Surto da peste suína cresce e põe em risco recuperação do rebanho em países na Ásia

Doença que dizimou milhares de animais desde 2018 na Ásia é um o que tem causado uma grande corrida para a proteína bovina brasileira

A peste suína africana (PSA) está ressurgindo na Ásia e ameaça interromper os esforços de recomposição dos rebanhos dos países da região. O vírus matou dezenas de milhões de animais, além de criar uma enorme escassez de proteína suína. O novo alerta sobre a PSA saiu numa reportagem divulgada nesta semana pela Bloomberg News. A doença foi responsável direta pelo aumento explosivo nas exportações de carne bovina do Brasil, em 2020, sobretudo para o mercado chinês. No ano passado, China e Hong Kong responderam por 60,5% dos embarques totais de carne vermelha brasileira, em faturamento (US$ 5,1 bilhões) – confira informações detalhadas no Anuário DBO 2021, em circulação desde janeiro.

Segundo reportagem da Bloomberg, os novos surtos da PSA foram relatados na China e no Vietnã este ano, e a doença chegou até mesmo em regiões da costa da Malásia. Embora novos casos estejam espalhados e isolados, eles alertam os governos de que o vírus está vivo e pode haver consequências terríveis se não for mantido sob controle.

A PSA é mortal para os porcos. Com nenhuma vacina comercial disponível ainda, as autoridades estão confiando em medidas estritas de biossegurança e no abate de animais suscetíveis para manter a doença sob controle.

Segue abaixo uma análise da situação mais recente em cada país afetado pela ASF.

China

A China, responsável pela metade dos suínos existentes no mundo, é a região mais atingida pela peste suína africana desde que relatou seu primeiro surto, em 2018. Mais casos do vírus, que o país pensava estar sob controle, foram encontrados em lugares como Hebei, Henan, Sichuan, Yunnan e Xinjiang.

Hong Kong também relatou um novo caso da doença. O último surto inclui novas variantes que são mais brandas, mas mais difíceis de detectar, lançando dúvidas sobre a meta do governo da China de alcançar uma recuperação total do rebanho até meados do ano. O progresso do país na reconstrução do número de suínos está sendo observado de perto por traders globais, uma vez que irá definir as necessidades de importação de grãos para ração e carne ao longo deste ano. A China comprou quantidades recordes de soja, milho e carne de países exportadores em 2020, provocando picos de preços em todos os produtos.

Malásia

A Malásia teve seu primeiro surto de peste suína africana no mês passado e disse que 3.000 suínos no Estado de Sabah seriam sacrificados. As investigações começaram após a morte de um javali e se estenderam depois que amostras de laboratório confirmaram o vírus em outros animais. Em uma atualização em 7 de março, o governo de Sabah disse que o vírus se espalhou para outros distritos, mas as fazendas comerciais de suínos que fornecem a maioria dos produtos do Estado continuam livres da doença. “Embora o ASF não infecte humanos, ele é capaz de causar grandes danos econômicos, bem como perturbar o bem-estar de nossa sociedade”, disse o vice-ministro-chefe, Jeffrey Kitingan.

Coreia do Sul

A Coreia do Sul, que não registra um surto desde outubro, disse que reforçará as medidas preventivas antes da temporada de reprodução dos javalis, de abril a maio. Porcos selvagens rebeldes têm sido os principais culpados na propagação da doença da fronteira norte do país para fazendas locais. No final de fevereiro, o país reforçou a quarentena de fronteira em meio a relatos de novos casos em outras partes da Ásia, de acordo com o ministério da agricultura (Adaptação ao texto publicado pela Bloomberg News).

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