#TBT Mulheres na Pecuária – A força de uma sucessora

Acompanhe, neste mês de março, as reportagens da Revista DBO nas quais as mulheres estão no centro das decisões

O #TBT Mulheres na Pecuária, para relembrar as reportagens do último ano realizadas pela DBO, nas quais as mulheres estão presentes, começa com “A força das sucessoras”. O #TBT Mulheres na Pecuária se estende até o final do mês. Ele faz parte das ações da DBO para o mês em que se comemora o DIA INTERNACIONAL DA MULHER e também para mostrar que elas estão cada vez mais presentes nas decisões que envolvem a cadeia da pecuária.

A reportagem, realizada em março do ano passado pelo jornalista Ariosto Mesquita, ouviu mulheres no comando de fazendas. Elas se articulam em grupos, atropelam preconceitos, trocam experiências, usam redes sociais como ferramentas de trabalho e oxigenam a atividade.

É o caso da publicitária e empresária Andressa Albertoni Biata, que em 2017, aos 32 anos, tomou uma decisão radical. Largou a vida em Campinas, SP, onde comandava uma empresa de pesquisa de mercado, para assumir a gestão da Fazenda São João do Pontal, de 2,3 mil hectares em Alcinópolis, MS, município de 5 mil habitantes.

Na verdade, Andressa atendeu um “ultimato” da mãe, a pecuarista Lucinéia Albertoni, 58 anos, que passara uma década no comando da propriedade e achara ser hora de preparar uma das filhas (Andressa e Miriam), para sucedê-la. “Minha mãe falou: ou alguém assume a fazenda ou vou vendê-la”, diz Andressa. “Percebi que tinha de ser eu.”

Andressa, com a mãe e avó, a terceira na linha do matriarcado da fazenda São João do Pontal. Foto: A.Mesquita

A história da família Albertoni confirma uma tendência identificada por especialistas. Segundo eles, é cada vez maior o número de mulheres que assume o comando de fazendas de pecuária, em processos de sucessão familiar. Muitas delas recebem o bastão de suas mães, como é o caso de Andressa.

Segundo a empresa Safras & Cifras, de Pelotas, RS, que trabalha com planejamento sucessório para famílias rurais, quase 100% das fazendas de pecuária eram comandadas exclusivamente por homens, nas décadas de 80 e 90. Hoje, mais de 50% têm gestão compartilhada (homens e mulheres) e 10% são tocadas somente por gestoras, substantivo que define melhor as jovens que estão dando “cara nova” à pecuária de corte.

Criação de gado cruzado de angus com nelore na fazenda São João do Pontal. Foto: A. Mesquita

O protagonismo da mulher em uma atividade tão tradicional (e não raras vezes, machista) tem crescido nos últimos 10 anos. “O cenário de margens reduzidas exigiu uma administração mais refinada e equilibrada que, em geral, é característica das gestoras. Elas atuam com muita expertise, principalmente no controle gerencial e financeiro”, explica Murilo Paschoal, sócio e gerente regional para o Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul da Safras & Cifras, empresa que atende mais de 500 clientes rurais no País.

Frequentemente, o processo sucessório já envolve a terceira geração, que chega carregada de tecnologia, velocidade e acelerado padrão de comunicação. De acordo com João Paulo Prado, sócio da MPrado Consultoria Empresarial (Uberlândia, MG), as mulheres já representam 25% das pessoas que atuam no agronegócio. “Elas são mais organizadas e gostam de participar de grupos de troca experiências”, avalia Prado.

Aprendendo juntas
Foi justamente o que fez Andressa Albertoni. No início de 2019 ela se integrou ao Grupo Mulheres do Agro, criado por Adriane e Cristiane Steinmetz, filhas de gaúchos nascidos em Mineiros, GO, também elas sucessoras que, junto com a mãe, tiveram de assumir a fazenda (no caso, de grãos), após a morte do pai. O Mulheres do Agro já conta com 190 membros. As agremiações têm estimulado as mulheres a estudar mais e se profissionalizarem.

Andressa, por exemplo, que já tinha MBA em Gestão Empreendedora, concluído em 2010, planeja fazer outro curso, em Agronegócio, no ano que vem. Conectada, a produtora não titubeou em usar as redes sociais para promover a Fazenda São João do Pontal, seus negócios e sua própria imagem.

Pensando na sucessão
A família Albertoni tem um histórico de mulheres fortes. Olga Albertoni, avó de Andressa, ajudou o marido, João Albertoni, a abrir a Fazenda São João do Pontal, embora nunca tenha atuado como gestora da propriedade. Em 2007, o marido adoeceu seriamente e ela chamou a filha para ajudá-lo.

Meses depois, já em 2008, Seu João faleceu e Lucinéia teve de optar entre um casamento de 13 anos e assumir definitivamente os negócios da família. Ganhou a fazenda, mas não foi nada fácil. “Eu não havia sido criada para isso. Até minha declaração de imposto de renda era feita pelo meu pai. A decisão acabou sendo tomada após uma conversa entre as quatro mulheres: eu, minha mãe, Andressa e Miriam. Como filha, entendi que tinha de defender e manter o patrimônio familiar”, lembra. Ao longo de uma década, Lucinéia tocou a propriedade com a presença e o apoio incondicionais de Dona Olga.

Isso a ajudou a superar barreiras: “A maior dificuldade que encontrei foi trabalhar com papéis e pessoas. Eu tinha na cabeça que meu pai era mais respeitado, porque era homem. Tive de superar essa ideia e me impor. Na lida diária o mais difícil foi aprender a andar a cavalo. Meu pai não me deixava montar”, diz ela.

Quando assumiu a fazenda, Lucinéia não encontrou nenhuma mulher gestora na região. “Imagine a situação há 10 anos. Era muito difícil a sociedade aceitar mulher no comando e, ainda por cima, separada. O mundo pecuário era – e ainda é – mais masculino do que feminino. Tudo o que havia para ser resolvido eu tinha de tratar com homens. Escutava muita besteira e tive de ter jogo de cintura para sair do assunto ou simplesmente disfarçar”, relata.

A realidade encontrada por Andressa já não é tão adversa, pois sua avó e sua mãe lhe aplainaram o caminho. A sucessão propriamente dita ainda não foi para o papel. No entanto, já existe um trato verbal de que as filhas receberão as terras quando estiverem totalmente sob a gestão de Andressa.

A reportagem completa está na Revista DBO. Acesse o link.

 

Compartilhe
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email

No embalo do mercado

Confira os destaques da edição de dezembro; na capa, fazenda da BRPec Agropecuária, com mais de 130 mil ha no MS, trocou o ciclo completo pela cria, mas mantém estrutura para virar a chave se o cenário mudar

No embalo do mercado

Confira os destaques da edição de dezembro; na capa, fazenda da BRPec Agropecuária, com mais de 130 mil ha no MS, trocou o ciclo completo pela cria, mas mantém estrutura para virar a chave se o cenário mudar

Publieditorial

2742961

Newsletters DBO

Os destaques do dia da pecuária de corte, pecuária leiteira e agricultura diretamente no seu e-mail.