17 de setembro de 2021

Cérebro “eletrônico” no apoio ao pecuarista

Plataforma digital só precisa de algumas informações de campo para apontar quais decisões podem trazer os melhores resultados

Por Ariosto Mesquita

O que leva um profissional a abrir mão de uma carreira bem-sucedida, com boa remuneração, à frente de um grupo empresarial sólido da pecuária brasileira, para começar um negócio “do zero”? Essa certamente foi a pergunta que muitos fizeram ao final de 2020, quando Paulo Dancieri, então principal executivo da Coimma (especializada em troncos, balanças e tecnologia para o agronegócio), pediu demissão para tocar sua própria empresa: a então desconhecida startup Bovexo.

Hoje, ele próprio responde: “A contribuição que eu posso oferecer atualmente para a pecuária e para a minha satisfação pessoal é maior produzindo ciência e tecnologia. Foi uma decisão de risco, mas ao mesmo tempo estimulante e recompensadora”.

Quase um ano depois, a guinada de Dancieri se desenha bem planejada e estratégica. Sua startup, criada em 2019 em sociedade com o administrador Carlos Jorge Pinto Gomes, começou em 2021 a ocupar uma lacuna de mercado que ele vislumbrou enquanto comandava a Coimma e comercializava, dentre outras coisas, a balança de passagem (Balpass), tecnologia de pesagem de animais a campo, desenvolvida na Embrapa Gado de Corte (Campo Grande, MS).

Sua angústia vinha da percepção de que a imensa maioria das ferramentas digitais disponíveis no mercado captava informações, mas não as tratava. Nesta situação, pelo seu ponto de vista, o pecuarista recebia dados sem o acompanhamento de subsídios sobre o que fazer com eles, pois não havia uma análise interpretativa e preditiva do processo produtivo.

Paulo Dancieri, sócio da Bovexo.

“A Bovexo é uma plataforma digital construída para fazer com que o pecuarista tome decisões mais assertivas e aumente sua margem de lucro. É uma espécie de cérebro que processa informações para deixar o produtor livre para cumprir sua principal rotina, que é pesar seus animais. Esta é a informação mais significativa que ele tem de injetar. A partir dela, o sistema vai fazendo as recomendações”, explica.

A ferramenta foi testada ao longo de 2020 e chegou definitivamente ao mercado em fevereiro deste ano. Até meados de agosto, segundo Dancieri, a Bovexo atendia uma clientela detentora de 40.000 animais (15% em confinamento e 85% a pasto). Quem contrata o serviço paga uma licença de uso cujo valor (não divulgado por ser estratégico) é determinado em R$/cabeça/mês. A taxa mínima é de um salário mínimo para uso em até 100 cabeças.

Não há contrato estipulado em meses. Não amarramos fidelidade. O produtor deve usar a Bovexo enquanto for útil para ele”, garante o empresário.

Como funciona

Este cérebro digital (que pode ser alimentado e atualizado) funciona como um acumulador de premissas zootécnicas, detalhes genéticos das principais raças e de informações gerais sobre as variáveis que influenciam a atividade pecuária.

“A Bovexo utiliza inteligência artificial (base de algoritmos) para apontar os caminhos para o pecuarista. Não é uma ferramenta de gestão e não usa machine learning, avisa Dancieri se referindo ao “aprendizado de máquina”, que é a capacidade dos computadores em ‘aprender’ sem terem sido necessariamente programados.

Além dos aspectos internos relacionados à propriedade, a Bovexo é alimentada com informações externas de mercado. “Hoje trabalhamos com a curva de preço futuro em parceria com a Carta Pecuária”, informa, referindo-se ao informativo elaborado por Rogério Goulart, de Dourados, MS. O instrumento usa o conhecimento de seus algoritmos para processar muitas variáveis, apontando caminhos para as decisões do pecuarista.

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Hora de “virar a página” da produção baseada só na produtividade

Para o zootecnista Danilo Grandini, a tipificação de carcaças é o próximo passo para a evolução da pecuária brasileira; confira o artigo na Revista DBO

Foto: Eduardo Rocha

Por Danilo Grandini – Zootecnista, com pós-graduacão em análise econômica e diretor Global de Marketing Bovinos da Phibro.

Este ano tem sido especialmente interessante para discussões a respeito dos modelos estruturais de produção. Junto a colegas que respeito e admiro, tive bons momentos para divagar sobre esse tema e sobre os próximos passos da pecuária brasileira. As visões são as mais variadas possíveis.

A mais comum delas é de que, finalmente, encontramos nossa posição no mercado e nosso modelo produtivo seria o da commodity competitiva, capaz de atender às demandas vindas tanto do mercado interno quanto do externo, de forma responsiva, ágil e eficaz. Aparentemente, o fato de não termos um modelo de produção único seria um bom negócio, pois possibilitaria atender o maior número de oportunidades possíveis.

Não posso discordar do fato de que o Boi China é uma realidade desde meados de 2019 e que, sim, a pecuária brasileira tem todos os méritos por ter conquistado essa oportunidade de mercado. Entretanto, o que esteve por trás dessa conquista, além da óbvia demanda, foi a habilidade na comunicação/divulgação do padrão de carne requerida para exportação ao país asiático, em termos de pH, peso, acabamento e idade. Felizmente, trata-se de uma mercadoria passível de produção sem mudanças drásticas no modelo de pasto, proteinado e grãos.

Inversão positiva

O que pouca gente percebeu, porém, é que houve uma inversão na ordem até pouco tempo vigente. Ou seja, foi a especificação do produto que definiu o sistema de produção do animal. Dada a magnitude das exportações para o mercado chinês, talvez esta seja a maior lição que tivemos.

Muito bem, mas e agora? O que vem pela frente fora o boi China? Qual seria a página a ser virada na próxima década? Para mim, é a tipificação de carcaças e neste ponto talvez eu tenha observado maior oposição junto aos colegas.

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