Movimento é de valorização contínua da arroba

Preço segue com forte viés altista, sem espaço para ajustes negativos, ao menos no curtíssimo prazo

Ao longo desta semana, os preços do boi gordo subiram em todas as principais praças pecuárias do Brasil, reforçando a tendência altista no mercado. O movimento de valorização da arroba continua tendo suporte na enorme escassez de oferta de animais terminados, relata a IHS Markit. Essa falta de boiadas prontas reflete o período de entressafra no Brasil e menor alojamento de animais nos confinamentos de 2020, em função principalmente dos preços elevados dos insumos que compõem a ração animal, como o milho e farelo de soja.

Neste contexto, observa a IHS, mesmo em um momento redução no consumo da proteína no mercado interno – devido ao período de final de mês, quando teoricamente sobra menos dinheiro no bolso dos trabalhadores –, os preços pagos pela arroba bovina seguem com forte viés altista, sem espaço, ao menos no curtíssimo prazo, para ajustes negativos.

“Desde o início do ano, a restrição de oferta de boiada é observada de forma generalizada em todo o Brasil e confirmada por dados indicativos do setor”, ressalta a IHS, citando informações relativas aos frigoríficos do Mato Grosso, o Estado com maior rebanho bovino do País. Lá, segundo relatório recente do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imeia), a utilização da capacidade industrial ficou em 72,1% em agosto passado, quando em igual período de 2019 esse percentual era 81,5%.

Essa menor utilização industrial, analisa a IHS Markit, é um indicativo da enorme dificuldade das plantas frigoríficas do Mato Grosso em preencher as programações de abate, reflexo da menor disponibilidade de gado.

Sobe geral

Entre as principais praças pecuárias pesquisadas pela IHS Markit, todas apresentaram aumento na arroba frente à semana anterior. Na comparação à 2019, esses avanços são ainda mais expressivos, evidenciando o momento que vive o setor.

No Pará, por exemplo, o acréscimo no preço da arroba chega a 65% se comparado ao valor de igual período do ano passado. Em Marabá, o preço atual do boi gordo está em R$ 250/@, a prazo, enquanto em Paragominas vale R$ 247/@, segundo dados da IHS. “No Pará, alguns frigoríficos alegam só conseguir preencher as programações de abate mediante utilização de gado próprio ou comprado no mercado a termo”, informa a consultoria.

Exportações seguem em ritmo forte

A pressão sobre as escalas de abate das indústrias é resultado principalmente dos compromissos de fornecimento de carne bovina ao mercado internacional, que segue com demanda forte, principalmente por parte da China.

Resultado preliminar divulgado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostra que os embarques de carne bovina “in natura” ao longo dos primeiros 13 dias úteis de setembro continuaram com volumes expressivos, apesar de leve desaceleração com relação ao mês anterior. A média foi de 7,26 mil toneladas exportadas por dia no período. Na comparação com setembro do ano passado, o resultado representou um avanço de 10,24%.

Por sua vez, a receita obtida com os embarques foi de US$ 386,05 milhões nos 13 dias de setembro, com uma média diária de 6,84% acima da obtida no mesmo mês do ano passado.

Movimento desta sexta-feira

Nesta sexta-feira, o mercado físico do boi gordo seguiu com preços firmes entre as principais praças pecuárias do Brasil, informa a IHS Markit.

Apesar de os frigoríficos brasileiros operarem com escalas posicionadas para cinco dias úteis, em média, já se observa uma maior resistência por parte dos compradores para aumentar os valores oferecidos pela arroba, observa a consultoria. Isso porque, nesta metade final do mês de setembro, as vendas de carne bovina nos atacados domésticos se mantiveram em níveis baixos. Na avaliação da IHS Markit, apesar da cotação da carne bovina ter apresentado nova alta nesta sexta-feira no atacado, não há espaço para maiores repasses (dos altos custos da arroba do boi) para os preços dos cortes, principalmente os menos nobres. Diante disso, “há registro de plantas com produção suspensa e férias coletivas para os funcionários”, informa a consultoria.

Do lado vendedor, a restrição de oferta de animais, reflexo da dificuldade dos pecuaristas em comprar gado magro e fazer a reposição das pastagens, também limita possíveis ajustes negativos na cotação da arroba, acrescenta a IHS.

