Produtores dos EUA comemoram acordo com México e Canadá

No Canadá, setor de produtos lácteos classificou revisão do Nafta como um "mau negócio"

Agricultores norte-americanos comemoram o novo acordo comercial entre os Estados Unidos (EUA) e os vizinhos México e Canadá, em uma revisão do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, na sigla em inglês). Na manhã desta segunda-feira, o governo norte-americano anunciou a assinatura pelos três países do Acordo Estados Unidos-Canadá-México (USMCA, na sigla em inglês) que reduz as barreiras comerciais entre os países fronteiriços. Anteriormente ao anúncio, produtores norte-americanos temiam que a estratégia de negociação dura do governo Donald Trump acentuasse os prejuízos econômicos do setor. O USMCA deve levar cada país a remover, ou pelo menos reduzir, as tarifas sobre as exportações entre os países, que acabam prejudicando os preços norte-americanos de carne de porco, queijo, entre outros alimentos.

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“O significado de se chegar a um acordo com o México e o Canadá não pode ser exagerado”, disse Casey Guernsey, um fazendeiro e porta-voz do Missouri para a Americans for Farmers & Families, um grupo comercial. “Enquanto estou ansioso para aprender os detalhes, espero que o Congresso aproveite esse momento positivo para trazer este importante acordo para a linha de chegada”, acrescentou Guernsey.

Se aprovado pelos legisladores de cada país, o novo pacto traria um alento para empresas como a Cargill Inc., a Archer Daniels Midland Co. (ADM) e a Tyson Foods Inc. e grupos industriais como a American Farm Bureau Federation e a National Pork Producers Federation. As empresas de alimentos e os produtores dos EUA vem acumulando, nos últimos tempos, perdas nas suas receitas decorrentes dos conflitos comerciais em que o país está envolvido. Somente os preços por atacado da carne suína caíram 15% no acumulado do ano.

As exportações de produtos agrícolas para o México caíram 3% nos primeiros seis meses de 2018 em relação ao ano anterior, enquanto as exportações para a China caíram 18%, de acordo com o USDA. Esses países são os dois maiores mercados estrangeiros para as exportações agrícolas dos EUA. Para o próximo ano, o USDA projeta um resultado ainda pior, estimando uma redução de cerca de 40% nas vendas agrícolas dos EUA para a China, para US$ 12 bilhões. Já a renda agrícola líquida dos EUA neste ano cairá 13%, para US$ 66 bilhões, projetou o USDA, perto da baixa de 14 anos de 2016.

Desde que as tarifas retaliatórias foram impostas sobre commodities e produtos agrícolas norte-americanos, os agricultores se mobilizaram pela revogação do fim do Nafta. “Ter, novamente, um acordo comercial entre os três países é apenas um ajuste natural”, disse Larry Mussack, que planta e soja em 2.100 acres perto de Decatur, Nebraska. Para Mussack, a revisão do Nafta pode simbolizar que o governo Trump está disposto a resolver disputas envolvendo também a China e a União Europeia (UE). No entanto, os criadores de animais ainda estão reticentes com o estilo de negociação de Trump, que causou danos à reputação dos processadores de carne norte-americanos. Além de que, há temores também na recuperação de antigos compradores, já que estes buscaram novos fornecedores no mercado.

O México e o Canadá se tornaram pilares essenciais de demanda e fornecimento para a indústria alimentícia e agrícola americana desde a entrada do Nafta em 1994. As exportações agrícolas dos EUA para o Canadá e o México mais do que quadruplicaram nesse período para US$ 39 bilhões.

O pacto permitiu que as empresas comprassem produtos agrícolas canadenses para processar nas plantas dos EUA, e incentivou os agricultores dos EUA a expandir as colheitas e a produção de gado, à medida que a crescente classe de consumo do México gasta mais em carne e alimentos processados.

O Nafta facilitava ainda a venda de um terço das exportações de carne suína dos EUA e mais da metade de todas as exportações de vegetais dos EUA, de acordo com o Departamento de Agricultura do país (USDA).

Lácteos

O setor de produtos lácteos do Canadá classificou como um “mau negócio” o novo acordo comercial do país com os Estados Unidos (EUA). A reação deve-se às concessões feitas pelo governo canadense no segmento de laticínios na revisão do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, na sigla em inglês).

O grupo de lobby Produtores de Lácteos do Canadá informou que o acordo concede acesso a 3,6% adicionais do mercado de lácteos do país; elimina as classes de preço no mercado interno o que, segundo o grupo, ajudou o Canadá a competir com alguns produtos norte-americanos; e limita a capacidade de exportação dos produtores de leite locais. “Isso aconteceu apesar das garantias de que nosso governo não assinaria um acordo ruim para os canadenses”, acrescenta o presidente da entidade, Pierre Lampron.

A indústria de lácteos do Canadá vale 6 bilhões de dólares canadenses (US$ 4,62 bilhões) em vendas agrícolas e outros 15 bilhões de dólares canadenses em processamento de alimentos, de acordo com o governo do país. O regime de gerenciamento de suprimentos do país limita a produção de produtos lácteos por meio da distribuição de cotas, que ditam o quanto os agricultores têm permissão para vender no mercado interno e estabelecem preços fixos para as vendas agrícolas. O sistema também impõe tarifas sobre as importações de laticínios acima de níveis específicos para limitar a concorrência estrangeira.

No fim de agosto, em meio às negociações para revisão do acordo comercial, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, garantiu a manutenção do sistema governamental de proteção à indústria canadense de laticínios, conhecida no país como “gestão de oferta”.

“Defenderemos a gestão de oferta”, prometeu na ocasião. A revisão nas tarifas de laticínios estava entre os principais objetivos do governo norte-americano com o novo acordo comercial. Em meados de setembro, o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, chamou as proteções ao setor no Canadá de “desgraça”, mirando nas altas tarifas do país sobre alguns produtos lácteos estrangeiros, que variam de 200% a 300%, caso os volumes de importação ultrapassem os limites das cotas permitidas.

Fonte: ESTADÃO CONTEÚDO.

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