O leite, sua grandeza e a geração de emprego e renda

Marcelo de Rezende, da Cooperideal, mostra que a produção de leite gera muito mais emprego que a indústria automobilística

Por Marcelo de Rezende 

O agronegócio é responsável por aproximadamente ¼ do Produto Interno Bruto brasileiro. De acordo com balanço da CNA, o PIB do agronegócio é de quase R$ 1,5 trilhão. A atividade leiteira é um dos destaques desse Brasil que dá certo, crescendo cada vez mais em importância econômica para o país. Atualmente o Brasil produz ao redor de 35 bilhões de litros de leite anualmente, responsável pelo sustento de mais de quatro milhões de trabalhadores que compõem sua cadeia produtiva, no campo e na cidade. Nenhuma outra atividade, seja ela rural ou urbana, emprega tanto quanto a cadeia láctea. Para se ter uma ideia da grandeza e da importância social e econômica da atividade, a indústria automobilística, com toda sua robustez, emprega bem menos, 132 mil pessoas.

É cada vez mais acelerado o aumento no número de fazendas de grande porte no país, fato que tem contribuído para o aumento da produção e da qualidade do leite produzido. Mas o leite não é só para os grandes; milhares de pequenas e micro propriedades, de base familiar em sua maioria, também têm contribuído com o desenvolvimento da atividade leiteira. Podemos citar o caso de uma pequena propriedade do sudoeste paranaense, que com acompanhamento técnico da Cooperideal evoluiu de uma produção inicial de 30 para mais de 300 litros/dia em 2013, em uma área total de 4,5 ha, e que conseguiu, naquele ano, uma sobra financeira mensal de R$ 3.803,32 (R$ 45.639,87/ano). Este ganho obtido, apesar de parecer pequeno, era duas vezes superior à renda média das pessoas ocupadas no setor privado na região metropolitana de São Paulo, onde o ganho mensal em 2013 era de R$ 1.924. Com a sobra mensal obtida no leite na época, o produtor poderia contratar um paulistano para trabalhar em sua propriedade e ainda teria como sobra um ganho superior ao salário médio de R$ 1.847,80 de um carioca.

Além do valor embolsado, esta família teve como ganho outros R$ 10.180 que foram investidos no pagamento de financiamentos obtidos durante o processo de estruturação da fazenda, principalmente para aquisição de animais e equipamentos. O patrimônio como um todo cresceu 254% em 8 anos, saindo de R$ 85.885 para R$ 218.115. Mesmo com uma evolução patrimonial tão significativa, a remuneração sobre o valor do patrimônio ainda foi de 12,5% no ano. A propriedade que anteriormente utilizava quase a totalidade de sua renda para o pagamento de despesas de custeio (94,8%), com a evolução técnica passou a gastar somente 47%. A margem bruta por área, obtida pela diferença entre a margem bruta anual e o salário anual do produtor e dividida pela área utilizada na atividade (4,5 ha), foi de R$ 9.495,53 /ha/ano, demonstrando o potencial de geração de renda do leite em áreas de produção intensificada.

Apesar da diferença de níveis tecnológicos entre as diversas unidades produtoras, é possível afirmar que o leite pode e deve continuar sendo uma das principais fontes de trabalho e renda para o país. À medida que forem eliminados gargalos relacionados à infraestrutura básica, como fornecimento de energia elétrica de qualidade e melhoria das estradas, a atividade terá um protagonismo ainda maior no desenvolvimento do país.

*Engenheiro agrônomo especializado em sistemas intensivos de produção de leite e corte e diretor-presidente da Cooperativa para Inovação e Desenvolvimento de Atividade Leiteira (Cooperideal), e-mail [email protected]

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