ARTIGO | Abatedouros móveis! Uma visão de bem-estar animal na pecuária de corte

A médica veterinária Roberta Züge foi uma das escritoras no projeto elaborado para Comissão de Educação Sanitária da Superintendência Federal de Agricultura no Estado de São Paulo

por Roberta Züge*

O Brasil sempre se orgulha de suas dimensões continentais. Isto realmente traz diversas vantagens, como por exemplo, ter uma gama imensa de produtos que podem ser cultivados em diferentes climas, de maçã a caju, de cacau ao trigo.

É possível ter duas safras ao ano de várias culturas, já que a neve não castiga o solo e o impede de produzir. Também de poder manter animais sob pastagens sem grandes alterações climáticas, em diversas partes do país.

Por outro lado, às vezes, esta dimensão pode punir quando falamos de bem-estar animal e transporte. A possibilidade de abate mais próximo, muitas vezes é impeditivo devido às restrições sanitárias e ambientais, que devem, sem a menor dúvida, serem cumpridas.

A França, país europeu que tem quase a mesma extensão que a Bahia, e estruturas de estradas muito boas, inovou e buscou alternativas para melhorar o respeito aos animais.

Emilie Jeannin, criadora de gado Charolês há mais de 15 anos na região da Borgonha, após conhecer uma iniciativa sueca, buscou também a possibilidade de um abatedouro móvel em sua região.

A criadora se sentia incomodada em ver que, diversas vezes, todo seu trabalho de criação seguindo os conceitos de bem-estar animal, perdia-se entre o transporte e o abate em grandes plantas industriais. Hoje o projeto Carne Ética e Abatedouro Móvel é uma realidade.

O abatedouro vai de propriedade em propriedade, atendendo apenas um por dia. São cinco profissionais para realizar as atividades. A equipe é treinada em proteção animal em matadouros (Qualificação de Gerente de Proteção Animal), assim como em bem-estar animal por especialistas (IDELE: Instituto de Pecuária e Veterinária). Para garantir o cumprimento das severas normas sanitárias, um veterinário do Estado está presente durante todo o processo de abate.

Para os adeptos do novo processo, este sistema de abate, mitiga o estresse de transportes, garante mais tranquilidade aos animais, menor mudança repentina de ambiente, desagregação do grupo social e mistura com animais desconhecidos. Com isso, há a produção de uma carne de melhor qualidade e sustentabilidade ao consumidor.

Esta alternativa pode ser viável para algumas iniciativas brasileiras também. Talvez os grandes volumes comercializados pelo país, demandem mais agilidade nos processos, com menor custo. Mas abre uma possibilidade para os mercados diferenciados para consumidores que buscam a garantia de uma carne produzida dentro de conceitos de sustentabilidade e bem-estar animal, assim como, da sanidade do produto.

Ou mesmo, melhor atendimento regional de locais bem distantes dos grandes abatedouros e processadores, o que pode permitir a diminuição da clandestinidade, que infelizmente ainda é uma realidade brasileira.

* Médica veterinária, Mestre e Doutora em Reprodução Animal pela Universidade de São Paulo (USP), com especialização em Ética e Responsabilidade Social Empresária no Agro pela Universidade de Bolonha e Especialização em Reprodução Animal realizada em Hannover, na Alemanha; Diretora Administrativa do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS); Diretora de Inteligência Científica Milk.Wiki; Sócia da Ceres Qualidade

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