Senepol: crescimento interrompido

Com vendas em alta desde que chegou ao Brasil, raça teve seu primeiro ano de baixa.

Por Alisson Freitas

Mais nova entre as raças compostas criadas no País, a Senepol registrou crescimento expressivo de vendas nos últimos 14 anos. O boom aconteceu em 2016, quando superou a raça Angus e assumiu a segunda posição no ranking de maiores receitas. No entanto, não conseguiu manter o ritmo em 2017.

No ano passado, foram promovidos 48 remates que venderam 4.276 lotes entre machos, fêmeas,  embriões, prenhezes e aspirações, queda de 15,2% ante o ano anterior, que registrou 5.041 animais vendidos. Em receita, a queda foi ainda mais expressiva. O faturamento de R$ 41,6 milhões foi 20% menor do que os R$ 51,9 milhões de 2016.

Para o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol), Pedro Crosara, a queda se justifica pela instabilidade econômica do País e das crises que o setor passou em 2017.

O cenário de baixa nos valores também está relacionado à mudança no perfil de grande parte dos animais comercializados nos leilões, sobretudo fêmeas. No ano passado, foram negociadas 1.034 matrizes à média de R$ 23.856 e movimentaram R$ 24,6 milhões. Em 2016, foram vendidas  1.262 fêmeas por R$ 34,6 milhões de 2016.

“Em 2017, tivemos baixa significativa no número de doadoras provadas vendidas nos leilões. Em contrapartida, cresceu a oferta de matrizes de produção, o que justifica a queda de preços”, destaca Crosara.

A venda de touros seguiu sentido oposto. Foram negociados 1.199 reprodutores em 2017, 46,3% a mais do que os 820 exemplares do ano anterior. O salto está atrelado ao crescente uso da raça no cruzamento industrial, principalmente em matrizes F1. Se a quantidade cresceu, os valores caíram. A média de R$ 10.520 de 2017 é 22,2% menor do que o valor de R$ 13.497 do ano anterior.

Embora os animais tenham contribuído para a maior movimentação, o comércio de Senepol ainda está amplamente atrelado aos embriões. Os 2.029 lotes vendidos em 2017 responderam por 47,5% da oferta total da raça.

Praças – São Paulo segue como a principal praça de venda de Senepol. Foram realizados seis remates no Estado que movimentaram R$ 13,3 milhões com a venda de 625 lotes. A oferta foi conduzida por grifes consagradas como Soledade, de Ricardo Carneiro; Grama, de Júnior Fernandes; e 3G, da Família Garcia.

Berço da raça no Brasil, Minas Gerais perdeu espaço no calendário, com a venda de apenas 101 lotes por R$ 2,2 milhões em quatro leilões. Em 2016, os cinco leilões realizados no Estado movimentaram R$ 7,6 milhões, com a venda de 220 lotes.

Com o aumento da oferta de touros, a raça tem conseguido ampliar a presença em áreas fortes em cruzamento industrial. Em MT, por exemplo, no Leilão Genética MT, a oferta saltou de 97 lotes de machos e fêmeas em 2016 para 119 reprodutores no ano passado.

O movimento se repetiu no MS, onde foram vendidos 480 animais em 2017 ante os 227 do ano anterior.

Em 2017, a raça teve o seu primeiro leilão no Norte do País. A oferta foi conduzida pela Senepol Taquari, no dia 27 de julho, em Rio Branco, durante a maior exposição agropecuária do Acre. Na oportunidade, foram vendidos 45 reprodutores à média de R$ 15.350, sendo o maior preço médio da categoria no ano, de acordo com o Banco de Dados da DBO. O remate também comercializou 25 fêmeas a R$ 17.550, gerando a receita de R$ 1,1 milhão.

Outra praça inédita foi Porto de Galinhas, PE, onde ocorreu o Território Senepol, que faz parte da mostra itinerante WV Genetic Festival, na segunda quinzena de janeiro. O pregão faturou R$ 920 mil, com a venda de 11 machos a R$ 10.760 de média e também 21 fêmeas a R$ 38.173.

Fonte: Anuário DBO

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