Dia a Dia do mercado pecuário em 21 de fevereiro de 2019

Arroba estável em São Paulo e baixa oferta de capim. Confira as principais notícias de mercado desta quinta-feira
Ilustração: Edgar Pera

 

Preço da carne bovina recua no atacado paulista

O preço da carne bovina perdeu fôlego no atacado paulista e recuou 0,5% ao longo desta semana, cotada em R$ 10,38/kg, informa a consultoria Agrifatto, de Bebedouro,SP.

Na quarta-feira, o indicador Esalq/BM&F ficou em R$ 149,70/@, registrando estabilidade diária. Com isso, o spread (diferença de preços) entre a carne bovina no atacado e a arroba do boi gordo, que estava em 4,49% na terça-feira (19), caiu para 3,96%.

Indicador Bezerro também segue praticamente estável, no ritmo do boi gordo

Com o mercado do boi gordo andando de lado, o Indicador Bezerro ESALQ/BM&FBovespa (animal Nelore, de 8 a 12 meses) acompanha esse movimento, registrando pequenas oscilações nesta semana. Na quarta-feira, fechou a R$ 1.228,52, na praça do Mato Grosso do Sul, com ligeira valorização de 0,5% sobre o dia anterior, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

No acumulado do mês, o preço atual do bezerro na praça do MS também mostra certa estabilidade, também com pequena alta de 0,5% em relação ao valor de 31 de janeiro, de R$ 1.222,03.

Na avaliação das consultorias, o mercado da reposição passou a ficar mais devagar a partir do registro de um período de estiagem (em dezembro e janeiro, principalmente) nas principais regiões pecuárias, o que prejudicou o desenvolvimento das pastagens.

Escassez atípica de gado para este período do ano deixa arroba do boi estacionada abaixo dos R$ 150, em São Paulo

O Indicador ESALQ/BM&FBovespa do boi gordo (Estado de São Paulo, valor à vista) continua operando abaixo dos R$ 150 – fechou quarta-feira a R$ 149,70, com estabilidade em relação ao preço do dia anterior, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP).

No acumulado do mês, o indicador apresenta desvalorização de 2,4%, na comparação do fim de janeiro (R$ 153,30).

Como nos dias anteriores, o mercado pecuário brasileiro registrou poucos negócios na quarta-feira, com a decisão das indústrias frigoríficas em postergar consideravelmente as suas compras de boiada, buscando evitar aumentar a pressão baixista sobre os preços dos principais cortes bovinos no mercado atacadista, relata a Informa Economics FNP, de São Paulo.

Paralelamente, a oferta de animais terminados continua bastante enxuta, situação atípica para este período do ano, período de safra de animais engordados com capim.

A irregularidade das chuvas nos meses de janeiro e dezembro prejudicou a pastagem em muitas regiões do Brasil e, por consequência, a engorda dos lotes terminados a pasto.

Com oferta de capim insuficiente, o jeito é partir para a suplementação com ração para vender bois terminados

Com o registro de estiagem em dezembro e janeiro nas principais regiões pecuárias, boa parte dos bovinos do Brasil Central ficou sem pastagens suficientes para a terminação dos lotes, pelo menos neste momento.

A saída para conseguir negociar rapidamente pelo menos uma parte da boiada e, com isso, garantir o caixa da fazenda, foi partir para a suplementação com ração, lançando mão de uma espécie de semiconfinamento antecipado.

O problema, relata a Informa Economics FNP, de São Paulo, é que, na hora de fechar negócios com os frigoríficos, os pecuaristas tentam, sem sucesso, valores mais altos para os lotes que receberam a ração, para compensar o maior investimento na engorda.

Cautelosa, a indústria prefere esperar a entrada do mês de março, quando teoricamente cresce a oferta de “boi de capim”. Enquanto isso, o que se vê no mercado do boi gordo, informa a FNP, são apenas negócios mais firmes envolvendo alguns frigoríficos exportadores que, com escalas de abate bastante curtas, buscam atender compromissos urgentes de entregas aos exterior, compondo seus estoques com novilhas e bois inteiros.

