Sistema ILPF alcança produção de 40,[email protected]/ha/ano

Número obtido pela Embrapa Agrossilvipastoril é quase 7 vezes maior do que a média nacional e 30% melhor do que os outros sistemas avaliados

Quão eficiente pode ser a produção em um sistema com integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF)? Uma pesquisa da Embrapa Agrossilvipastoril (Sinop, MT) em parceria com a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e Associação dos Criadores do Norte de Mato Grosso (Acrinorte) conseguiu alcançar uma média de produtividade quase sete vezes maior do que a nacional com bovinos Nelore. O sistema com lavoura de soja e consórcio milho-braquiária por dois anos, seguida por dois anos de pastagem com Brachiaria brizantha cv. Marandu, com linhas simples de eucalipto a cada 37 metros, resultou em 40,6 arrobas por hectare no ano. No ciclo passado, o mesmo sistema registrou [email protected]/ha/ano.

Além do ILPF, o estudo – que está em seu segundo ano – também avaliou sistemas com integração lavoura-pecuária (ILP), pecuária-floresta (IPF) e apenas pecuária. Estes registraram produção média de [email protected]/ha/ano (veja tabela no fim da matéria para detalhes). A média nacional é de [email protected]/ha/ano e a de Mato Grosso fica em [email protected]/ha/ano. “Esse experimento mostra que a pecuária pode ir muito além de onde está”, diz Bruno Pedreira, pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril.

Entendendo os números – O resultado obtido na avaliação feita entre julho de 2016 e julho de 2017 mostrou como a intensificação da tecnologia usada na pecuária, com aumento de adubação e da suplementação proteinada, podem resultar em ganhos de produtividade. No ciclo 2 do experimento, a adubação passou de 50 kg/ha (NPK) para 100 kg/ha e a suplementação alimentar também dobrou, de 0,1% do peso vivo ao dia para 0,2%.

De acordo com Pedreira, apesar de resultar em maior produção de forragem em todos os sistemas, o aumento da adubação teve maior impacto na pecuária exclusiva e na IPF. Na pecuária, houve um aumento de 56% no acúmulo de forragem e na IPF de 36%, com ambos os sistemas produzindo cerca de 20 toneladas/ha por ano. Ainda assim, a produção na ILP (22 ton/ha) e na ILPF (25 ton/ha) foi maior. “No ano 1 já tínhamos um residual de adubação da lavoura na ILPF e na ILP. Então, eles já estavam produzindo bem. Quando colocamos 100 kg de NPK a capacidade de produção se mantém ou ainda incrementa. A pecuária e a IPF nunca foram lavoura antes, então quando entramos com esses 100 kg de adubação, a variação é maior do que nos outros sistemas”, explica.

Com a melhor disponibilidade de forragem e com o aumento da suplementação alimentar em todos os sistemas, o ganho de peso diário ficou, em média, em 735 g. Sendo assim, o pesquisador diz que o mais contribuiu para a diferença de produção entre os sistemas foi a maior capacidade de lotação do ILPF, que ficou em 3,47 UA/ha contra 3 UA/ha da IPF, 2,78 da pecuária e 2,66 da ILP. Havia uma expectativa de resultados melhores na integração lavoura-pecuária. Porém, por algum motivo que ainda precisa ser estudado, esse sistema foi mais suscetíveis ao ataque de cigarrinha do que os demais.

Na prática – Para o pesquisador, os dados obtidos no segundo ano de avaliação ressaltam o efeito benéfico do maior uso de tecnologia e da profissionalização da atividade para a obtenção de melhores índices, e mostram que mesmo a pecuária exclusiva pode ser muito mais produtiva. “Levando em conta que temos muitas áreas no país em que a agricultura não é uma possibilidade, o silvipastoril não é viável, por impedimentos de mecanização ou de logística, esses números trazem a possibilidade de fazer um sistema produtivo de pecuária tradicional. Desde que de maneira empresarial. Desde que buscando manejo de pastejo de maneira muito coerente. Esse nível de desempenho animal, mesmo que com suplementação, é muito associado ao bom manejo do pastejo”, afirma.

Ele ressalta que esses números são viáveis fora do experimento. “O grande ponto é o manejo do pastejo. Eu preciso colher bem. Se eu adubo e não colho, isso vai virar matéria orgânica e carbono no solo, o que é bom, mas também queremos produzir boi”. Nesse aspecto, ele reforça a importância do pecuarista estar atento à altura do pasto. No experimento, foi utilizado o número de 30 cm, que está entre o recomendado por pesquisas (de 30 cm a 40 cm de altura). “É preciso olhar para a braquiária no pasto e pensar que se está acima dessa linha de altura estabelecida, eu estou perdendo dinheiro. Se está abaixo, tem que tomar cuidado, porque pode começar a entrar em degradação”.

