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Reportagem de capa: Gestão sanitária à vista do produtor

Usando indicadores associados a metas, confinamentos reduzem percentual de animais mortos ou doentes, economizam com medicamentos e aumentam lucro

Equipe da ronda sanitária segue indo fazer checagem diária para identificação de eventuais animais doentes ou feridos.

Por Renato Villela

Com a profissionalização dos confinamentos brasileiros a partir da década de 2000, observou-se melhoria nas instalações, uso de novas técnicas de trato, automatização de processos fabris e formulação de dietas para melhor desempenho com menor custo, mas o manejo sanitário continuou sendo conduzido sem muito planejamento e avaliações de impacto financeiro. Somente nos últimos três anos, isso começou a mudar.

Hoje, perdas de desempenho dos animais em função de doenças já não são vistas como “inevitáveis”. Um novo modelo de gestão sanitária tem permitido redução significativa dos índices de mortalidade e morbidade no confinamento. Verdadeiras sentinelas da eficiência sanitária, os chamados “indicadores” permitem detectar gargalos pouco visíveis. Eles são calculados com base no histórico e na análise de risco do sistema produtivo da fazenda. Associados a metas, permitem à equipe adotar ações corretivas, visando evolução contínua da produtividade.

A gestão por indicadores ou KPIs (Kay Performance Indicators) não é novidade. Difundiu-se na indústria norte-americana, ao longo da década de 90, e chegou à pecuária de corte brasileira nos anos 2.000, inicialmente para mensurar o desempenho animal, depois a eficiência operacional na fábrica de rações. Confinamentos mais tecnificados já trabalham há tempos com indicadores zootécnicos e financeiros, mas sem dar grande atenção aos sanitários.

Essa demora explica-se. “A preocupação maior era com o diagnóstico de doenças e não com seu impacto financeiro na atividade”, ressalta o veterinário Anderson Lopes Baptista, sócio-proprietário da Foco Consultoria, de Araxá, MG, empresa especializada na gestão sanitária por meio de indicadores e primeira no País a realizar um benchmarking específico nesta área, com 16 projetos participantes, que confinaram 606.178 animais em 2020.

Dois dos projetos paulistas assistidos pela Foco são velhos conhecidos dos leitores de DBO: a CMA – Confinamento Monte Alegre, de André Perrone, em Barretos, e a Agro-Pastoril Paschoal Campanelli, em Altair, gerida por Victor Campanelli. Ambos têm se destacado no setor pelo pioneirismo no uso de tecnologias. A CMA, inclusive, foi capa da DBO, em agosto de 2017, justamente por seu trabalho com indicadores. À época, Perrone monitorava poucas variáveis sanitárias; hoje, são sete.

As avaliações de risco, associadas a uma ronda criteriosa, lhe permitiram atingir taxa de mortalidade de apenas 0,24%. Já Campanelli conseguiu vencer uma batalha dura contra a pneumonia, reduzindo em 32,3% sua taxa de morbidade pela doença. Constam ainda desta reportagem os projetos Fazendinha, de Frutal (MG), e Paraíso, na divisa do Espírito Santo com Minas Gerais, que também obtiveram avanços expressivos na área.

Para se ter uma ideia da importância da gestão sanitária com base em indicadores, basta analisar o Benchmarking 2020 da Foco Consultoria. Ele mostra, por exemplo, que a taxa média de mortalidade nos projetos avaliados é 0,38%, com mínima de 0,08% e máxima de 0,48% (veja tabela abaixo). Qual o impacto financeiro disso nos projetos? Matheus Reis, também sócio-proprietário da Foco, parte do seguinte raciocínio: “Suponha que um boi entregue ao frigorífico deixe na fazenda lucro de R$ 400. Se o custo de produção for de R$ 3.500 (boi magro + dias cocho), serão necessários nove bois para pagar a conta do animal que morreu durante o processo de engorda”.

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