Pecuarista põe um olho no pasto e outro no mercado

Produtores de boi colocam em ação as suas estratégias e tentam mapear a demanda por gado pronto

A arroba do boi gordo segue firme em todo o País e não há expectativa de queda. Desde o fim de maio, o mercado começou a ingressar em um dos períodos de maior atenção nas fazendas. A falta de pastos, e a necessidade da implementação mais refinada de estratégias de nutrição, tornam-se grandes reguladores da oferta de animais.

Falta de pasto já é sentida em todas as regiões do País. Foto: Andre Aguiar

“Os pastos de inverno nas áreas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta estão muito bons. Os demais pastos, secos. Estamos suplementando animais em pasto seco com proteinado”, diz Carlos Viacava, com propriedades nos municípios paulistas de  Presidente Epitácio e Caiuá, na divisa com o Mato Grosso do Sul.

Gado vendendo feito água. Tem que segurar os ainda não terminados porque a procura é grande.” De acordo com a Scot Consultoria, São Paulo tem registro de boi-China por R$ 225 a arroba no prazo de 30 dias. 

Viacava diz que a procura por gado é grande. Foto: divulgação

Adriano Lopes, diretor da Ilma Agropecuária, localizada em Angatuba, região do Sudoeste Paulista, afirma que a situação das pastagens já está crítica desde o mês de abril, por causa de um verão com muito pouca chuva. “E os meses entre fevereiro e maio foram extremamente secos, o que resulta em pouca forragem e pouca macega.”

Lopes diz, ainda, que tem feito pouco uso de proteinado. “Ainda mais agora, na atual situação com pouca oferta de macega, pois a seca se prolonga. No verão, pouco se produziu. Fica até complicado fazer uso da tecnologia.” No mercado do boi, Lopes salienta que na sua região a oferta de boi tem sido relativamente escassa e com muita procura por novilhas gordas, “mais até mesmo que o boi”.

Comida escassa e mercado 

Atravessando a fronteira de São Paulo rumo ao Centro-Oeste, o cenário permanece inalterado para a falta de forragem. Antonio Sechis, com fazendas em Cassilândia e Alcinópolis, em Mato Grosso Grosso do Sul, tem cria e recria nesses municípios, respectivamente. “Estamos suplementando os animais de recria há mais 30 dias, porque os pastos estão bem sentidos com a falta de chuvas”, afirma Sechis. “Já nos pastos de cria, em Alcinópolis, com o pico do nascimento, estamos iniciando a transição para a suplementação da seca.”

Pasto na região de Inocência (MS). Foto: Andre Aguiar

 Mais ao norte, no centro da região, o pecuarista Leo Guimarães Ibiapina afirma que para o Distrito Federal e seu entorno, as pastagens têm perdido a qualidade, porém em níveis bem melhores do que no ano passado por causa do excelente período chuvoso. “Estamos com suplementações proteicas energética em andamento”, afirma. “Temos escassez de animais para abate, como no restante do País, e manobras de cliente para contenção dos preços.”

Paulo Leonel, com fazenda em Nova Crixás (GO), e que não utiliza suplementação ou qualquer outra ajuda nutricional no gado nelore, afirma as táticas de mercado. “O gado magro está sem referência de preço no mercado comprador”, diz ele. “Enquanto isso, ventos do início de julho para a frente têm piorado os pastos.” 

No Oeste da Bahia, onde Luiz Claudio Paranhos, diretor executivo da Japaranduba Fazendas Reunidas, tem uma de suas propriedades (as outras ficam em Pernambuco e Minas Gerais), ainda há pastos em bom estado e também melhores que no ano passado para o mesmo período, de acordo com o produtor. Mesmo assim, a suplementação já começou. Mas o foco da gestão não sai do mercado comprador. “Há muita procura por gado, de todas categorias”, afirma Paranhos.

Precificando a boiada 

Referência de preço tem sido uma constante entre os pecuaristas, não importa a região. A pressão do mercado é grande e constante, de acordo com José Roberto Pires Weber, criador de angus na Região da Campanha, no Rio Grande do Sul, fronteira com o Uruguai. Em sua propriedade, a suplementação do gado também já está em andamento, mesmo com uma leve melhora recente na condição das pastagens.

Weber, criador de angus, diz que mercado não está fácil. Foto: divulgação

“No nosso caso, o preço do gado gordo está sofrendo forte pressão de um grande frigorífico que importa carne do Centro-Oeste e oferta abaixo do preço corrente do mercado”, diz Weber, sem citar o nome da empresa. “É uma luta permanente.”

André Aguiar, consultor da Boviplan, empresa de consultoria em gestão e produção, afirma que praticamente todas as fazendas que atende, da Boca do Acre ao interior paulista, já estão utilizando sal proteinado para recria e os animais em terminação já iniciando uso de ração. “Neste momento, com 0,5% do peso vivo e vacas utilizando sal mineral com ureia”.

Olhando para o mercado, de acordo com Aguiar, os frigoríficos estão precisando de bois em todas as regiões. “Escalas de abate, em alguns casos, estão com três dias”, diz ele. “Vendemos bois na sexta e embarcaram ontem para o frigorífico. Se tiver fêmea gorda embarca quando quiser, pelo menos onde estou”, disse ele na semana passada à DBO.

No Vale do Rio Araguaia, mais ao sul goiano, a cerca de 300 quilômetros de Nova Crixás, Humberto Tavares, da fazenda São Sebastião do Rio Claro, no município de Jussara, diz que a sua estratégia já está decidida.

“A ideia é produzir o máximo de bezerros, porque está havendo uma forte retenção de fêmeas”, afirma Tavares.

“Estamos na tentativa de fortalecimento da suplementação. São 600 gramas para as novilhas de 18 meses, para garantir o máximo de prenhez em novembro. Normalmente, elas recebem em torno 300 gramas, como a bezerrada desmamada.” Para o resto do gado, ele fornece sal e ureia. De acordo com o pecuarista, em meados de julho ele abateu o último lote de boi gordo. Sua expectativa é entregar o próximo somente em janeiro, com o gado criado totalmente a pasto, por R$ 290 a arroba. No seu caso, os frigoríficos estão fora da mira nos próximos meses, mas o olho continua esticado para uma arroba mais valorizada daqui para a frente.

 

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