Bug na Bola de Cristal da pecuária brasileira?

Fatores não previstos no início de 2019 ajudaram a desencadear a disparada dos preços do boi gordo

O atual período de entressafra de boiada no Brasil já entrou para histórica da pecuária de corte. Nesta semana, o valor do boi gordo se aproximou de R$ 230/@ em São Paulo, marcando uma valorização de 50% desde o início do ano.

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Primeiramente, é bom que se diga que todos os analistas que acompanham diariamente o mercado de boi já esperavam um aumento consistente nos preços da arroba ao longo deste ano, mas não nesta atual intensidade – texto da página 17 do Anuário 2019 DBO (que entrou em circulação em janeiro deste ano), intitulado “Onda de otimismo na pecuária”, antecipava esse movimento de valorização.

No entanto, alguns fatores altistas que eram previstos para ocorrer em 2019 foram “potencializados”, surpreendendo a todos.

A saber: ninguém duvidava de que a China iria habilitar novas plantas brasileiras para exportação ao longo de 2019. Mas ninguém contava com o grande “desespero” dos chineses ocasionado pela rápida e devastadora disseminação da peste suína africana, que acabou dizimando o rebanho de porcos do gigante asiático, os maiores consumidores mundiais desta proteína.

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Essa intensificação na busca chinesa pela carne bovina do Brasil (e de outros grandes fornecedores mundiais), além de outras proteínas de origem animal, ocorre bem no momento de entressafra de boiada alimentada com capim.

Coincidentemente, o ritmo forte da demanda externa se juntou ao maior consumo no mercado doméstico, movimento típico de final de ano – onde há comemorações, há churrasco/carnes à mesa do brasileiro. “Esse cenário explica, em parte, a atual agressividade das indústrias frigoríficas, que buscam garantir um abastecimento regular para atender os fluxos internos e externos”, relata a Informa Economics FNP.

No começo deste ano, todos os analistas também esperavam uma oferta restrita de animais terminados ao longo deste ano, outro fator de peso para justificar as apostas iniciais de escalada da arroba ao longo de 2019. Em seu recente boletim pecuária, a FNP relembrou os fatores que ajudaram a resultar o atual “apagão” de animais prontos para abate.

“A redução do rebanho brasileiro em função da migração da pecuária para a agricultura; a elevada taxa de abate de fêmeas; a baixa remuneração da atividade; e os períodos de severas secas são alguns dos fatores que lançam luz à explicação do atual cenário”, observou.

No entanto, ainda em relação à oferta, a mesma consultoria citou um outro fator para atual escassez de boiada que não apareceu nas análises otimistas dos boletins do início do ano: a frustração em relação ao mercado brasileiro de animais terminados com rações colocadas em cocho.

“No começo do ano, o planejamento dos confinamentos se deu sob muita incerteza devido aos elevados custos com reposição e, embora tenham crescido em relação ao ano passado, os lotes confinados não geraram uma oferta suficiente para atender a demanda vigente”, destaca.

Sendo assim, essa enorme dificuldade dos frigoríficos em encontrar grandes lotes de animais resultou enxugou fortemente os estoques de carne bovina nas câmaras frias e reduziu drasticamente as escalas de abate.

Segundo a consultoria Agrifatto, as indústrias de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Minas Gerais trabalham atualmente com programações de abate de apenas quatro dias úteis. Na região Norte, como Rondônia e Tocantins, as escalas são de três dias.

Novas altas

Na avaliação dos analistas da FNP, se os altos preços da carne bovina colocada no varejo não inibirem o consumo interno, “existirá ainda uma forte probabilidade de novas altas na arroba, pois dificilmente nas próximas semanas se poderá contar com aumento significativo e sustentável de oferta”.

No atacado, continua a consultoria, as cotações da carne bovina também seguem rompendo sucessivos valores recordes. “O momento remete a tentativa de as indústrias trabalharem o mais rápido possível com repasse dos custos, dada a escassez de matéria prima”, avalia.

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