Vai ou não? Fundamentos são de baixa no mercado do boi

Volatilidade toma conta das negociações e arroba flutua nesse final da estação das águas

Durante toda a semana, o fluxo de negociações no mercado físico do boi gordo se mostrou bastante lento e foi marcado por uma certa volatilidade nos preços da arroba. Porém, prevaleceram os ajustes negativos na maior parte das praças pecuárias pesquisadas, influenciados por uma onda de fatores baixistas, a começar pelo atual colapso no consumo interno de carne bovina, devido às incertezas ocasionadas pela pandemia da Covid-19 e à falta de dinheiro da população.

“Desde a semana passada, os frigoríficos do País tentavam emplacar novas compras de gado gordo a preços mais baixos”, relata a Informa Economics FNP, que acrescenta: “os impactos da pandemia têm alterado a dinâmica do mercado de bovinocultura de corte, incentivando uma atuação mais comedida dos compradores de gado”.

Há uma enorme dificuldade de escoamento da carne bovina no varejo, pois os consumidores, assustados com a paralisação forçada da economia neste período de quarentena, estão buscando proteínas mais baratas, como ovos e frango. Para pior a situação, esse comportamento dos consumidores ocorre juntamente num momento de escassez de chuvas em algumas das principais regiões pecuárias do País, aumentando a oferta de gado por parte dos pecuaristas, condição que contribuiu para desvalorização da arroba.

Segundo a FNP, além da dificuldade no escoamento para o mercado interno, o volume de carne bovina “in natura” embarcado para o exterior também perdeu ritmo no acumulado das três primeiras semanas de abril, frente a março passado. O resultado das exportações, se comparado a 2019, no entanto, registrou aumento de 4,26% no volume diário embarcado, totalizando 5,6 mil toneladas/dia.

Visto que mais de 70% da carne produzida no País é consumida pelo mercado interno, o maior número das exportações não é suficiente para equilibrar o mercado frente a inconsistência do consumo doméstico e, em muitas praças pesquisadas, os frigoríficos ainda operam com capacidade ociosa”, destaca a FNP.

No Mato Grosso, por exemplo, sete plantas estão com os abates paralisados desde o início da quarentena e, no Norte do país, pelo menos quatro unidades também pararam. Apesar da cotação dos animais vivos registrar consecutivas quedas em muitas regiões, os preços da carne bovina no atacado têm registrado preços aparentemente firmes, ao contrário do que se observa no valor de proteínas concorrentes. A carne de frango, por exemplo, registrou uma redução de 18% no preço no atacado em relação a março.

No entanto, mesmo com a demanda retraída, em função da quarentena, os preços da carne bovina não encontram margens para maiores ajustes negativos, por causa da produção reduzida nos frigoríficos, avalia a FNP. Se comparados aos valores praticados em 2019, por exemplo, os cortes traseiro e dianteiro apresentam altas de 24% e 29%, respectivamente.

Giro pelas praças

No Mato Grosso do Sul, após tentar emplacar forte pressão baixista ao longo da semana, os frigoríficos ofereceram valores mais altos na aquisição do gado nesta sexta-feira, 24 de abril, o que contribuiu para uma maior liquidez do mercado, segundo a FNP. Nesse Estado, as escalas de abate se estendem até o início de maio.

Em São Paulo, a arroba se desvalorizou nesta sexta-feira. Sem registro de chuvas nas últimas semanas, os pecuaristas do Estado se mostram mais dispostos a vender os animais terminados, o que contribuiu para os ajustes negativos, informa a consultoria.

No Mato Grosso, as indústrias analisam os impactos das medidas adotadas contra a Covid-19 no escoamento de carne e mantém uma posição conservadora nas aquisições de boiada gorda. Para preservar as suas margens, as plantas mato-grossenses ajustam os abates à demanda por cortes bovinos no atacado, o que tem dificultado o andamento de novos negócios no mercado físico. Após seguidas quedas ao longo da semana, os preços da boiada gorda se mantiveram estáveis no Mato Grosso, nesta sexta-feira.

Em Goiás, a redução no nível de chuvas contribuiu para um aumento na oferta de gado, o que favoreceu a efetivação de negócios a valores mais baixos.

No Pará, os frigoríficos reduziram a significativamente a produção, limitando as novas aquisições de boiada para abate. Alguns poucos negócios foram efetivados a preços menores.

Confira as cotações desta sexta-feira, 24/4, de acordo com a FNP:

SP-Noroeste: R$ 200/@ a (prazo)

MS-Dourados: R$ 178/@ (à vista)

MS-C. Grande: R$ 180/@ (prazo)

MS-Três Lagoas: R$ 180/@ (prazo)

MT-Cáceres: R$ 177/@ (prazo)

MT-Tangará: R$ 178/@ (prazo)

MT-B. Garças: R$ 177/@ (prazo)

MT-Cuiabá: R$ 174/@ (à vista)

MT-Colíder: R$ 169/@ (à vista)

GO-Goiânia: R$ 180/@ (prazo)

GO-Sul: R$ 180/@ (prazo)

PR-Maringá: R$ 182/@ (à vista)

MG-Triângulo: R$ 190/@ (prazo)

MG-B.H.: R$ 181/@ (prazo)

BA-F. Santana: R$ 185/@ (à vista)

RS-P.Alegre: R$ 190/@ (à vista)

RS-Fronteira: R$ 187/@ (à vista)

PA-Marabá: R$ 182/@ (prazo)

PA-Redenção: R$ 179/@ (à vista)

PA-Paragominas: R$ 186/@ (prazo)

TO-Araguaína: R$ 182/@ (prazo)

TO-Gurupi: R$ 176/@ (à vista)

RO-Cacoal: R$ 172/@ (à vista)

RJ-Campos: R$ 183/@ (prazo)

MA-Açailândia: R$ 180/@ (à vista)

 

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