“Nova praga da pastagem ainda não possui forma de tratamento”, afirma pesquisadora da Embrapa

Os primeiros relatos dessa nova praga foram feitos por pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, liderados pela entomologista Fabricia Zimermann Torres; VEJA GALERIA DE FOTOS, antes e depois do ataque, em Campo Grande, MS

Uma nova espécie de cochonilha já está infestando as pastagens brasileiras. O inseto foi identificado em 2018, e só agora, em meados de julho que foram divulgadas as primeiras informações técnicas sobre essa nova espécie Duplachionaspis divergens.

Com ela, agora são duas espécies de cochonilhas que atacam os pastos.

Os primeiros relatos dessa nova praga foram feitos por pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS), liderados pela entomologista e pesquisadora da unidade, Fabricia Zimermann Torres.

Foto: Divulgação/Embrapa Gado de Corte

“Infelizmente, a nova praga da pastagem ainda não possui forma de tratamento. Estamos ainda estudando o inseto e as possibilidades de controle. Não sabemos como o inseto entrou no País”, diz Fabricia.

A pesquisadora foi a convidada do programa DBO Entrevista, que foi ao ar nessa segunda-feira (2/8). O tema central foi justamente falar sobre essa nova praga. No entanto, ainda pouco se sabe sobre a praga, que ainda nem possui um nome comum (confira no final da matéria a entrevista em VÍDEO).

“Sabemos que ela tinha sido identificada em 2018 em cana-de-açúcar em um experimento em casa de vegetação, em São Paulo. E aí mais ou menos na mesma época a gente se deparou com os danos no campo, mas eram danos diferentes do que a gente estava acostumado a ver”, diz Fabricia.

Na edição de novembro de 2018 da DBO, o zootecnista Adilson Aguiar, professor da Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu) e integrante da Consultoria e Planejamento Pecuário (Consupec), já relatava uma nova pressão de ataques da cochonilha-dos-capins, conhecida cientificamente por Antonina graminis. Agora, é uma nova espécie que pode causar sérios problemas.

A nova praga deixa tons de amarelo nas folhas de pastagens, no entanto, o aspecto curioso são manchas brancas nas folhas. Essas manchas, segundo a pesquisadora, é uma espécie de cera produzida por esses insetos e para proteger especialmente os ovos da fêmea.

“Nenhum outro inseto, praga de pastagem, causaria este aspecto na folha da planta. Qualquer coisa pode causar manchas amarelas, mas se tiver as manchas brancas, aí sim, é somente essa nova cochonilha”, diz Fabricia.

As diferenças entre as cochonilhas

Confira algumas diferenças entre as espécies.

Cochonilha-dos-capins

Nome científico: Antonina graminis

1ª detecção no País: Meados de 1940

Onde ataca a planta: na parte inferior das plantas ou nos nós

Aparência: inseto maior e mais arredondado que a nova cochonilha, produz cera mais arredondada fixadas nos nós da planta

Inimigo natural: possui um parasitoide que faz o controle natural da Antonina graminis

 

Nova Cochonilha

Nome científico: Duplachionaspis divergens

1ª detecção: 2018

Onde ataca a planta: nas folhas e nas hastes

Aparência: É muito pequena, amarela e produz cera branca

Inimigo natural: Sem identificação até o momento

Alerta aos produtores

Segundo a pesquisadora há relatos da incidência da praga nas regiões Sudeste e Norte. A pesquisadora até pede para quem viu os vestígios da nova cochonilha – presença de manchas brancas (a cera do inseto) nas folhas – que reportem à unidade para que seja feito esse reconhecimento.

VEJA algumas fotos feitas do ataque da praga numa área de pastagem experimental da Embrapa Gado de Corte.

Perigo à vista?

Ainda não há estudos sobre os danos nem formas de controle, mas, segundo a pesquisadora trata-se de uma espécie com alto potencial para causar sérios danos à produção pecuária, pois a infestação é muito grande e relativamente rápida.

“A olho nu, ninguém consegue ver o ovo dela. Só por microscópio mesmo. E cada fêmea pode por até 130 ovos”, diz Fabricia.

Por ser um inseto bem pequeno ele pode ser disseminado pelo homem, ao simplesmente caminhar pelo pasto. Os insetos podem ficar presos nas roupas e infectar novos lugares. Também podem ser levados pelos implementos agrícolas e até pelo vento.

Possibilidades de tratamento

A pesquisadora fez uma constatação prévia de que plantas forrageiras que passaram o ponto de pastagem, ou seja, que estão com pasto de sobra são as mais propensas ao ataque.

A evidência ainda não foi confirmada cientificamente, mas pode servir de ponto de partida para uma forma de controle a partir do manejo das plantas. Outra forma de controle pode ser a partir de uma espécie de inseto que seja inimigo natural da nova cochonilha.

“Isso já ocorre com a espécie de cochonilha conhecida. Esperamos que possamos identificar um inimigo natural para essa nova espécie”, diz a pesquisadora.

Confira a entrevista da íntegra:

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