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Onças causam prejuízo à agropecuária e preocupam produtores

Ameaçado de extinção, animal ataca rebanhos e preocupa produtores
Foto: Divulgação

Com o avanço da ocupação de reservas ambientais e a menor oferta de alimentos nas florestas, o número de casos de onças em lavouras e pastagem vem aumentando ano a ano no país e tem preocupado tanto produtores rurais quanto ambientalistas. Além dos prejuízos econômicos dos ataques dos felinos às cabeças de gado, a polícia ambiental teme que os agricultores possam maltratar o animal, que corre risco de extinção e é protegido por lei.

Por outro lado, o apelo, de âmbito internacional, para o desenvolvimento de práticas agropecuárias sustentáveis quanto ao uso de recursos naturais e à proteção do meio ambiente é um dos maiores desafios da pecuária. No Brasil, cerca de 75% da distribuição de onças-pintadas está em terras privadas, que representam 60% do território nacional. Para efeito de comparação, as Unidades de Conservação configuram uma área percentual inferior a 10%.

Caio Penido, presidente do Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS) e agroambientalista, revelou durante entrevista a admiração que teve com a quantidade de felinos de diferentes espécies que percorreram sua fazenda no tempo de viagem que fez. “Quando eu coloquei as três armadilhas fotográficas, em parceria com o Instituto Onça Pintada, fiquei dois meses fora. Para a minha surpresa, quando retornei para a propriedade, apareceram imagens de onça-pintada, onça-parda, gato-maracajá, jaguatirica e gato-mourisco nas filmagens.”

“É uma população (de felinos) que, se você não abate e não deixa caçar dentro da fazenda, representa um aumento gigantesco da população de onças-pintada”, diz o presidente da GTPS.

Produtor x Onças

Para lidar com os desafios da convivência entre pecuaristas, gado e onça, Penido orienta que o produtor agregue valor à sua produção  a partir de certificações que atestam a preocupação com a conservação animal. “O pecuarista que tem um abate de bezerros anual pode tentar compensar esta perda por meio da agregação de valor da carne do boi que conviveu com a onça. Isso é uma tentativa de compartilhar o custo ambiental de prejuízos na fazenda que a onça proporcionou juntamente com a sociedade”, explica Penido.

Entre essas certificações, o agroambientalista destaca o Certificado Onça-Pintada, voltado para os produtores rurais, empreendimentos ou prestadores de serviço que estejam estabelecidos em áreas de ocorrência da onça-pintada, nas quais as práticas sustentáveis contribuam para a sua conservação.

De acordo com o Instituto Onça-Pintada, a “Fazenda Certificada Onça-Pintada” tem por objetivo ajustar as ações e condutas que possibilitem assegurar uma melhor convivência entre proprietários rurais e a onça-pintada. “Salvar essa espécie da extinção é um dever de toda a sociedade, cabendo aos proprietários de terras a liderança na tomada de decisões que determinarão o êxito ou o fracasso dessa empreitada que envolve e será igualmente apreciada pelas futuras gerações”, diz a Ong.

Dados do Instituto apontam que a onça-pintada já foi extinta em mais de 50% de sua distribuição geográfica original e que, atualmente, a presença do felino se restringe a países da América Central e do Sul – até o norte da Argentina. A espécie é considerada extinta em El Salvador e no Uruguai. Aproximadamente metade da distribuição atual da onça-pintada, 48%, encontra-se no território brasileiro, o que faz do Brasil um país extremamente importante para garantir a conservação da espécie no longo prazo.

O presidente do GTPS não relaciona a quantidade de desmatamentos florestais que vem acontecendo no Brasil com o aumento da ocupação de onças na lavoura. “O desmatamento acontece e é uma questão de fiscalização ambiental. Na minha visão, deveria focar mais estas fiscalizações nas áreas de reserva legal e flexibilizar as fiscalizações nas áreas produtivas. O produtor, desde que cumpra a legislação, precisa ter mais liberdade.”

Penido explica que a oferta de alimentos nas fazendas está proporcionando o aumento da população silvestre de animais no ambiente rural. “As onças estão aumentando porque a partir do momento que o produtor cumpre o código florestal e mantém a reserva legal juntamente com as APP (Áreas de Proteção Permanente), tem-se a garantia de casa para o felino. A comida é muito mais farta dentro de uma fazenda do que em uma floresta. Lá se tem milho, soja, bezerro – que atrai queixada, anta e outros animais presas da onça.”

Questionado sobre o perigo de ataques de onças aos seres humanos, Penido avalia que o risco é muito baixo. “O ser humano não está no cardápio da onça. A onça só ataca o ser humano se ela for atacada ou quando se mexe na carcaça que ela está comendo”, frisa Penido.

Crime Ambiental

Vale lembrar que, de acordo com o artigo 32 da lei número 9.605, de 12 de Fevereiro de 1998, praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exótico,s é considerado crime ambiental com pena de detenção que varia de três meses a um ano, e multa. A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.

A polícia ambiental orienta que assim que os agricultores entrarem em contato ou avistarem o felino entrem em contato com os órgãos ambientais do Estado imediatamente para que medidas de preservação sejam tomadas.

No Brasil, somente a caça de javalis é permitida por meio da Instrução Normativa Nº 12, de 25 de março de 2019 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Para a caça do animal é necessário o cumprimento de uma série de regras e que seja para fins de controle de danos à saúde pública. A população elevada de javalis tem causado danos à fauna e à flora, desencadeiam o assoreamento de corpos d’água e processos de erosão do solo, além de representarem um grave risco sanitário para a atividade pecuária.

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