Indústria vê mais uma semana de arroba firme e leva negócios de boi em boi

Durante a semana, preços do boi gordo registraram volatilidade; destaque para as valorizações nos preços das fêmeas

Nesta semana, o mercado físico do boi gordo registrou volatilidade nos preços da arroba. Na comparação com a semana anterior, a arroba se desvalorizou em São Paulo e no Mato Grosso do Sul, e subiu de valor nas praças do Pará, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Nas demais regiões, os preços ficaram estáveis, segundo levantamento da consultoria IHS Markit, sediada na capital paulista. Mesmo depois do registro de algumas quedas, porém, as cotações das boiadas se mantêm firmes nas principais regiões produtores – em São Paulo, por exemplo, vale atualmente R$ 223/@, a prazo, valor máximo.

As variações mistas durante a semana se devem ao impasse vivido pelo setor pecuário, observa a IHS. A entrada do período de entressafra do boi, quando o mercado já não dispõe de maiores ofertas de animais de pasto, gera uma típica pressão de alta nas cotações. Porém, a demanda interna pela carne bovina segue bastante irregular, prejudicando as margens de compra de boa parte das indústrias.

“Com dificuldades na aquisição de matéria prima e instabilidade no escoamento dos cortes para o atacado, os frigoríficos adotaram a estratégia de reduzir ainda mais o ritmo dos abates diários, na tentativa de ajustar sua produção e equilibrar as suas margens operacionais”, relata a consultoria.

Já do lado vendedor, a oferta restrita de animais se deve, como já observado desde meados de maio, a um esgotamento na disponibilidade de gado terminado a pasto e baixa quantidade de boiada oriunda do primeiro giro de confinamento.

“Com as incertezas entre os agentes durante o mês de março gerada pela pandemia, quando muitos pecuaristas tomam suas decisões sobre confinar, houve uma redução no alojamento de animais e, em função disso, há menos lotes prontos para abater atualmente no mercado”, avalia a IHS.

Nesse cenário de oferta restrita, os lotes são negociados a preços definidos de acordo com a necessidade das indústrias frigoríficas, o que tem levado a maior volatilidade dos preços.

Escalas de abate apertadas

Os compradores, na maior parte dos casos, operam com escalas de abate bastante apertadas e, no caso das plantas habilitadas para exportação, a necessidade de abate mantem um fluxo mais regular de aquisição para cumprir com os compromissos, o que explica, em parte, as valorizações na arroba em algumas praças pecuárias.

Por sua vez, as indústrias que atendem ao mercado interno atuam mais receosas nas suas operações. A crise econômica gerada pela pandemia da Covid-19 deve impactar o consumo de proteínas e, naturalmente, sobretudo os cortes bovinos, que são mais caros, observa a IHS.

Com a chegada da segunda quinzena desse mês de julho, quando parte da população dispõe de menor poder aquisitivo, o ritmo das vendas no atacado ficou mais instável e os preços dos principais cortes caíram nesta semana. No mercado internacional, porém, o desempenho das vendas externas segue positivo, atendendo à demanda aquecida, principalmente da China.

“Dados sobre o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) chinês superou expectativas e confirmam a sinalizada recuperação do mercado asiático, tendo como um dos resultados a manutenção da compra de volumes expressivos das carnes do Brasil”, destaca a consultoria.

Segundo relatório parcial da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), nos oito primeiros dias úteis de julho, foram exportadas 6,6 mil toneladas/dia, média 14% acima da verificada em julho de 2019.

Sexta-feira morna

Nesta sexta-feira, apesar do mercado físico do boi gordo registrar baixa liquidez de negócios, as cotações da arroba continuam firmes, tendo registrado algumas altas entre algumas praças pecuárias do Brasil. No último dia da semana, as indústrias atuaram cautelosas nos negócios, com receio de, diante da instabilidade no consumo doméstico de carne bovina, ocorrer a formação de excedentes de produto nas câmaras frigoríficas, informa a IHS Markit.

Covid-19 no Sul e Centro-Oeste

O crescimento do número de casos de Covid-19 em algumas áreas do País, principalmente no Sul e Centro-Oeste, deve prejudicar a demanda nacional pela carne, que depende em grande parte do nível de atividade nas cidades, relata a IHS. “Dessa forma, a tendência de curto prazo para os preços da boiada gorda é de estabilidade”, prevê a consultoria.

