17 de maio de 2021

Coluna do Danilo: Em diferentes canoas, mas no mesmo rio

Na edição de maio da Revista DBO, o zootecnista Danilo Grandini compara os custos e resultados do confinamento no Brasil, Argentina, Austrália e África do Sul. Confira

Por Danilo Grandini – Zootecnista, com pós-graduacão em análise econômica e diretor de marketing da Phibro para o Hemisfério Sul (Austrália, África do Sul, Argentina e Brasil).

Tempos turbulentos trazem um comportamento bem interessante para todos os setores da economia: a necessidade de se comparar! Mais precisamente a busca de uma baliza para saber se estamos no caminho certo, ou mesmo um tipo de orientação. Eu acredito que esse tipo de iniciativa nos ajuda, e muito, a entender melhor o que se passa no País, em nosso setor, para descobrir oportunidades, decidir mais assertivamente, e, frequentemente, cometer o chamado “erro consciente”.

É particularmente interessante ver a dinâmica do setor de confinamento, cuja predominante sazonalidade impõe um desafio adicional: o que fazer neste momento? A decisão estratégica envolvendo a terminação de um estoque em período relativamente curto, nos leva à busca do negócio excelente e daí decorre toda dificuldade de se decidir.

Ao buscar referências e nos compararmos, seria interessante também nos perguntarmos se nosso modelo de negócio (aqui falo do macro) nos trará sustentação no futuro. Eu tenho a opinião sincera de que geração de muitos bons negócios é sempre melhor que um único e excelente, mas, para isso ficar evidente, precisamos rever a estrutura da cadeia de negócios, buscando, genuinamente, a agregação de valor da produção à comercialização.

Confuso? Bom, precisamos tipificar, criar categorias e padrões perceptíveis para os consumidores, para que eles melhor escolham o que desejam comprar. Isso possivelmente nos levará ao caminho da meritocracia, a padrões de produtos mais estáveis, e um modelo de produção de menor sazonalidade, forçando-nos a tomar decisões e gerenciar as estratégias na atividade de produção com uma frequência quase que mensal. Como o hábito faz o monge, daríamos um salto de décadas em favor da sustentabilidade do nosso negócio.

Voltando à ideia de se balizar por referências existentes e tendo em consideração a atividade de confinar neste inverno, vejamos como estamos em relação aos demais países produtores de carne vermelha. A tabela abaixo, nos anos selecionados (2018, antes da febre suína africana e Covid; 2021, todos os fatores impactados), mostra alguns dados interessantes listados abaixo:

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Prosa Quente: “O Oriente é o farol dos nossos navios”

Marcos Jank afirma, em entrevista a Revista DBO, que o futuro do agronegócio brasileiro, nos próximos 40 anos, está diretamente ligado às economias emergentes da Ásia

Marcos Jank, pesquisador no Insper

Por Moacir José

Quando saiu do Brasil, em janeiro de 2015, rumo a Singapura ‒ um dos quatro “tigres” do sudeste asiático, junto com Hong Kong, Coreia do Sul e Taiwan ‒, o engenheiro agrônomo Marcos Sawaya Jank já carregava, em sua bagagem, larga experiência como presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) e do Icone (Instituto de Estudos do Comércio e das Negociações Internacionais, área em que é mestre, formado pela francesa Montpelier).

Sua ida para Singapura, como representante da gigante Brasil Foods (BRF), tinha o objetivo de abrir espaço para os produtos brasileiros, principalmente as carnes de aves e suínos. Dois anos depois, passou a representar também a Abiec (exportadores de carne bovina), a ABPA (exportadores de carne suína e de frango) e a própria Unica. Em todo o período, ele calcula que viajou mais de 50 vezes (praticamente uma vez por mês) para a China. Cobriu Japão, Coreia, Índia, Indonésia, Tailândia, não somente para prospectar o segmento de exportação, mas também o de investimentos.

Retornou ao Brasil em maio de 2019 e, em seguida (julho), integrou os quadros do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), de São Paulo, onde leciona e coordena o Centro Insper Agro Global, que estuda os grandes vetores de transformação do agronegócio mundial.

Um dos focos das pesquisas desse centro é Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean, na sigla em inglês), que reúne 10 países da região, cinco deles (Indonésia, Mianmar, Tailândia, Filipinas e Vietnã) com mais de 50 milhões de habitantes. Para Jank, esse grupo, mais China, Hong Kong, Coreia do Sul e Japão, forma o que ele chama de “holofotes do presente”, ou seja, a região do mundo que pode absorver quantidades crescentes de produtos agropecuários, justamente por causa de seu vigor econômico e do aumento na renda per capita.

“Tenho absoluta certeza de que o futuro do agronegócio brasileiro nos próximos 40 anos está diretamente ligado às economias emergentes da Ásia. O Oriente é o farol dos nossos navios”, diz ele nesta entrevista concedida, de forma remota, ao jornalista Moacir José, colaborador de DBO.

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