Preços do tomate só devem voltar ao normal no próximo semestre

Aumento da oferta dependerá de melhora do faturamento e da produtividade em maio, avaliam produtores e analistas
Foto: Pexels.

 

Gôndolas de supermercados com baixa oferta, donas de casa assustadas com preços, e produtores sentindo no bolso o recuo do consumidor. Esse retrato está claramente refletido nos dados do Cepea que revelam: os preços do tomate tipo ‘salada longa vida 3A’ continuam subindo nas principais centrais de abastecimento do país. Subiram tanto que ultrapassaram os R$ 100/caixa na semana entre 1º e 5 de abril. Informações do IPC da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) revelam que em março a variação do fruto foi de 40,74%. Para efeito de comparação, no mês de fevereiro essa variação era de -5,76%.

A valorização do produto nos supermercados, contudo, não se converteu em lucro para o agricultor, uma vez que os frutos colhidos antes dos danos climáticos foram vendidos a preços mais baixos. João Paulo Deleo, pesquisador da cultura de tomates do Cepea, conta que os produtores da região sul do país foram os mais afetados nesta safra. “Os produtores que tiveram uma colheita mais concentrada no período de preços baixos foram o da região de Caçador, Santa Catarina”, observa.

Em relação aos preços para o consumidor, segundo o Cepea, no mercado do Rio de Janeiro o produto foi comercializado a R$ 114,76 a caixa de 20 kg, alta de 33,15% frente à semana anterior; seguido pelo atacado de Campinas, SP, a R$ 106,67, aumento de 27,22%; Belo Horizonte, MG, a R$ 101,76, alta de 23,82%, e São Paulo, SP, com o produto vendido a R$ 108,54, elevação de 17,75% na mesma comparação.

“No ano de 2018, o preço médio anual do tomate ficou muito barato. Isso levou muitos produtores a deixarem de plantar, havendo uma redução da área plantada visto que os prejuízos foram muito grandes”, aponta Edson Antonio Trebeschi, diretor da produtora e distribuidora Trebeschi Tomates. Outro fator para as altas nos preços foram as condições climáticas que provocaram má distribuição da safra. “Começou o ano com a temperatura muito alta. Um dos janeiros mais quentes da história. Essa condição climática fez com que o tomate ficasse barato em janeiro, porque mesmo se plantando menos ele se madurou muito, já que não aguenta temperatura alta”, completa.

Trebeschi diz que a passagem de março para abril apresentou muito pouco fruto devido a colheita antecipada do período em janeiro e a menor área plantada. “No mês de março também choveu muito em muitas regiões, afetando a oferta e condições do tomate”. Dados divulgados na última quinta-feira pelo IBGE mostram que a produção para a safra 2019 está em 4,12 milhões de toneladas – alta de 0,8% na comparação com a safra anterior. O levantamento sistemático da produção agrícola do instituto indica que a área plantada do fruto na safra 2019 está 0,1% menor, com 59,69 mil hectares ante 59,74 mil da safra 2018.

Segundo Trebeschi, o custo de produção muito alto e a indefinição política do governo são fatores que interferiram para a menor área de plantio. “Não sabemos o que irá acontecer em termos de financiamento. É uma incógnita o que irá acontecer daqui para frente. Tem muito produtor endividado e ainda não se sabe o que  vem do Plano Safra”, relata.

De acordo com ele, a tendência é que a partir de maio os preços recuem um pouco para o consumidor devido a melhora do clima para a produção da atual safra (verão). Contudo, a baixa produtividade observada este ano deve manter o valor do fruto em patamares acima do observado no ano passado. “A produtividade está muito baixa. Nesse mesmo período do ano no ano passado estávamos com uma produtividade em torno de 5 mil caixas por hectare. Hoje, essa produtividade não chega a mil. Por mais que o preço unitário esteja alto, não irá compensar no faturamento”, observa Trebeschi.

Para a safra de inverno, que se inicia em julho e agosto, Trebeschi destaca que o aumento da oferta  vai depender do comportamento dos preços no final da atual temporada. “Se no mês de maio o preço ficar relativamente bom para o produtor, pode ser que entre julho e agosto a oferta da produção aumente”, afirma o produtor.

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