O Portal DBO reuniu as opiniões de dois analistas de mercado para responder o que estaria por trás da recomendação da Associação de Produtores de Carne dos Estados Unidos (NCBA, na sigla em inglês) ao governo americano para suspender as importações da proteína brasileira in natura.
Foram ouvidos Lygia Pimentel, médica veterinária, economista e CEO da consultoria Agrifatto, de São Paulo (SP) e Hyberville Neto, médico veterinário e consultor de pecuária na Scot Consutoria, de Bebedouro (SP).
A conclusão é unânime: a recomendação não passa de mais uma nova barreira comercial, por conta da competitividade da carne brasileira em solo norte-americano. E como não há respaldo técnico, é possível que o pedido nem vingue.
Foto: Divulgação/Scot Consultoria
“O que parece, sem muita margem para dúvida é que simplesmente é uma questão comercial”, avalia Hyberville.
OUÇA a análise de Hyberville Neto, da Scot Consultoria 🎧
Segundo Lygia Pimentel, a tática seja mais oportunista do que de uma disputa de preços. No entanto, a disparidade no preço da arroba entre os países está mais evidente.
“O Brasil tem o boi em dólares, em média, 14% mais barato do que a média global. Os preços da arroba do boi no Brasil estão em média cerca de US$ 55,00 e nos Estados Unidos, US$ 70,00”, diz Lygia.
OUÇA a análise de Lygia Pimentel, da Agrifatto 🎧
A repercussão do fato fez com que a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), divulgasse nesta sexta-feira, 19/11, uma nota contra essa recomendação da entidade americana.
Esse passa a ser mais um capítulo do malfadado livre comércio entre os países, com a carne brasileira novamente nos centros das discussões.
Na sexta-feira passada, 12/11, a NCBA encaminhou uma carta ao secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Tom Vilsack, recomendando que o país suspendesse urgentemente as importações da carne bovina brasileira, especialmente a carne in natura.
Coincidentemente ou não, os embarques do alimento fresco nacional com destino ao país norte-americano vêm crescendo substantivamente desde o início do ano.
Em janeiro foram 1,33 mil toneladas para lá; em outubro, o volume fechou em 8,8 mil toneladas, segundo os dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
No acumulado deste ano foram 47,79 mil toneladas de carne bovina in natura aos Estados Unidos, representando 3,5% de toda proteína vermelha fresca exportada pelo Brasil. As vendas acumuladas ao país somaram US$ 268,18 milhões este ano.
Esse mercado de produto in natura para o Brasil é bem recente – foi aberto em 2015, com a exportação mais significativa em 2017, de 13,47 mil toneladas, segundo dados do Mapa.
Naquele mesmo ano, as compras de cortes bovinos do Brasil pelos americanos foram suspensas devido às reações (abcessos) provocadas no rebanho, pela vacina contra a febre aftosa. O mercado foi reaberto em 2020, com a exportação de 20,10 mil toneladas, 1,2% das vendas totais de carne bovina in natura brasileira.
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