Os frigoríficos não parecem dispostos a elevar os valores pagos pelos animais terminados, como estratégia para preservar suas apertadas margens operacionais. Por outro lado, a restrição de oferta deve limitar ajustes negativos sobre os preços da arroba de forma mais expressiva.

Atacado estável

No atacado, depois de registrar ajustes negativos na quinta-feira, as cotações dos principais cortes bovinos ficaram estáveis nesta sexta-feira.

“Mesmo com a produção regulada nas indústrias, a oferta dos cortes deve ficar acima da procura, sem margem para novos ajustes positivos”, projeta a consultoria.

Giro pelas praças

Em Minas Gerais, os negócios de boiada para abate foram fechados a valores maiores nesta sexta. A dificuldade de compra de matéria prima tem emplacado forte pressão altista no Estado.

No Pará, a arroba da vaca gorda se valorizou nesta sexta-feira. Pecuaristas da região conseguem especular cotações mais altas pelos animais a partir da estratégia de retenção nas propriedades.

No Tocantins, os preços da boiada também subiram nesta sexta-feira sustentados pela baixa oferta de gado pronto para abate.

Confira as cotações máximas do boi gordo e da vaca gorda nesta sexta-feira, 17 de julho, de acordo com a FNP:

SP-Noroeste:

boi a R$ 223/@ (prazo)

vaca a R$ 207/@ (prazo)

MS-Dourados:

boi a R$ 206/@ (à vista)

vaca a R$ 194/@ (à vista)

MS-C. Grande:

boi a R$ 208/@ (prazo)

vaca a R$ 195/@  (prazo)

MS-Três Lagoas:

boi a R$ 208/@ (prazo)

vaca a R$ 195/@ (prazo)

MT-Cáceres:

boi a R$ 192/@ (prazo)

vaca a R$ 181/@ (prazo)

MT-Tangará:

boi a R$ 192/@ (prazo)

vaca a R$ 181/@ (prazo)

MT-B. Garças:

boi a R$ 193/@ (prazo)

vaca a R$ 185/@ (prazo)

MT-Cuiabá:

boi a R$ 192/@ (à vista)

vaca a R$ 182/@ (à vista)

MT-Colíder:

boi a R$ 186/@ (à vista)

vaca a R$ 179/@ (à vista)

GO-Goiânia:

boi a R$ 210/@ (prazo)

vaca R$ 199/@  (prazo)

GO-Sul:

boi a R$ 211/@ (prazo)

vaca a R$ 199/@ (prazo)

PR-Maringá:

boi a R$ 217/@ (à vista)

vaca a R$ 197/@  (à vista)

MG-Triângulo:

boi a R$ 218/@ (prazo)

vaca a R$ 205/@ (prazo)

MG-B.H.:

boi a R$ 216/@ (prazo)

vaca a R$ 205/@ (prazo)

BA-F. Santana:

boi a R$ 220/@ (à vista)

vaca a R$ 213/@ (à vista)

RS-P.Alegre:

boi a R$ 220/@ (à vista)

vaca a R$ 213/@ (à vista)

RS-Fronteira:

boi a R$ 220/@ (à vista)

vaca a R$ 213/@ (à vista)

PA-Marabá:

boi a R$ 206/@ (prazo)

vaca a R$ 195/@ (prazo)

PA-Redenção:

boi a R$ 204/@ (prazo)

vaca a R$ 197/@ (prazo)

PA-Paragominas:

boi a R$ 206/@ (prazo)

vaca a R$ 196/@ (prazo)

TO-Araguaína:

boi a R$ 210/@ (prazo)

vaca a R$ 203/@ (prazo)

TO-Gurupi:

boi a R$ 208/@ (à vista)

vaca a R$ 202/@ (à vista)

RO-Cacoal:

boi a R$ 191/@ (à vista)

vaca a R$ 181/@ (à vista)

RJ-Campos:

boi a R$ 205/@ (prazo)

vaca a R$ 195/@ (prazo)

MA-Açailândia:

boi a R$ 205/@ (à vista)

vaca a R$ 193/@ (à vista)

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