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Sistema ILPF: pesquisa Embrapa avalia fêmeas nelore em MT

Cento e sessenta novilhas serão distribuídas e avaliadas em quatro diferentes sistemas produtivos

 

Pesquisadores da Embrapa Agrossilvipastoril (Sinop, MT) estão iniciando uma nova etapa nas pesquisas com pecuária de corte em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Após avaliar por três anos o ganho de peso de machos, os trabalhos agora serão direcionados a acompanhar novilhas da raça nelore.

A pesquisa é realizada por meio de uma parceria entre a Embrapa e as Associações de Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e do Norte de Mato Grosso (Acrinorte). A Acrimat ajuda no custeio da manutenção do rebanho, já a Acrinorte fornece os animais, que são cedidos temporariamente por pecuaristas associados.

Ao todo, serão 160 novilhas de aproximadamente um ano de idade. Elas serão divididas em lotes e distribuídas em quatro diferentes sistemas. Um é a pecuária convencional, que servirá como comparativo para o estudo. Outro é a integração lavoura-pecuária, onde a pastagem de Brachiaria brizantha cv. Marandu é intercalada de dois em dois anos com lavoura de soja na safra e milho com braquiária na safrinha. Também serão avaliados animais em sistema silvipastoril, com renques triplos de eucalipto, e em sistema agrossilvipastoril, com renques simples e triplos de eucalipto e alternância entre lavoura e pecuária a cada dois anos.

De acordo com o pesquisador e coordenador do trabalho, Luciano Lopes, as novilhas serão inseminadas no meio do ano e o objetivo é comparar os animais nos diferentes sistemas produtivos e entender qual deles é mais favorável para fazer a cria.

“Pelas pesquisas já realizadas, sabemos que o renque simples tem maior vantagem do ponto de vista de produção de forrageira, mas o renque triplo tem uma condição mais sombreada. Talvez para a fêmea, do ponto de vista reprodutivo, seja mais interessante. É algo que precisamos avaliar”, explica Luciano.

Neste trabalho, pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) desenvolverão avaliações para diferentes características e indicadores.

“Vamos avaliar a precocidade sexual desses animais, depois a fase reprodutiva em si, com parâmetros como a quantidade de hormônios e comportamento sexual desses animais. No futuro, depois que os animais parirem, acompanharemos desde o parto até a desmama dos bezerros”, explica Luciano Lopes.

A pesquisa também envolverá ações com uso de drones com sensores embarcados e posterior processamento das imagens como forma de levantamento da área de cobertura da forrageira e do volume de biomassa produzido.

Proximidade com o setor produtivo

O experimento em que as pesquisas serão feitas é o maior com sistemas ILPF conduzido pela Embrapa. Instalado no fim de 2011, a base experimental é usada por uma equipe multidisciplinar que colhe dados de diferentes áreas do conhecimento, como qualidade do solo, ciclo de carbono, microclima, sanidade animal e vegetal, emissão de gases de efeito estufa, entre outros.

A realização das pesquisas com a pecuária em parceria com o setor produtivo é uma forma de aproximar os produtores dos inúmeros resultados obtidos neste experimento.

“Ao longo destes anos tem sido muito satisfatória a parceria com a Embrapa e, nesta nova etapa, certamente não será diferente. Com esse novo foco nos experimentos, esperamos que nossos pecuaristas possam ser contemplados com as novidades que forem trazidas e assim continuarmos sendo detentores do maior rebanho de gado do país”, afirma o presidente da Acrimat, Marco Túlio Duarte Soares.

Para esta nova fase, quatro pecuaristas cederam animais. De acordo com o presidente da Acrinorte, Olvide Galina, o grande interesse dos associados em contribuir com a pesquisa fornecendo o gado é uma amostra do anseio pelos resultados.

“No caso das fêmeas, o pecuarista não tem conhecimento suficiente como já tem com os machos. A pesquisa com as fêmeas é mais interessante. Todos estão ansiosos, pois o produtor faz do jeito dele, mas não mensura. Não conseguimos medir na fazenda para ter os resultados das avaliações que a Embrapa terá. Agora saberemos qual a melhor forma de fazer a cria”, avalia Galina.

Associado da Acrinorte, o pecuarista Invaldo Weiss forneceu 40 novilhas para o experimento, o que faz com que a expectativa seja ainda maior. Ele poderá comparar os resultados da pesquisa da Embrapa com o desempenho de novilhas contemporâneas às que cedeu e são mantidas em área de integração lavoura-pecuária em sua propriedade no município de Santa Carmem (MT).

“Talvez não tenha grande diferença em ganho de carcaça, mas acho que a condição mais favorável dos sistemas com árvores poderá levantar o índice de prenhez. Novilhas desafiadas jovens têm um desempenho pior e a ILPF pode melhorar isso”, pondera Invaldo Weiss.

Fonte: Embrapa

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