Sem boi pronto e alguma folga de pasto, pecuarista cruza o braço

Restrição da oferta neste final de maio e ritmo forte das exportações sustentam os preços da arroba

Nesta última semana de maio, os preços da boiada gorda registraram altas em algumas das principais praças pecuárias do Brasil. As cotações firmes da arroba são sustentadas pela baixa disponibilidade de animais terminados no Brasil e pelo ritmo acelerado das exportações de carne bovina, sobretudo à China.

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“O ritmo consistente das vendas de carne bovina no front internacional tem beneficiado os frigoríficos paulistas, que aumentaram os preços ofertados pelo gado de São Paulo e também do Mato Grosso do Sul”, destaca a Informa Economics FNP em seu boletim pecuário semanal.

Na praça de São Paulo, o valor do boi gordo alcançou R$ 205/@, a prazo nesta sexta-feira, o que significou valorização semanal acumulada de R$ 5/@ frente ao preço registrado na sexta-feira anterior, 22 de maio.

Segundo a FNP, o aumento do abate de fêmeas e o encarecimento dos custos com a reposição em anos anteriores provocaram uma diminuição do rebanho bovino no País e, mesmo com a aproximação do inverno, a oferta de boiada gorda segue baixa nas principais regiões de pecuária.

Além disso, os frigoríficos brasileiros reduzem os abates devidos aos impactos na demanda interna de carne bovina ocasionados pela Covid-19. Diante da crise gerada pela pandemia, relata a consultoria, as indústrias optam por operar com escalas ajustadas e reguladas, de até cinco dias, nas regiões onde a disponibilidade de boiada é ainda menor, como nas praças situadas na região Norte do País, que continuam apresentando ótimas condições de pasto em função dos bons volumes de chuvas.

No entanto, apesar do fraco consumo interno de carne bovina, os preços dos cortes bovinos têm conseguido se sustentar em patamares firmes, diferentemente do comportamento das proteínas concorrentes. Na comparação com o mês passado, informa a FNP, cotação do frango resfriado no atacado de São Paulo registrou queda de 7%, enquanto o corte dianteiro de boi se manteve lateralizado, e o corte de traseiro recuou 3%. Neste período, a produção de frango registrou aumento, ao passo que a produção de carne bovina caiu expressivamente.

Os embarques de carne bovina, por sua vez, se mantêm aquecidos, o que ajuda a explicar a subida no preço da boiada gorda em diferentes regiões do País. Além do alto volume demandado pelos países importadores, a desvalorização do real frente ao dólar aumenta a margem dos frigoríficos exportadores, permitindo o pagamento de prêmios altos pelos animais que atendem os requisitos internacionais, destaca a FNP, referindo-se principalmente ao ágio pago ao “boi-China”, que pode atingir R$ 15/@ sobre o valor do boi comum.

Nos primeiros 15 dias úteis do mês, a média diária de carne bovina in natura embarcada foi de 7,6 mil toneladas, um aumento de 34,5% com relação ao mesmo período do ano passado. “Maio é o período do primeiro semestre tradicionalmente marcado por uma elevação das exportações do produto e, neste ano, o volume embarcado até o momento indica um possível número recorde, para o mês, desde 2008”, prevê a FNP.

Além da atuação da China, maior comprador mundial da carne brasileira, a abertura de novos mercados consumidores, como o mercado árabe, também tem sido relevante nas vendas externas. No início desta semana, relembra a FNP, a Tailândia comunicou que abriu seu mercado para carne bovina brasileira, habilitando cinco plantas espalhadas por cinco estados do País, indicando uma certa tendência da procura pela produção brasileira, não só concentrada no Centro-Sul, mas também em polos como Rondônia e Pará.

Giro por outras praças

No Paraná, diante da oferta restrita de boiada gorda no mercado, os frigoríficos ofereceram valores mais altos nas compras ao longo desta sexta-feira. As programações de abate atendem em média uma semana, mas algumas indústrias relataram preencher escalas ainda para a próxima segunda-feira. No Estado paranaense, também houveram relatos de plantas que, diante da instabilidade do consumo de carne, operaram com capacidade reduzida. No entanto, o início das exportações para Israel, após habilitação de algumas unidades, deve provocar um aumento na oferta de compra e dar suporte para novos ajustes positivos nos preços no Paraná, relata a FNP.

Na Bahia, o volume regular de chuvas tem sustentado os pastos com boa disponibilidade de massa verde, possibilitando a retenção dos animais terminados nas propriedades e, consequentemente, gerando especulação nos preços da arroba, informa a FNP.

Na região Sul de Goiás, as indústrias operam com escalas encurtadas e dificuldade de adquirir animais para abate – por isso, os negócios de boiada gorda foram efetivados a valores mais altos nesta sexta-feira.

Em Minas Gerais, a arroba da boiada gorda também se valorizou. Mesmo com a predominância do tempo frio e seco ao longo dos últimos dias, a oferta de animais terminados no mercado ainda é restrita, o que tem sustentado os preços firmes.

Confira as cotações desta sexta-feira, 29 de maio, de acordo com a FNP:

SP-Noroeste: R$ 205/@ a (prazo)

MS-Dourados: R$ 181/@ (à vista)

MS-C. Grande: R$ 182/@ (prazo)

MS-Três Lagoas: R$ 181/@ (prazo)

MT-Cáceres: R$ 175/@ (prazo)

MT-Tangará: R$ 176/@ (prazo)

MT-B. Garças: R$ 174/@ (prazo)

MT-Cuiabá: R$ 174/@ (à vista)

MT-Colíder: R$ 171/@ (à vista)

GO-Goiânia: R$ 185/@ (prazo)

GO-Sul: R$ 184/@ (prazo)

PR-Maringá: R$ 180/@ (à vista)

MG-Triângulo: R$ 194/@ (prazo)

MG-B.H.: R$ 187/@ (prazo)

BA-F. Santana: R$ 189/@ (à vista)

RS-P.Alegre: R$ 188/@ (à vista)

RS-Fronteira: R$ 186/@ (à vista)

PA-Marabá: R$ 190/@ (prazo)

PA-Redenção: R$ 187/@ (prazo)

PA-Paragominas: R$ 192/@ (prazo)

TO-Araguaína: R$ 184/@ (prazo)

TO-Gurupi: R$ 183/@ (à vista)

RO-Cacoal: R$ 177/@ (à vista)

RJ-Campos: R$ 180/@ (prazo)

MA-Açailândia: R$ 180/@ (à vista)

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