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“Boi China” no pasto

Ágio pago pelo “boi China” (animal com até 30 meses) tem estimulado muitos produtores a acelerar seu processo de intensificação pecuária

Garrotes Nelore recriados de forma intensiva para abate com até 30 meses (4 dentes).

Por Renato Villela

O “boi China” tem provocado mudanças efetivas no sistema de produção das fazendas, ajudando a consolidar tecnologias que, nas últimas duas décadas, reduziram a idade de abate dos animais. No final dos anos 90, quase metade dos bois abatidos no País tinha mais de três anos de idade. Essa fatia encolheu para pouco mais de 5% em 2019. Ao entrar para valer no mercado chinês, dois anos atrás, os frigoríficos passaram a pagar ágios de R$ 10/@, contribuindo para conferir um perfil mais jovem à pecuária nacional. “São carcaças pesadas, produzidas num período cada vez mais curto”, atesta Maurício Palma Nogueira, da Athenagro, de São Paulo, SP. Enquanto os produtores que já entregam animais dentro do padrão aproveitam o ágio do “boi China”, aqueles que estão fora da régua procuram empregar as ferramentas certas para atingir esse objetivo.

“O alvo mudou. Antes nos preocupávamos somente com o acabamento das carcaças. Hoje, a idade é preponderante”, afirma Gustavo Rezende Siqueira, pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), de Colina, SP. Para Ricardo Burgi, da Burgi Consultoria Agropecuária, de Piracicaba, SP, a exigência chinesa de abater os animais até os 30 meses também impactou o mercado de fêmeas. “A engorda de novilhas, que já vinha em ascensão, ganhou impulso, já que a categoria fica pronta para o abate mais rapidamente e está valendo o mesmo que o macho”, disse.

O consultor Antônio Chacker, do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra), acredita que o ágio sobre a arroba acelerou o uso das tecnologias no campo, mas faz uma ponderação: “Na minha opinião, a redução na idade de abate tem mais a ver com o retorno econômico e a sustentabilidade do negócio em si do que propriamente com a exigência externa”.

Para sustentar essa tese, Chacker recorre à rentabilidade da operação. “O ‘boi China’ pode deixar uma taxa interna de retorno de 1,2% ao mês, o que é um excelente negócio, em comparação com outras aplicações, especialmente neste momento em que a taxa Selic e a poupança estão rendendo menos do que a inflação. Se o ciclo for mais curto, o ganho é ainda maior, mas se o boi ultrapassar esse teto dos 30 meses, a redução desses indicadores é substancial”, alerta. Para Chacker, o “boi China” é vantajoso tanto para o consumidor, que tem na prateleira uma carne de melhor qualidade, oriunda de um animal jovem, quanto para a fazenda, desde que o produtor esteja estruturado. “Se o gado não tiver qualidade genética e o pasto for ruim, terei de compensar isso tratando desde cedo. Não dá para produzir a qualquer custo. Se não tiver processo, não há ágio que sustente a operação. O ‘boi China premia o bom e não resolve o problema do ruim”, diz.

Mas, afinal, que impacto é esse que os chineses têm provocado no sistema de produção das fazendas? Para responder a essa pergunta, a reportagem de DBO conversou com consultores e produtores. Desde a genética mais apurada até a TIP (Terminação Intensiva a Pasto), passando pelas estratégias para encurtar a recria, como a suplementação e o sequestro, existem muitas ferramentas à disposição do produtor para produzir animais jovens. “Não estamos inventando nada de novo para fazer o ‘boi China. As tecnologias já existiam. O que aumentou muito foi a demanda, obrigando o produtor a fazer as mudanças necessárias para receber o ágio”, diz Gustavo Rezende.

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