Queda no preço do milho deve elevar confinamento em até 7%

Segundo o analista da FNP, confinamento só não será maior por conta da alta nos custos de reposição

A boa relação de troca do boi gordo com o milho este ano deve favorecer o aumento do confinamento, avalia Vitor Belasco, analista de grãos da FNP. A previsão da consultoria é de um crescimento de 4% a 7% no confinamento diante da redução nos custos com alimentação.

“A relação de troca com o quilo do milho, está de 7 pra 1, talvez o melhor nível desde janeiro de 2018. E os dispêndios que o produtor tem com nutrição animal caíram também”, explica Belasco.

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Segundo o analista, o avanço só não será maior por conta da alta nos custos de reposição enfrentados pelo pecuarista este ano. No acumulado de abril, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o bezerro nelore no Mato Grosso do Sul teve alta mensal de 3,28% e valorização de 8,67% ante igual mês do ano passado.

“O custo de reposição, que representa cerca de 65% dos custos totais para o pecuarista, ainda está elevado porque no ano passado houve um ajuste na cadeia, com um maior abate de matrizes. Com isso, a cadeia está passando por um processo de aperto”, explica.

Segundo Belasco, as boas condições climáticas e a consequente perspectiva de uma maior produção de milho safrinha este ano tendem a derrubar ainda mais as cotações do grão nos próximos meses, o que alimenta as expectativas com confinamento.

“Se conformada aí uma produção que nós esperamos entre 94 e 95 milhões de toneladas de milho no ano, os preços tendem a arrefecer ainda mais”, observa o analista. Em abril, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho em Campinas (SP) acumulou queda de 12,5%, segundo o Cepea.

Com isso, Belasco ressalta que, entre os pecuaristas que não possuem restrições orçamentárias, “esse é o momento para voltar a ter boas margens”. Com isso, a tendência é de que produtores integrados se beneficiem mais rapidamente com o novo cenário, enquanto os independentes podem levar mais tempo para se recuperar.

“As robustas aquisições da Rússia e a manutenção das aquisições da China, principalmente esse ano em que o país sofre com a febre suína africana, tendem a deixar o cenário mais favorável para o produtor”, conclui o analista da FNP.

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