Produção de carne sem aditivos sintéticos é possível?

Estudos buscam alternativas para o uso de antibióticos na pecuária

A produção na bovinocultura de corte brasileira vem aumentando consideravelmente ano após ano. Segundo o Anuário da Pecuária Brasileira de 2019 (Anualpec), a produção de carne bovina em 2018 foi de 10,96 milhões de toneladas equivalente carcaça, 12,8% maior do que o ano anterior. Sendo, 20,1% destinado à exportação e 79,6% ao mercado interno. Esse aumento de produção pode estar interligado com a intensificação da produção, sendo que o número de cabeças confinadas refere-se a 12,6% do número de cabeças abatidas (44,23 milhões).

Quando se trata de intensificação de produção, algumas medidas devem ser tomadas. A utilização de dietas com alta densidade energéticas (dieta alto-grão) induz os animais a um desafio que pode ocasionar distúrbios metabólicos como, por exemplo, acidose, timpanismo, laminite, diarreia, perca de peso, lesões no fígado e até a morte. Uma saída para contornar esses problemas e que controlem eficientemente a fermentação ruminal é a utilização de aditivos sintéticos, sendo que as moléculas sintéticas mais utilizados na pecuária brasileira são os ionóforos com destaque para a lasolacida e a monensina.

A utilização destes compostos sintéticos, contudo, tem preocupado órgãos relacionados a saúde pública. Estes órgãos impõem restrições à utilização de antibióticos na alimentação, tendo como base preocupações ao desenvolvimento de cepas de microrganismos resistentes pelo uso inadequado de ionóforos, podendo comprometer a ação terapêutica dos antibióticos em humanos. Ainda, a União Europeia desde 2006 pela EFSA (Autoridade Europeia da Segurança do Alimento), por meio do regulamento 1831/2003/EC, baniu a utilização destes aditivos. Sendo assim, para concretização da exportação de carne.

Desta forma, estudos estão sendo realizados na busca de alternativas para a substituição dos antibióticos. Os resultados obtidos até o momento apontam para extratos de plantas, óleos vegetais e óleos essenciais como uma possível alternativa. Esses compostos naturais podem ser extraídos de várias partes das plantas incluindo folhas, flores, sementes, raízes e cascas, sendo que a sua composição pode variar em cada parte da mesma planta. Seu mecanismos de ação depende do composto predominante e sua concentração em cada extrato, podendo ser adicionado nas dietas em forma líquido, pó ou encapsulado.

Estudo realizado na Universidade Estadual de Maringá, utilizando 40 bovinos mestiços (½ Pardo Suíço vs. ½ Nelore) aos 10 ± 2,2 meses de idade, com peso corporal médio de 219 ± 11,7 kg, recebendo uma dieta de alto concentrada (90% de concentradoe 10% de volumoso) adicionado em diferentes níveis (3,5 e 7,0 g/ animal/ dia) de óleos essenciais de cravo e canela foram avaliados. O desempenho animal e a ingestão de matéria seca foi maior para os animais que receberam aditivos naturais. Além disso, os animais apresentaram maior rendimento da carcaça. Resultados como esses indicam a melhora no desempenho animal, sem alterar as características de carcaça de novilhos terminados em confinamento, alimentados com óleos essenciais em dieta alto grão.

Figura 1. Bovinos ½ Pardo Suíço vs. ½ Nelore terminados em confinamento recebendo óleos essenciais na dieta

Outro estudo com 40 novilhas da raça Nelore terminadas em confinamento, recebendo uma dieta (75% de concentrado e 25% de volumoso) contendo diferentes fontes de óleos essenciais, sendo: adição de 4g/animal/dia de óleo essencial de alecrim; adição de 4g/animal/dia de um encapsulado de eugenol, timol e baunilha; adição de 2 g/animal/dia do encapsulado de eugenol, timol e baunilha + 2 g/animal/dia óleo essencial de cravo; e adição de 1,33 g/animal/dia do encapsulado (eugenol, timol e baunilha) + 1,33 g/animal/dia de óleo essencial de alecrim + 1,33 g/animal/dia de óleo essencial de cravo-da-índia, demonstrou maior ganho de peso, ingestão de matéria seca e melhor eficiência alimentar para os animais suplementados com compostos naturais. Além disso, ao analisar os parâmetros de qualidade da carne e ação antioxidante, resultados positivos foram observados quanto ao efeito antioxidante para amostras de carne dos animais que receberam os compostos naturais em sua dieta, o que está diretamente ligado com a capacidade da carne de manter suas propriedades sensoriais (aroma, odor e sabor) por mais tempo, possibilitando fornecer ao mercado consumidor um produto com maior vida de prateleira e segurança alimentar para os consumidores.

Em conclusão, a utilização de compostos naturais na alimentação de bovinos de corte está sendo consolidada como uma alternativa às restrições impostas aos aditivos sintéticos, como antibióticos e ionóforos. Sendo uma alternativa natural para melhorar o desempenho animal e a vida de prateleira do produto final, esses compostos atendem às exigências do mercado de exportação e também a nichos de mercados como, por exemplo, alimentos produzidos em sistemas sustentáveis ou orgânicos.

*As opiniões expressas nos artigos não necessariamente refletem a posição do Portal DBO

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