Alta no atacado

No atacado, a procura pela proteína bovina se manteve retraída nesta sexta-feira. No entanto, o preço dos cortes de traseiro subiu para R$18,70/kg, sustentado pela menor oferta de carne, devido sobretudo à dificuldade das indústrias em avançar com as escalas de abate e manter a produção regular. O couro bovino também registrou altas, ficando em R$ 0,94/kgm reflexo da forte queda na produção.

Giro pelas praças

Mesmo em meio a baixa liquidez de negócios, algumas praças pecuárias registraram ajustes positivos nesta sexta-feira, sustentados principalmente pela escassez de animais terminados. No Rio Grande do Sul, lotes envolvendo fêmeas foram negociados a valores acima das máximas anteriores.

No Mato Grosso, frigoríficos exportadores ofereceram valores mais altos para conseguir originar matéria prima.

No Mato Grosso do Sul, a cotação da vaca registrou leve avanço nesta sexta-feira.

Em Minas Gerais, negócios pontuais também foram efetivados a valores mais elevados.

Em Gurupi-TO, a restrição de oferta voltou a promover ajustes positivos nos preços locais.

Confira as cotações desta sexta-feira, 25 de setembro, segundo dados da IHS Markit:

SP-Noroeste:

boi a R$ 254/@ (prazo)

vaca a R$ 241/@ (prazo)

MS-Dourados:

boi a R$ 246/@ (à vista)

vaca a R$ 236/@ (à vista)

MS-C. Grande:

boi a R$ 245/@ (prazo)

vaca a R$ 235/@  (prazo)

MS-Três Lagoas:

boi a R$ [email protected] (prazo)

vaca a R$ [email protected] (prazo)

MT-Cáceres:

boi a R$ 236/@ (prazo)

vaca a R$ [email protected] (prazo)

MT-Tangará:

boi a R$ 238/@ (prazo)

vaca a R$ 225/@ (prazo)

MT-B. Garças:

boi a R$ 238/@ (prazo)

vaca a R$ 226/@ (prazo)

MT-Cuiabá:

boi a R$ 237/@ (à vista)

vaca a R$ 227/@ (à vista)

MT-Colíder:

boi a R$ 230/@ (à vista)

vaca a R$ 218/@ (à vista)

GO-Goiânia:

boi a R$ 246/@ (prazo)

vaca R$ 236/@  (prazo)

GO-Sul:

boi a R$ 239/@ (prazo)

vaca a R$ 229/@ (prazo)

PR-Maringá:

boi a R$ 244/@ (à vista)

vaca a R$ 231/@  (à vista)

MG-Triângulo:

boi a R$ 250/@ (prazo)

vaca a R$ 236/@ (prazo)

MG-B.H.:

boi a R$ 249/@ (prazo)

vaca a R$ 238/@ (prazo)

BA-F. Santana:

boi a R$ 256/@ (à vista)

vaca a R$ 250/@ (à vista)

RS-Porto Alegre:

boi a R$ 215/@ (à vista)

vaca a R$ 205/@ (à vista)

RS-Fronteira:

boi a R$ 215/@ (à vista)

vaca a R$ 205/@ (à vista)

PA-Marabá:

boi a R$ 250/@ (prazo)

vaca a R$ 244/@ (prazo)

PA-Redenção:

boi a R$ [email protected] (prazo)

vaca a R$ 244/@ (prazo)

PA-Paragominas:

boi a R$ 247/@ (prazo)

vaca a R$ 238/@ (prazo)

TO-Araguaína:

boi a R$ 247/@ (prazo)

vaca a R$ [email protected] (prazo)

TO-Gurupi:

boi a R$ 247/@ (à vista)

vaca a R$ 235/@ (à vista)

RO-Cacoal:

boi a R$ 242/@ (à vista)

vaca a R$ 232/@ (à vista)

RJ-Campos:

boi a R$ 242/@ (prazo)

vaca a R$ 227/@ (prazo)

MA-Açailândia:

boi a R$ 247/@ (à vista)

vaca a R$ 225/@ (à vista)

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