22 de junho de 2021

“Precocinha” que não emprenha vai para o gancho

Experimento da Apta-Colina mostra que a recria/engorda intensiva das novilhas que falham na IATF é bom negócio para o produtor

Novilhas Nelore de 16 meses ganharam em média 1,2 kg dia de peso vivo na recria.

Por Renato Villela

Criadores que investem pesado na suplementação de novilhas jovens Nelore com o objetivo de “desafiá-las” para a vida reprodutiva em idade precoce (12-14 meses), não raro se questionam sobre a viabilidade financeira da empreitada. Não é para menos: o investimento é alto para se obter índices de prenhez que costumam oscilar entre 60% e 70% para essa categoria. E as que não emprenham geralmente ficam na fazenda para ser emprenhadas aos 24 meses. Daí, para qualquer direção que se olhe, a conta não fecha.

“O custo para essa fêmea parir somente aos três anos será extremamente alto. Da mesma forma, se somarmos todo o investimento feito em nutrição e dividirmos pelas que emprenharam aos 14 meses, também temos um custo elevado. É um gargalo da suplementação de ‘precocinhas’ ”, afirma Gustavo Rezende Siqueira, pesquisador da Apta – Agência Paulista de Tecnolgia dos Agronegócios, de Colina, SP.

Para desatar este nó, pesquisadores da instituição fizeram um experimento confinando essas fêmeas. O trabalho teve dois objetivos principais: avaliar a viabilidade da suplementação na recria, inserindo a estratégia no sistema de produção como um todo, e o efeito do tempo de confinamento sobre as características produtivas (ganho de peso, ganho em carcaça e eficiência alimentar) das jovens novilhas Nelore. Berço do boi 777, a Apta-Colina se dedica há anos a estudos de prenhez e engorda de fêmeas, e já testou diferentes raças e níveis de suplementação no cocho.

Nos últimos três anos, intensificou os estudos com a categoria. “Para emprenhar uma fêmea comercial – não a de um programa de melhoramento –, é preciso um aporte nutricional mais pesado na recria. Esse investimento só compensa se as vazias forem para o abate em condições de obter valorização próxima da do macho”, diz.

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Recria confinada “esticada” ganha adeptos no Paraná

Produtores da Cooperativa Maria Macia atrasam momento de entrada dos animais no confinamento para reduzir custos da engorda

Novilhos em recria intensiva na Fazenda Santa Rita, em Prudentópolis (PR): 250 dias de recria no cocho para diminuir gastos com confinamento. (Foto: Nicolau Chodoma)

Por Renato Villela

Produtores paranaenses que trabalham com sistemas intensivos, visando alta produção de arrobas por hectare, encontraram uma forma de driblar a alta dos insumos, em especial do milho, e reduzir os custos com a terminação. A estratégia não está na etapa final do ciclo, mas um passo atrás, na recria. Logo após a desmama, os animais vão para uma espécie de “recria confinada”, onde permanecem por 180 dias ou mais, consumindo uma dieta à base de volumoso, com foco no desenvolvimento corporal.

Quanto mais peso ganham durante essa estadia, menos tempo terão de confinamento. A vantagem fica evidente nos números. Enquanto a diária à base de silagem de milho gira em torno de R$ 4,50/cab, a de terminação pode chegar tranquilamente a R$ 15/cab, considerando-se apenas o custo de nutrição.

“Quando os produtores fizeram esse cálculo, decidiram espichar a recria a cocho, para produzir mais arrobas a custo menor”, relata o consultor Paulo Emílio Prohmann, responsável técnico da Cooperativa Maria Macia, que fica em Campo Mourão (PR), tem 170 filiados e abate 2.000 animais/mês, com padrão grill (machos inteiros, de até 2 dentes e acabamento mediano).

“Já conseguimos 10% de ágio em nosso produto, mas, hoje, com o mercado pressionado, está difícil. Os produtores têm mantido sua produção intensiva por causa da alta produtividade (até [email protected]/ha). É daí que vem o lucro”, diz Prohmann.

Paulo Prohmann, responsável técnico da Cooperativa Maria Macia. 

Segundo ele, a “recria a cocho esticada” viabiliza todo o sistema, pois o milho caro tem feito os confinamentos praticamente trabalhar no vermelho, mesmo com a arroba valorizada.

A técnica difere do “sequestro” ou “resgate”, que é a manutenção de animais a cocho em períodos de transição (quando falta pasto), por pouco tempo (30-60 dias) e com ganhos medianos (500 e 600 g/cab/dia). Já a “recria a cocho” é mais longa (120-250 dias) e visa ganhos de 1 a 1,2 kg/cab/dia, tratando os animais com volumoso na proporção de até 2,4% do peso vivo.

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