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Revista DBO | Reinventando o boi-safrinha

Este sistema versátil, que permite produzir carne em áreas de integração lavoura-pecuária (ILP), ganha novos arranjos para antecipar uso do capim

Por Ariosto Mesquita

Pouco mais de três décadas após as primeiras experiências com o chamado “boi-safrinha”, o sistema se mostra apto a enfrentar novos desafios. Segundo o agrônomio Lourival Vilela, pesquisador da Embrapa Cerrados, a produção de animais em pastagens plantadas em junto ou imediatamente após as lavouras de grãos, em áreas de integração lavoura-pecuária (ILP) ou integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), já estão consolidadas e em fase de expansão.

Agora, surgem novos modelos preconizando a semeadura em momentos distintos do ciclo da soja ou do milho. Especialistas creditam esse movimento às necessidades do produtor de blindar sua produção das constantes intempéries climáticas (sobretudo secas e geadas atípicas), além de aumentar sua produção de carne na entressafra, quando a oferta forrageira e, consequentemente, de bois para abate é menor, o que eleva os preços.

Impensável em passado recente, hoje o plantio simultâneo do capim com a soja, na mesma operação, usando apenas uma máquina, já é uma realidade no campo. Imagine, então, o plantio de soja, milho e gramínea forrageira juntos. Já tem gente trabalhando nisso. Segundo levantamento da Embrapa, o Brasil produziu 3 milhões de bois-safrinha em 2020, gerando impacto econômico de R$ 887 milhões.

A receita bruta propiciada pelo sistema passou de R$ 6,2 bilhões, na safra 2017/2018, para R$ 12,3 bilhões, em 2019/2020. O balanço aponta que cada real investido em pesquisas com boi-safrinha no bioma, entre 2009 e 2015, permitiu o retorno de R$ 534,82 para a sociedade (veja quadro).

Segundo os pesquisadores, o sistema boi-safrinha aumenta em 10%-15% a produtividade da soja, garante de 6 a 12 @/ha em pastagens de curta duração, melhora as condições do solo (com maior deposição de matéria orgânica), favorece o desempenho animal e a possibilita melhor ciclagem de nutrientes, poupando adubos químicos.

A criação de gado em pastagens temporárias de entressafra foi viabilizada pelo sistema de plantio direto (SPD), no final do século passado. Essa técnica possibilita cultivos sem revolvimento da terra com grades e arados. Quando os agricultores perceberam que plantar capim (sobretudo braquiária) com milho-safrinha garantia palhada mais abundante, ajudando a reter umidade e possibilitando ao solo enfrentar os meses secos sem redução drástica na atividade microbiológica, abriu-se a porteira para o boi-safrinha.

“Como não havia maquinário ajustado para fazer plantio sobre cobertura tão volumosa, recorreu à mais eficiente das roçadeiras biológicas: o boi, retirado da área pouco antes da semeadura da lavoura seguinte”, conta o pesquisador Lourival Vilela.

Esse “divisor de águas” para a pecuária, segundo o pesquisador, ocorreu um pouco antes do ano 2000. O sistema forneceu nova fonte de renda aos agricultores e garantiu forragem de qualidade para os pecuaristas na entressafra. À época, era comum o “boi-sanfona”, que engordava nas águas e emagrecia na seca.

O nome boi-safrinha, segundo Vilela, surgiu de uma analogia com o milho-safrinha. O pesquisador salienta, contudo, que o termo é genérico, referindo-se ao sistema, que pode receber em pastejo tanto vacas ou novilhas, quanto animais de recria, ou seja, qualquer lote que possa aproveitar a forragem.

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