Preços do boi gordo e da vaca terminada registram novas quedas nas praças pecuárias brasileiras

Recuo das cotações ao longo desta sexta-feira, 17, refletiu a saída dos frigoríficos das compras de boiadas, motivada pelas indefinições em relação ao comércio de carne bovina com o mercado chinês

Frustrando as expectativas de muitos analistas do setor pecuário, a China não reabriu o seu mercado para a carne bovina brasileira ao longo do período comercial (brasileiro) desta sexta-feira, 17 de setembro – até o fechamento desta reportagem, no início desta noite, não havia nenhum sinal de que o governo chinês iria suspender o embargo temporário iniciado em 4 de setembro, seguindo um acordo bilateral entre os dois países.

Com isso, o mercado brasileiro do boi gordo encerrou a semana mantendo a mesma tônica verificada desde a confirmação da existência de dois casos atípicos de vaca louca no Brasil (no MT e em MG) – ou seja, os preços da arroba continuaram bastante fragilizados, com registro de fortes quedas nesta sexta-feira em algumas das mais importantes praças pecuárias do Brasil.

“O setor ainda tenta se adequar aos impactos negativos ocasionados pela suspensão temporária das exportações brasileiras”, relata a IHS Markit, acrescentando que a maioria das indústrias frigoríficas continua fora das compras da matéria-prima (boiadas).

Pelos dados da Scot Consultoria, só no acumulado desta semana, a cotação do boi gordo recuou R$ 6/@ nas praças paulistas, para R$ 302/@ (preço bruto e a prazo).

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No mesmo intervalo de tempo, a vaca gorda teve baixa de R$ 7/@ em São Paulo, chegando a R$ 285/@, enquanto a novilha pronta para abater apresentou desvalorização de R$ 8/@ em igual período, atingindo R$ 299/@.

“Os compradores iniciaram o dia com a expectativa de término da suspensão dos embarques ao mercado chinês, mas ainda não foi divulgado nenhum comunicado oficial até o fechamento desta análise”, diz a Scot, em boletim pecuário divulgado no fim da tarde desta sexta-feira.

Ao longo desta semana, cresceram as apostas de que haveria, nesta sexta-feira, uma posição oficial do governo da China, confirmando a retomada dos embarques de carne bovina ao país asiático, disparado o maior cliente mundial da commodity brasileira.

Tal aposta levava em consideração o histórico recente envolvendo o registro de um caso atípico de vaca louca no Mato Grosso, em 2019.

Na ocasião, o Brasil também suspendeu voluntariamente os embarques à China (como medida preventiva), retomando as compras de carne bovina brasileira 13 dias depois  – exatamente o mesmo intervalo de tempo de embargo completado neste 17 de setembro.

Segundo a IHS, de maneira geral, as unidades frigoríficas brasileiras, sobretudo as exportadoras, seguem em compasso de espera, aguardando a retomada dos negócios com a China e para alguns outros países cujos embarques também foram suspensos.

Apuração realizada pela IHS Markit indica que muitas unidades frigoríficas estão optando por dar férias coletivas, já que também dispõem de ofertas de animais confinados a termo para receber nos próximos dias.

“Com a ausência da necessidade de novas compras de gado, cresce a especulação em torno de preços mais baixos”, ressalta a consultoria.

Na região Centro-Oeste, o mercado perdeu o referencial de preços da arroba em função do elevado número de plantas frigoríficas que decidiram pelas férias coletivas, informa a IHS.

No Estado de Tocantins, no Norte do País, alguns unidades  relataram já ter uma cobertura de animais para abate até o começo de outubro, acrescenta a IHS.

“Nas regiões Sul e Sudeste, o ambiente também é de forte especulação baixista, embora os reportes de negócios envolva lotes pequenos”, relata a consultoria.

No mercado futuro da B3, os contratos do boi gordo registraram quedas no fechamento da última quinta-feira, 16 de setembro.

“Embora há boatos da suspensão do embargo chinês, autoridades do governo ainda não trouxeram novidades mais sólidas, o que traz ainda um ambiente de preços mais frágeis na bolsa brasileira em função das incertezas”, justifica a IHS.

No atacado, os preços dos principais cortes bovinos, bem como o couro e sebo industrial, permaneceram estáveis nesta sexta-feira.

“A paralisação dos abates diários por parte de algumas indústrias que optaram por férias coletivas sugere que não há a possibilidade de expansão maiores da oferta da proteína”, afirma a IHS.

Cotações máximas desta sexta-feira, 17 de setembro, segundo dados da IHS Markit:

SP-Noroeste:
boi a R$ 306/@ (prazo)
vaca a R$ 293/@ (prazo)
MS-Dourados:
boi a R$ 302/@ (à vista)
vaca a R$ 286/@ (à vista)
MS-C.Grande:
boi a R$ 300/@ (prazo)
vaca a R$ 288/@ (prazo)
MS-Três Lagoas:
boi a R$ 298/@ (prazo)
vaca a R$ 285/@ (prazo)
MT-Cáceres:
boi a R$ 284/@ (prazo)
vaca a R$ 277/@ (prazo)
MT-Tangará:
boi a R$ 285/@ (prazo)
vaca a R$ 277/@ (prazo)
MT-B. Garças:
boi a R$ 288/@ (prazo)
vaca a R$ 278/@ (prazo)
MT-Cuiabá:
boi a R$ 290/@ (à vista)
vaca a R$ 276/@ (à vista)
MT-Colíder:
boi a R$ 285/@ (à vista)
vaca a R$ 273/@ (à vista)
GO-Goiânia:
boi a R$ 286/@ (prazo)
vaca R$ 280/@ (prazo)
GO-Sul:
boi a R$ 290/@ (prazo)
vaca a R$ 281/@ (prazo)
PR-Maringá:
boi a R$ 300/@ (à vista)
vaca a R$ 286/@ (à vista)
MG-Triângulo:
boi a R$ 304/@ (prazo)
vaca a R$ 291/@ (prazo)
MG-B.H.:
boi a R$ 293/@ (prazo)
vaca a R$ 283/@ (prazo)
BA-F. Santana:
boi a R$ 291/@ (à vista)
vaca a R$ 281/@ (à vista)
RS-Porto Alegre:
boi a R$ 303/@ (à vista)
vaca a R$ 288/@ (à vista)
RS-Fronteira:
boi a R$ 303/@ (à vista)
vaca a R$ 288/@ (à vista)
PA-Marabá:
boi a R$ 286/@ (prazo)
vaca a R$ 283/@ (prazo)
PA-Redenção:
boi a R$ 284/@ (prazo)
vaca a R$ 283/@ (prazo)
PA-Paragominas:
boi a R$ 287/@ (prazo)
vaca a R$ 285/@ (prazo)
TO-Araguaína:
boi a R$ 283/@ (prazo)
vaca a R$ 275/@ (prazo)
TO-Gurupi:
boi a R$ 286/@ (à vista)
vaca a R$ 276/@ (à vista)
RO-Cacoal:
boi a R$ 276/@ (à vista)
vaca a R$ 271/@ (à vista)
RJ-Campos:
boi a R$ 295/@ (prazo)
vaca a R$ 281/@ (prazo)
MA-Açailândia:
boi a R$ 288/@ (à vista)
vaca a R$ 265/@ (à vista)
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