Consumidores de SP passam ao largo das bandejas de filé mignon

Em uma análise mais apurada sobre o comportamento do preço da carne bovina no atacado de São Paulo durante os primeiros meses deste ano, a Scot Consultoria, de Bebedouro, mostra que houve uma queda de 7,3% no valor médio do produto (considerando todos os cortes) desde o fim de dezembro de 2018.

“Essa baixa foi puxada pelos cortes de traseiro, que caíram 9,3% nessa mesma base de comparação”, observa a consultoria. Por sua vez, os cortes de dianteiro ficaram praticamente estáveis, com recuo de 0,3% no período analisado.

Como os cortes de traseiro normalmente são mais caros que os cortes de dianteiro, é normal que esses produtos sejam menos demandados em períodos de renda restrita, como o atual, relata a Scot.

“Este sintoma de falta de dinheiro no bolso dos consumidores fica nítido quando os produtos mais caros lideram as desvalorizações”, destaca a consultoria, acrescentando que o filé mignon teve seu preço reduzido em 15% desde o fim do ano passado

Margem dos frigoríficos é a menor desde setembro de 2016, aponta a Scot Consultoria

Pela lei de mercado, quanto menor é oferta, maior é o preço. Porém, embora haja escassez de bois prontos para o abate no País, os frigoríficos estão com dificuldade para elevar o valor de venda da carne bovina no atacado.

O motivo é um só: a demanda doméstica pelo bife e outros corte de carne vermelha ainda encontra-se em estado de dormência, o que prejudica o escoamento da produção por parte da indústria.

O resultado disso, mostra a Scot Consultoria, de Bebedouro, SP, é a redução nas margens de comercialização dos frigoríficos responsáveis pela desossa do boi. Em São Paulo, a margem atual de venda da carne bovina caiu para 15,8%, a menor desde setembro de 2016.

JBS vai buscar milho mais barato na Argentina

A JBS confirmou, em nota, a informação que circulou em veículos da imprensa nesta semana de que teria fechado a importação de 30 mil toneladas de milho da Argentina.

A empresa disse que o navio deve chegar ao Brasil em março e que “avalia a possibilidade de outros embarques para as próximas semanas”, segundo matéria publicada hoje pelo Broadcast Agro.

“O país vizinho tem apresentado melhor competitividade em relação ao custo atual do milho no Brasil”, afirmou o frigorífico.

Segundo apurou o Broadcast, enquanto milho argentino colocado em unidades da empresa no sul de Santa Catarina é negociado a R$ 40,50/R$ 41 a saca, o cereal adquirido no Paraná ou em Mato Grosso do Sul custaria, com frete e impostos, R$ 44 a R$ 45/saca.

Valor Bruto da Produção (VBP) cresce abaixo da inflação no MT

O Valor Bruto da Produção (VBP) da pecuária bovina mato-grossense deve crescer 2,8% em 2019, para R$ 12,421 bilhões, segunda a primeira estimativa para o ano divulgada pelo Instituto Mato-Grossense da Carne (IMAC), um serviço social autônomo, formado por representantes do setor produtivo, da indústria, do Estado e da sociedade para promover a carne de Mato Grosso. Em 2018, o VBP fechou em R$ 12,081 bilhões.

Embora o ganho estimado represente um avanço anual (melhor resultado dos últimos quatro anos), a taxa de aumento do VBP-MT está abaixo da inflação. “É um número positivo, mas que não representa ganho real ao pecuarista”, diz a pesquisadora e consultora em pecuária Mariane Crespolini.

Bezerros valorizados no Sudoeste do PR

O leiloeiro Cândido Scholl, da Pampa Remates, com atuação no Sudoeste do Paraná e Noroeste de Santa Catarina, diz que em oito remates realizados desde o início do ano a oferta de terneiros cruzados não foi suficiente para a demanda regional.

As cotações se valorizaram em torno de 10%. Em Dois Vizinhos, PR, a 20 de janeiro, o preço médio dos machos foi de R$ 1.615. Em Água Doce, SC, a 9 de fevereiro, cruzados pesando de 250 a 310 kg chegaram a mais de R$ 2.100.

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