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Oásis de produtividade

Usando a estratégia de criar “ilhas de tecnologia” na fazenda, com ajuda da irrigação, produtor alagoano quer produzir [email protected]/ha em 2020

Animais no projeto irrigado: 20 ha altamente produtivos.

Por Renato Villela

Para boa parte dos produtores superar a baixa produtividade é uma tarefa hercúlea. Com recursos muitas vezes insuficientes e sem saber ao certo o que fazer ou por onde começar, eles pulverizam as ações e nem sempre alcançam o resultado desejado. Acabam por se resignar em produzir poucas arrobas por hectare, com rentabilidade bem inferior àquela que a atividade pode oferecer.

O caminho para virar esse jogo não passa necessariamente por grandes investimentos, tampouco por atacar em várias frentes. Ao escolher uma pequena área da fazenda e focar nela seus esforços, o produtor pode torná-la uma referência produtiva dentro da propriedade, capaz de impactar o sistema como um todo e servir de modelo a ser replicado em outros locais.

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Chamadas de “ilhas de tecnologia” pelo consultor Wagner Pires, sócio-proprietário da Wagner Pires Consultoria & Treinamentos, de Indaiatuba, SP, essas pequenas porções de terra permitem que o produtor, com investimento menor, alcance altas produções de arrobas por hectare e se capitalize para que, aos poucos, tenha condições de expandir o modelo. “Melhorar a fazenda como um todo, de uma só vez, demanda muito dinheiro. O produtor desanima e desiste no meio do caminho”, diz ele.

Esse “oásis de produtividade” ainda desempenha papel estratégico e mercadológico, pois alivia a lotação na seca. Além disso, abre uma oportunidade de negócio em um período em que poucos têm pasto e a maioria precisa vender. O produtor pode comprar o gado a preços mais baixos e levar para dentro da “ilha”.

Mas afinal, por onde começar? Que tamanho essa ilha de tecnologia deve ter? Para o professor Moacyr Corsi, da Esalq/USP, pioneiro no uso desse tipo de estratégia, cabe ao dono da propriedade e não ao técnico estabelecer as dimensões da área que deseja intensificar. “O produtor é quem tem de dizer quanto pode investir por hectare”, diz.

Segundo o professor, o tamanho tem pouca importância para dar início a um projeto de intensificação. Para ilustrar o que diz, ele cita uma passagem sua quando era estudante de agronomia da Esalq, nos anos 70. “Começamos em uma área de apenas 1,4 ha, que representava 2% do total de pastagens que tínhamos no departamento de Zootecnia”, afirma. Já a escolha da área deve ficar a cargo da equipe técnica e não do produtor. “O técnico é quem identifica a melhor área para dar retorno econômico já no primeiro ano de investimento”, diz.

“Ilha” de alta produção

Ricardo Dantas, da Fazenda Novo Horizonte.

O produtor Ricardo Barreto Dantas, proprietário da Fazenda Novo Horizonte, localizada no município de São Sebastião, ao lado de Arapiraca, região do agreste alagoano, foi fornecedor de cana-de-açúcar para usinas sucroalcooleiras até 2010, quando decidiu enveredar de vez na pecuária. De início, a diferença de retorno financeiro entre as duas atividades o assustou. “A cana me trazia uma rentabilidade por hectare seis vezes maior do que a pecuária”, conta. A propriedade, de 150 ha, destinada à recria/ engorda, trabalhava no sistema tradicional, com piquetes grandes, entre 30-40 ha, sem nenhum aporte de tecnologia e taxa de lotação de apenas 1 UA/ha.

Incomodado com a baixa produtividade, Dantas buscou assistência junto ao consultor Wagner Pires, que havia conhecido em uma palestra, em 2014. Em vez de reformar toda a pastagem, Pires recomendou a criação da “ilha de tecnologia” em 20 ha, com o objetivo de explorar intensivamente a área, melhorar a rentabilidade para somente depois partir para o restante da fazenda.

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