Vender o boi magro e o milho ou seguir firme no confinamento?

Dúvida de pecuarista tomou boa parte do debate promovido pela Boviplan Consultoria; confira qual foi a indicação dos especialistas

Com 6,6 mil hectares – 4,5 mil ha só de pastos -, o pecuarista Adilton Boff Cardoso, da Fazenda Segredo, em Bataguassu, MS, tem feito muito bem as contas de seu confinamento, além de acompanhar diariamente a evolução do mercado tanto do boi quanto dos insumos.

Anualmente, ele abate cerca de quatro mil animais. Apesar de o produtor já ter a alimentação e o gado de reposição todo comprado, eis que surge a dúvida:

“Deveríamos ficar com o animal para confinar, ou deveríamos vender ele magro? Ou também, o que é melhor: vender o milho ou ficar com todo o estoque para o ano que vem?”, indagou Cardoso.

O produtor foi um dos participantes do encontro virtual promovido pela Boviplan Consultoria Agropecuária na noite de segunda-feira, 26 de abril.

O evento reuniu pecuaristas e técnicos agropecuários para sanar dúvidas sobre a gestão dos negócios das propriedades diante de um ano tão atípico, onde tudo está subindo, não só a arroba do boi gordo, mas seus custos de produção como o milho e o farelo de soja.

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Nas contas do produtor, considerando o milho a R$ 85, mas a cada valorização do grão – que ele mesmo produz – chegando a patamares de R$ 95 e R$ 100, a dúvida passa a ficar cada vez mais latente.

De fato, a dúvida de Cardoso não é uma das mais fáceis de ser respondida, mas há possibilidades para os produtores, segundo a avaliação da zootecnista Camila Alves do Nascimento, gerente comercial do Software Gerente Boviplan.

“Se eu tenho uma lavoura e eu tenho um insumo mais barato que a própria soja ou milho, ou de repente um subproduto ou um resíduo alimentar com um custo melhor, claro que vou optar em vender o produto que eu tenho na lavoura e comprar um produto mais barato”, afirma Camila.

Para ela, tudo dependerá da análise de cada fazenda. No entanto, se a operação de um confinamento, por exemplo, já está toda estruturada, o mais indicado é que o pecuarista siga com o plano e confine.

Subprodutos como torta e caroço de algodão e o DDG de milho (subproduto do etanol de milho), e a alimentação a pasto são alternativas aos produtores para as dietas e, consequentemente, a diminuição dos custos para a terminação.

“Se a operação estiver bem estruturada eu indico que o produtor continue com o objetivo, porque vai ser difícil revender esse animal, que já entraria no confinamento, pelo mesmo valor em quilo do que está o bezerro, mesmo pensando que o valor do gado magro está valorizado”, completa a gerente da Boviplan.

De olho nas contas

Anos de tantas incertezas como esses, a recomendação é que os pecuaristas façam como o colega sul-mato-grossense, e tenham sempre às mãos os números da propriedade como o estudo de viabilidade no negócio, a análise financeira, o fluxo de caixa, a análise de risco e de projetos, além de um controle muito rigoroso do número e categorias de animais e seus índices zootécnicos.

“Muitas vezes a atividade aparenta ser rentável, e na realidade ela não é. Para gente poder ter certeza que está no rumo certo e ganhando dinheiro essa análise financeira é extremamente importante”, diz o engenheiro agrônomo Antony Sewell, sócio da Boviplan.

Mas não só na organização dos números, como no tratamento para cada valor apontado. Sewell mostra, por exemplo, a necessidade de o produtor identificar bem o que é investimento e o que é custo.

Segundo o especialista, a diferença entre investimento e custeio é fundamental para se determinar o resultado da fazenda.

Investimento x Custo

Investimento é tudo aquilo que se põe na fazenda e vai, de alguma forma aumentar o seu estoque, segundo Sewell. Pode-se considerar um investimento uma máquina agrícola, animais e benfeitorias.

Se a fazenda não tem um curral, e vai construir. O valor destinado à infraestrutura é investimento. Mas se for necessária uma reforma ou manutenção no curral, aí esse valor passa a ser considerado custo.

“Qualquer compra de adubo, suplemento mineral, de insumos em geral que são despesas do dia a dia são considerados custeio, mas se você for reformar uma pastagem ou mexer nela pela primeira vez, por exemplo, aí esse adubo é considerado investimento. Então são diferenças sutis que devem ser levadas em consideração.”

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