“Produzimos mais carne no 1º tri de 2021 do que todos os primeiros trimestres desde 1997”, diz pesquisador do Cepea

Dado foi levantado pelo economista agroindustrial Thiago Bernardino de Carvalho durante a live "Pra onde vai a arroba do boi?", que foi tema do programa DBO Entrevista

Preços do boi em alta, reposição cara e insumos em escala de valorização maior ainda. É possível que o pecuarista brasileiro ainda possa tirar bom proveito do turbilhão de solavancos no mercado do boi gordo?

A resposta é que sim. Pelo menos é o que mostra um dado apontado pelo economista agroindustrial Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP).

“Produzimos mais carne neste primeiro trimestre de 2021 do que todos os primeiros trimestres desde 1997”, diz Thiago.

Com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o peso médio dos animais no primeiro trimestre deste ano gira em torno de cerca de 262 kg de carne bovina, a cada animal abatido.

Além disso, o economista Yago Travagini Ferreira, analista de mercado da Agrifatto, acrescenta. “Não só estamos produzindo animais mais pesados como estamos abatendo bovinos cada vez mais jovens”, afirma Ferreira.

Carvalho e Ferreira foram os convidados do DBO Entrevista, que foi ao ar na segunda-feira, 7 , com o tema “Pra onde vai a arroba do boi?” (confira abaixo a entrevista completa, em vídeo). O programa promoveu uma discussão sobre o mercado do boi e trouxe um panorama da atividade, possíveis cenários da reposição e de preços.

O segredo da eficiência

Para os analistas, mais do que tentar acertar os preços da arroba do boi, fazer a melhor aposta de contrato futuro e buscar o melhor preço de reposição, a tônica é uma só: ter sempre em mente qual é o custo da atividade. Essa informação que guiará as tomadas de decisão do confinamento e da fazenda de recria e engorda a pasto.

Ter as contas na ponta do lápis, produzir o que o mercado quer, atender às exigências do que o frigorífico procura, e, em épocas de exportações atrativas, produzir o gado que atenda ao mercado externo deve estar no check-list do pecuarista mais atento. Para Carvalho, é aí que vai fazer a diferença das margens da atividade. “Entender essa dinâmica da comercialização não é simples, mas é esse o pecuarista que vai se sobressair”, avalia.

Perspectivas da reposição

Uma boa notícia é que a tendência de preços do boi magro possa melhorar daqui para frente, segundo avalia Ferreira. Segundo ele, o pior cenário de preços é justamente agora.

“Não vemos muito espaço para a reposição voltar a surfar aqueles 20% e 30% de ágio ou até mesmo uma valorização maior do que o boi gordo”, diz o o economista Yago Travagini Ferreira, da Agrifatto.

No entanto, os preços ainda seguem firmes e a mudança de preços mesmo só deve ocorrer a partir de 2023, quando o ciclo pecuário, com maior oferta de bezerros deve chegar ao mercado.

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Risco no apetite chinês?

As exportações seguem também ainda firmes, especialmente por conta das compras chinesas. Apesar de Carvalho perceber que é comprador extremamente favorável pairam dúvidas, quando se trata dos fundamentos da economia.

“É grande a dependência nossa com a China. Quando falamos de China e Hong Kong juntos são cerca de 60% do destino da carne bovina. Sei que é um mercado muito favorável e temos de aproveitar mesmo, mas, como economista, sei que depender de um grande comprador ou depender de um único grande vendedor é complicado”, diz Carvalho.

O que serve de consolo é justamente a tarefa de recomposição dos rebanhos de suínos no gigante asiático, que ainda está em curso, abrindo os precedentes para a importação de proteína animal de outros países como a carne bovina brasileira.

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Confira a entrevista, na íntegra:

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