Preço do leite ao produtor volta a subir em dezembro, afirma Cepea

Para 2021, o cenário ainda é incerto e depende muito de como se comportará o poder de compra da população

Depois de cair em novembro, o preço do leite no campo voltou a subir em dezembro. Pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, apontam que a “Média Brasil” líquida do leite captado em novembro e pago em dezembro se elevou 4,05% (ou 8 centavos/litro) frente ao mês anterior, chegando a R$ 2,1262/litro.

Com isso, o preço ao produtor acumulou alta de 52,3% de janeiro a dezembro de 2020, ainda tendo-se como base a “Média Brasil” líquida calculada pelo Cepea. Em 2020, o valor médio foi de R$ 1,7604/litro, 19,2% acima do registrado em 2019, em termos reais (os valores mensais foram deflacionados pelo IPCA de novembro/20).

Considerando-se o movimento sazonal de produção e das cotações no campo, a alta de preços do leite captado em novembro é atípica, mas, naquele mês, a oferta não se elevou de forma substancial, e a competição entre indústrias seguiu acirrada para a compra de matéria-prima.

Em novembro, o Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea avançou 1,54% em relação ao mês anterior, puxado pelos respectivos aumentos de 7,5% e 4,3% em SP e em MG. Ainda que a produção demonstre estar se recuperando, esse incremento não tem ocorrido na mesma intensidade da procura dos laticínios. A irregularidade das chuvas e o aumento considerável dos custos de produção têm prejudicado a oferta de leite. Outro agravante para a situação é a valorização da arroba ao longo deste ano, que acaba estimulando o abate de fêmeas.

A grande dificuldade para o setor neste final de ano está em equalizar a elevação da matéria-prima com a demanda enfraquecida, sensível aos elevados patamares de preços dos lácteos, e a maior pressão dos canais de distribuição.

Pesquisas realizadas pelo Cepea, com o apoio financeiro da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), mostram que as médias de preços do leite longa vida (UHT), do leite em pó (400g) e do queijo muçarela caíram 2,82%, 4,16% e 6,3%, respectivamente, de outubro para novembro.

O ANO DE 2020

O ano de 2020 foi marcado por adversidades. Segundo pesquisadores do Cepea, do lado da demanda, a pandemia de coronavírus resultou em mudanças bruscas no comportamento do consumidor.

Do lado da oferta, o clima prejudicou a atividade, devido às irregularidades das chuvas e às secas extremas, especialmente no Sul do País. Esses dois fatores, combinados, proporcionaram um ano de desequilíbrios entre a oferta e a demanda e de elevação substancial dos preços no campo

PERSPECTIVA PARA 2021

 A redução da demanda agregada e a diminuição no poder de compra de muitos brasileiros devem continuar impactando negativamente sobre o consumo de lácteos. Isso deve diminuir o patamar médio anual de preços do leite no campo em 2021 em relação a 2020.

Porém, a depender do mercado de grãos e das condições climáticas, é possível que a competição entre os laticínios se mantenha elevada diante de uma possível limitação de oferta ainda no primeiro trimestre de 2021. Nesse cenário, o patamar de preços nos três primeiros meses do novo ano pode operar acima do observado no mesmo período de 2020 (que foi de R$ 1,4460/litro, em termos reais).

Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de novembro/2020)

Fonte: Cepea-Esalq/USP

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