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Produção mundial de carne deve crescer 13% até 2028

Relatório da OCDE/ONU diz que oferta de proteínas será puxada sobretudo pelo Brasil, Argentina e EUA

A produção mundial de carne deve crescer mais de 40 milhões de toneladas até 2028 (ou 13%), para um total de quase 364 milhões de toneladas, na comparação com a média registrada de 2016 a 2018. A projeção consta no novo relatório anual divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (ONU).

No geral, a maior parte do crescimento esperado na produção de carnes ocorrerá nos países em desenvolvimento, que representarão 74% da produção adicional. Em alguns, o crescimento da produção de carnes será apoiado pelo aumento da produtividade (maior peso na carcaça) e melhoria da eficiência no uso de alimentos. “O maior uso de sistemas intensivos de alimentação (dietas baseadas em grãos) no processo de produção resultará em menor tempo necessário para atingir pesos de carcaça mais pesados”, prevê o relatório.

O rebanho global de bovinos aumentou nos últimos anos, puxado pelos principais países exportadores das Américas, como Argentina, Brasil e Estados Unidos – o relatório também destaca a elevação do plantel da Índia, apesar das incertezas quanto às políticas de abate de gado. Tais aumentos de rebanho, diz o estudo estimativo, contribuirá para o fornecimento da produção nos primeiros anos do período de projeção.

No geral, a produção de carne continuará sendo dominada pelo Brasil, China, União Europeia e Estados Unidos. O crescimento da produção no Brasil continuará a se beneficiar de uma oferta abundante de recursos naturais, ração (grãos), disponibilidade de pastagem, ganhos de produtividade e, até certo ponto, da desvalorização do real frente o dólar.

Segundo o relatório, outros países com contribuições potenciais notáveis para a produção adicional de carnes são: Argentina, Austrália, Índia, México, Paquistão, Filipinas e Vietnã.

Carne bovina

A produção de carne bovina continuará a crescer nos principais países produtores ao longo do período projetado (até 2028). Nos países em desenvolvimento, estima-se um aumento de 17% até 2028. A previsão é de que os países em desenvolvimento respondam por 72% da carne bovina adicional produzida. A maior parte dessa expansão deve ocorrer na Argentina, Brasil, China, México, Paquistão e África do Sul.

Nos países desenvolvidos, a produção é projetada para ser 8% maior em 2028 em comparação com o período de base – praticamente, todo esse aumento será puxado pelo crescimento da produção nos Estados Unidos.

No curto prazo, a produção de carne bovina será apoiada pelo aumento de pesos na carcaça, resultantes de baixos custos de alimentação e melhor genética. Além disso, espera-se aumento nos abates, já que vários anos de reconstrução de rebanhos em diversas regiões produtoras resultaram em maior número de animais.

Dados de 2018

A produção mundial de carnes cresceu em 1%, para 327 milhões de tonelada em 2018, com destaque para Austrália, União Europeia, Rússia e Estados Unidos, de acordo com relatório da OCDE/ONU.

O relatório também aponta crescimento da oferta de carnes na Argentina, Índia e México.

Em contrapartida, a produção de carnes diminuiu marginalmente na China e no Brasil — dois dos maiores produtores de mundiais de proteínas de origem animal —, desacelerando o ritmo de crescimento global.

O avanço anual na produção mundial de carnes é atribuído ao aumento de produtividade e, no caso da Austrália e da União Europeia, também à taxa mais alta de abates por causa de registros de estiagens.

No caso da China, diz o relatório da OCDE/ONU, a produção de carnes recebeu o impacto do declínio na oferta de carne suína, devido ao surto da Febre Suína Africana.

Por sua vez, a redução da produção no Brasil foi ocasionada principalmente pela perda de importantes mercados de exportação, especialmente a Rússia, devido a um embargo imposto no fim de 2017, alegando a presença do aditivo ractopamina. As restrições russas começaram a ser retiradas somente em novembro de 2018.

Preços

O preço médio da carne em 2018 ficou 2,2% menor na comparação com 2017, refletindo a queda nas cotações anuais da carne suína e de frango, enquanto os valores da carne bovina permaneceram estáveis.

O mercado internacional de carne bovina foi caracterizado pela disponibilidade de exportação abundante e demanda robusta, fatores que contribuíram para a estabilidade de preços.

Comércio exterior

As exportações mundiais de carne atingiram 34 milhões de toneladas em 2018, com crescimento de 1,5% sobre 2017.

Em 2018, a expansão das exportações foi impulsionada principalmente pelo aumento dos embarques da Austrália, Argentina, Tailândia e Estados Unidos. No entanto, Brasil e Índia reduziram as vendas de carne ao exterior no ano passado, segundo o relatório da OCDE/ONU.

Importações

A China, maior importador de carne do mundo, aumentou significativamente as suas compras, uma vez que a demanda dos consumidores continuou a crescer em meio a uma redução na produção doméstica de carne suína.

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