Ele ainda afirma que o pecuarista pode intensificar 1/3 da propriedade e trabalhar com o restante de forma mais tradicional. “Assim eu posso fazer ajuste da taxa de lotação. Em 1/3, faço pecuária muito bem feita, na forma mais empresarial possível, e consigo entre 30 e [email protected]/ha/ano. Nas outras áreas, fico perto da média nacional. Com isso, já consigo elevar a média da minha fazenda para mais de [email protected]/ha/ano”.

Além do manejo de pastagem, a individualização do boi e a gestão de todos os dados levantados também é muito importante. “Um dos erros que cometemos é partir para a intensificação, suplementação, mas sem mensurar o indivíduo, essa interface do animal com o pasto. Precisamos ter bois numerados, pesar mais o animal para saber qual ganha peso e qual não. Eu preciso identificar onde comprei o boi que não ganha peso e não comprar de novo lá”, exemplifica Pedreira.

Benefícios do ILPF – Além do aumento da produtividade, Pedreira acredita que os sistemas ILPF trazem maiores possibilidades para o produtor dentro da porteira, aumentando as opções na tomada de decisões. “Se você já tem dentro da fazenda, soja e milho ficam baratos. Posso suplementar 0,2% de peso vivo ao dia – ou até mais – o ano inteiro se eu quiser. Se ele é só criador, depende do preço do bezerro. No ano em que o bezerro está com preço bom para ele, ganha dinheiro, no outro não. Se você tem o ciclo completo, se tem lavoura e floresta, passa a ser menos dependente do mercado e mais tomador de decisão da porteira para dentro. É um grande pacote tecnológico que traz muitas opções para o pecuarista”.

Sombra – Apesar de no ano 2 do experimento a sombra não ter tido impacto no ganho de peso dos animais nos diferentes sistemas como no primeiro ciclo da pesquisa, Pedreira afirma que a importância do sombreamento permanece. “Precisamos buscar bem-estar animal e, quando os animais procuram sombra para ruminarem e ficarem em ócio, estão nos contando que precisam disso”. Segundo o pesquisador, mesmo fora de um sistema ILPF, há a possibilidade de se ter árvores nas laterais dos piquetes, nas áreas de lazer, próximas à água ou em bosques menores. “Temos visto em algumas fazendas pecuaristas que fazem a borda do pasto com árvores. Não pode ser árvore isolada ou então você cria malhadores e começa a ter perda de áreas de pastagem, o que afeta a produtividade, mas ao longo de uma cerca, por exemplo, você consegue algumas centenas de metros de sombra”.

Planos e Parceria – A pesquisa com pecuária de corte em ILPF é conduzida pela Embrapa Agrossilvipastoril em uma área de 72 hectares localizado no campo experimental da instituição, em Sinop, MT. Na época das águas do ciclo 2016/2017, mais de 200 animais estavam no pasto. Em julho, depois do término do ano 2 da pesquisa, novos animais já foram colocados na área para iniciar o ano 3. “Nesse terceiro ciclo, decidimos entender o efeito de ano, porque as respostas podem variar em função do ano, então vamos manter a suplementação e adubação do período 2016/2017”, conta Pedreira.

De 2015 a 2017, durante os dois anos de avaliação dos sistemas, a Acrimat foi parceira no projeto, financiando parte dos custos do experimento, mas a cooperação terminou este ano. “A parceria estabelecida nos dois últimos anos com a Embrapa apontou que é possível aumentar a produtividade nas propriedades, viabilizando o desenvolvimento sustentável nos âmbitos ambiental e econômico. Agora precisamos difundir as técnicas que possibilitam produzir mais carne em menores áreas e de forma integrada com outras atividades”, avalia Marco Túlio Duarte Soares, presidente da associação.

A Acrinorte, por sua vez, desde 2015 fornece os animais para as pesquisas, parceria que foi prorrogada até 2019. “Essa parceria é fundamental para nós e para a região também. A Embrapa é a nossa referência em pesquisa. Esse trabalho nos mostra que a pecuária tem por onde andar. Tem espaço para evoluir. Às vezes pecuaristas falam que não tem como ter o mesmo rendimento que a soja, mas estamos vendo que com tecnologia e manejo correto, tem como ter rendimento igual ou até melhor”, analisa o presidente da Acrinorte, Olvide Galina.

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