroStat, do Ministério da Agricultura, com base nos dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia.

Consumidor chinês foi o grande destinatário da carne brasileira. Foto: divulgação

As compras chinesas significaram US$ 2,53 bilhões e um total de US$ 5,45 bilhões. É o maior valor já gasto pela China no comércio de carne bovina com o Brasil (analisando os oito meses). O ano passado inteiro, o comércio com o maior país da Ásia foi de US$ 2,69 bilhões, por 497,83 mil toneladas.

No entanto, a tendência para os próximos anos não deve ter a mesma pressão de compra por parte da China. Segundo o analista do Rabobank, a partir do ano que vem, os rebanhos de suínos entram em fase de recomposição no país asiático e a estimativa é que até 2025 o apetite chinês pela carne bovina seja mais ameno.

Mercados para ficar de olho

De acordo com Yanaguizawa, além da China há mercados bem interessantes para o pecuarista brasileiro, entre eles a Indonésia, o Egito e os Estados Unidos. Para ele, há muitas oportunidades de mercado a explorar.

“Indonésia é o quarto país mais populoso do mundo e apesar de uma cota inicial pequena, de cerca de 20 mil toneladas, é um mercado que tem um potencial muito grande”, diz o analista do Rabobank.

No caso do Egito, o país já era um grande comprador internacional que ganhou mais poder de compra este ano. “O país habilitou mais 15 frigoríficos no início deste ano”, conta Yanaguizawa.

Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP). Foto: Reprodução/Internet

Já os Estados Unidos se viram enfraquecidos pela Covid-19 e a falta do boi australiano levou o país a ir às compras. O Brasil era a única saída. As vendas aumentaram nos últimos dois meses.

A tamanha procura pela carne brasileira renderá um crescimento de 9% no volume de exportação em 2020 frente ao resultado de 2019, segundo o Rabobank. Isso pode significar 2 milhões de toneladas de carne bovina embarcadas.

De olho nos custos

Outro ponto que o produtor precisa também estar atento será na composição dos custos para o próximo ano. Soja, milho e boi magro estão nos itens que podem pesar nas contas do pecuarista para 2021.

“O ponto positivo é com relação à atratividade quando a gente fala de sistemas mais intensivos, no caso de confinamento. O que temos visto é uma maior intenção de confinamento, mesmo com um cenário de alto do custo de produção”, avalia Yanaguizawa.

Confira aqui na íntegra o DBO Entrevista:

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